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DISCOS
Divulgação

Titãs: piadas com o mundo pop para espantar
o baixo-astral |
A
Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana,
Titãs (Abril Music) O rock, como o sexo, fica diferente
com o tempo. De um roqueiro de 20 anos exige-se virulência no som,
inconformismo nas letras, provocação nas atitudes. De um
grupo de quarentões, espera-se alguma ironia em relação
a tudo isso. A começar pelo título, o humor é a pedra
de toque do novo CD dos Titãs. Golpeado em meados do ano pela morte
do guitarrista Marcelo Fromer, o grupo paulista espantou o baixo-astral
para fazer piada com a rebeldia juvenil e com a música pop. Em
duas décadas de estrada, os Titãs aprenderam que, como diziam
os Rolling Stones, rock'n'roll é apenas rock'n'roll. Serve para
divertir. Lição assimilada, devem continuar fazendo sucesso.

Veja também |
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Carlos Namba

Cartola:
pérolas inéditas em CD |
Cartola 70 Anos,
Cartola (BMG) Eis uma sugestão para os pagodeiros e compositores
de sambas-enredo. Ouçam Cartola. Gravem Cartola. Imitem Cartola.
Comecem comprando esse disco. Gravado em 1979, ele agora chega às
lojas, pela primeira vez, em CD. É uma espécie de "lado
B" do compositor carioca. Não há faixas conhecidas como
Acontece
ou As Rosas Não Falam,
mas a qualidade é a mesma. Estão lá as letras diretas
e inspiradas, as melodias e harmonias surpreendentes. O próprio
compositor canta suas músicas. Ele tem um fiapo de voz, mas sua
interpretação intimista chega a ser emocionante em sambas
nostálgicos como O Inverno do Meu
Tempo. Os arranjos, puxando para o choro,
ressaltam o refinamento das canções. Pensando bem, pagodeiros,
não tentem imitar Cartola. Ele é sofisticado demais. Vocês
não irão conseguir.
LIVRO
A
Palavra Náufraga,
de Antonio Gonçalves Filho (Cosac & Naify; 376 páginas;
38 reais) Antonio Gonçalves Filho, colaborador de VEJA,
é um dos mais respeitados nomes do jornalismo cultural brasileiro.
No livro A Palavra Náufraga
estão reunidos artigos sobre cinema que ele publicou em jornais
e na revista Teorema,
num arco que vai de 1984 a maio deste ano. Filmes de Fellini, Fassbinder,
Scorsese, Visconti, Wim Wenders e Pasolini, entre outros grandes diretores,
são analisados de uma perspectiva que procura emprestar à
resenha jornalística, fátua por natureza, o caráter
de ensaio mais aprofundado. Na maioria das vezes, Antonio Gonçalves
Filho atinge esse difícil objetivo. Pode-se até discordar
de suas interpretações, mas é preciso reconhecer
que todas elas estão amparadas num repertório acima da média
exibida pelos críticos nacionais.
CINEMA
A
Sombra do Vampiro (Shadow of the
Vampire, Estados Unidos/Inglaterra/Luxemburgo,
2000. Em cartaz no Rio e, a partir de sexta-feira, em Brasília)
Em 1922, o diretor F.W. Murnau lançou uma das jóias
do cinema mudo alemão: Nosferatu,
uma versão de Drácula
protagonizada pelo esquisitíssimo ator Max Schreck. Essa comédia
discreta recria as filmagens daquele clássico, mas a partir de
uma bizarrice Schreck interpretou tão bem o vampiro porque
"era" um vampiro. Ou pelo menos ele e seu diretor acreditavam piamente
nisso no filme, é claro. John Malkovich exagera um tantinho
na pele de Murnau, mas não importa. A cena é mesmo toda
de Willem Dafoe, um dos intérpretes mais brilhantes de sua geração,
que aqui extrai todo o sangue do papel do morto-vivo Schreck.
VÍDEO
Warner

O
Melhor do Show: fauna humana |
O
Melhor do Show (Best in Show,
Estados Unidos, 2000. Warner) O comediante, ator e diretor Christopher
Guest é um sujeito incomum. É um barão legítimo,
está há quase vinte anos casado com a atriz Jamie Lee Curtis
e é também um especialista em bolar comédias disfarçadas
de documentário como a festejada This
is Spinal Tap, sobre uma banda de rock
fictícia. Aqui, Guest "acompanha" uma série de personagens
enquanto eles preparam suas mascotes (e a si mesmos) para participar da
grande final de um concurso canino. O diretor encarrega uma excelente
trupe de atores de viver as pessoas "reais" (ele próprio interpreta
o dono de um bloodhound) e põe uma fauna inacreditável para
desfilar diante do espectador. E não é dos cães que
se está falando.
DVD
Por
Uns Dólares a Mais, Três
Homens em Conflito (Fox) O diretor
italiano Sergio desfilar diante do espectador. E não é dos cães que
se está falando.
DVD
Por
Uns Dólares a Mais, Três
Homens em Conflito (Fox) O diretor
italiano Sergio Leone foi o inventor de um gênero do cinema, o faroeste-espaguete,
e também de uma de suas personalidades mais famosas o ator
Clint Eastwood. Alto, magro e com aquele seu jeito cínico e caladão,
o jovem Eastwood encarnava à perfeição o herói
de moral duvidosa da "trilogia dos dólares". Seu personagem sempre
está à cata de um malfeitor que possa entregar às
autoridades em troca de dinheiro. Pena que a primeira parte da trilogia,
Por um Punhado de Dólares,
não acompanhe este pacote. O consolo é que esses dois episódios,
de 1965 e 1966, são os melhores. Atenção à
audácia visual do diretor e à trilha inigualável
de Ennio Morricone.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Na lista de VEJA desta semana, categoria não-ficção,
aparece pela primeira vez uma obra cuja venda foi claramente impulsionada
pelos últimos acontecimentos nos Estados Unidos e na Ásia
Central: Uma
História dos Povos Árabes,
de Albert Hourani (tradução de Marcos Santarrita;
Companhia das Letras; 523 páginas; 42,50 reais). O inglês
Hourani, da Universidade de Oxford, concluiu o livro em 1992, um
ano antes de morrer. É um compêndio ambicioso. Propõe-se
a fazer um painel de treze séculos de história dos
povos islâmicos de língua árabe, do profeta
Maomé até os dias de hoje.
A realização está à altura da proposta.
Hourani pertence ao clube dos historiadores à moda antiga.
Em linguagem elegante e acessível aos leigos, narra os principais
eventos do islamismo, traça perfis dos personagens célebres
e arrisca interpretações equilibradas. Sai-se do livro,
assim, com uma compreensão mais profunda do ambiente social,
religioso e cultural que engendrou o fundamentalismo muçulmano.
Uma História dos Povos Árabes
merece estar na lista de VEJA.
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