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Edição 1 722 - 17 de outubro de 2001
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DISCOS

 
Divulgação

Titãs: piadas com o mundo pop para espantar o baixo-astral


A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana
,
Titãs (Abril Music) – O rock, como o sexo, fica diferente com o tempo. De um roqueiro de 20 anos exige-se virulência no som, inconformismo nas letras, provocação nas atitudes. De um grupo de quarentões, espera-se alguma ironia em relação a tudo isso. A começar pelo título, o humor é a pedra de toque do novo CD dos Titãs. Golpeado em meados do ano pela morte do guitarrista Marcelo Fromer, o grupo paulista espantou o baixo-astral para fazer piada com a rebeldia juvenil e com a música pop. Em duas décadas de estrada, os Titãs aprenderam que, como diziam os Rolling Stones, rock'n'roll é apenas rock'n'roll. Serve para divertir. Lição assimilada, devem continuar fazendo sucesso.


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Saiba mais sobre o novo CD e sobre a banda na Estação VEJA


Carlos Namba

Cartola: pérolas inéditas em CD

Cartola 70 Anos, Cartola (BMG) – Eis uma sugestão para os pagodeiros e compositores de sambas-enredo. Ouçam Cartola. Gravem Cartola. Imitem Cartola. Comecem comprando esse disco. Gravado em 1979, ele agora chega às lojas, pela primeira vez, em CD. É uma espécie de "lado B" do compositor carioca. Não há faixas conhecidas como Acontece ou As Rosas Não Falam, mas a qualidade é a mesma. Estão lá as letras diretas e inspiradas, as melodias e harmonias surpreendentes. O próprio compositor canta suas músicas. Ele tem um fiapo de voz, mas sua interpretação intimista chega a ser emocionante em sambas nostálgicos como O Inverno do Meu Tempo. Os arranjos, puxando para o choro, ressaltam o refinamento das canções. Pensando bem, pagodeiros, não tentem imitar Cartola. Ele é sofisticado demais. Vocês não irão conseguir.

 

LIVRO

A Palavra Náufraga, de Antonio Gonçalves Filho (Cosac & Naify; 376 páginas; 38 reais) – Antonio Gonçalves Filho, colaborador de VEJA, é um dos mais respeitados nomes do jornalismo cultural brasileiro. No livro A Palavra Náufraga estão reunidos artigos sobre cinema que ele publicou em jornais e na revista Teorema, num arco que vai de 1984 a maio deste ano. Filmes de Fellini, Fassbinder, Scorsese, Visconti, Wim Wenders e Pasolini, entre outros grandes diretores, são analisados de uma perspectiva que procura emprestar à resenha jornalística, fátua por natureza, o caráter de ensaio mais aprofundado. Na maioria das vezes, Antonio Gonçalves Filho atinge esse difícil objetivo. Pode-se até discordar de suas interpretações, mas é preciso reconhecer que todas elas estão amparadas num repertório acima da média exibida pelos críticos nacionais.

 

CINEMA

A Sombra do Vampiro (Shadow of the Vampire, Estados Unidos/Inglaterra/Luxemburgo, 2000. Em cartaz no Rio e, a partir de sexta-feira, em Brasília) – Em 1922, o diretor F.W. Murnau lançou uma das jóias do cinema mudo alemão: Nosferatu, uma versão de Drácula protagonizada pelo esquisitíssimo ator Max Schreck. Essa comédia discreta recria as filmagens daquele clássico, mas a partir de uma bizarrice – Schreck interpretou tão bem o vampiro porque "era" um vampiro. Ou pelo menos ele e seu diretor acreditavam piamente nisso – no filme, é claro. John Malkovich exagera um tantinho na pele de Murnau, mas não importa. A cena é mesmo toda de Willem Dafoe, um dos intérpretes mais brilhantes de sua geração, que aqui extrai todo o sangue do papel do morto-vivo Schreck.

 

VÍDEO

Warner

O Melhor do Show: fauna humana

O Melhor do Show (Best in Show, Estados Unidos, 2000. Warner) – O comediante, ator e diretor Christopher Guest é um sujeito incomum. É um barão legítimo, está há quase vinte anos casado com a atriz Jamie Lee Curtis e é também um especialista em bolar comédias disfarçadas de documentário – como a festejada This is Spinal Tap, sobre uma banda de rock fictícia. Aqui, Guest "acompanha" uma série de personagens enquanto eles preparam suas mascotes (e a si mesmos) para participar da grande final de um concurso canino. O diretor encarrega uma excelente trupe de atores de viver as pessoas "reais" (ele próprio interpreta o dono de um bloodhound) e põe uma fauna inacreditável para desfilar diante do espectador. E não é dos cães que se está falando.

 

DVD

Por Uns Dólares a Mais, Três Homens em Conflito (Fox) – O diretor italiano Sergio desfilar diante do espectador. E não é dos cães que se está falando.

 

DVD

Por Uns Dólares a Mais, Três Homens em Conflito (Fox) – O diretor italiano Sergio Leone foi o inventor de um gênero do cinema, o faroeste-espaguete, e também de uma de suas personalidades mais famosas – o ator Clint Eastwood. Alto, magro e com aquele seu jeito cínico e caladão, o jovem Eastwood encarnava à perfeição o herói de moral duvidosa da "trilogia dos dólares". Seu personagem sempre está à cata de um malfeitor que possa entregar às autoridades em troca de dinheiro. Pena que a primeira parte da trilogia, Por um Punhado de Dólares, não acompanhe este pacote. O consolo é que esses dois episódios, de 1965 e 1966, são os melhores. Atenção à audácia visual do diretor e à trilha inigualável de Ennio Morricone.

 

OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA


Na lista de VEJA desta semana, categoria não-ficção, aparece pela primeira vez uma obra cuja venda foi claramente impulsionada pelos últimos acontecimentos nos Estados Unidos e na Ásia Central:
Uma História dos Povos Árabes, de Albert Hourani (tradução de Marcos Santarrita; Companhia das Letras; 523 páginas; 42,50 reais). O inglês Hourani, da Universidade de Oxford, concluiu o livro em 1992, um ano antes de morrer. É um compêndio ambicioso. Propõe-se a fazer um painel de treze séculos de história dos povos islâmicos de língua árabe, do profeta Maomé até os dias de hoje.

A realização está à altura da proposta. Hourani pertence ao clube dos historiadores à moda antiga. Em linguagem elegante e acessível aos leigos, narra os principais eventos do islamismo, traça perfis dos personagens célebres e arrisca interpretações equilibradas. Sai-se do livro, assim, com uma compreensão mais profunda do ambiente social, religioso e cultural que engendrou o fundamentalismo muçulmano. Uma História dos Povos Árabes merece estar na lista de VEJA.

 

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura
   
 
   
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