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Edição 1 722 - 17 de outubro de 2001
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]

AVIAÇÃO

União como condição

O governo FHC topa dar apoio financeiro às combalidas empresas aéreas brasileiras. Mas, avisa um integrante do primeiro escalão do governo, elas primeiro têm de se entender entre si. Em bom português, têm de estar dispostas a se fundir. Do contrário, o dinheiro não pingará no caixa.

 

POLÍTICA

Itamar vem aí!

Em conversas privadas, FHC já admite que Itamar Franco deverá vencer as prévias do PMDB e acabará candidato do partido à Presidência.

Costurando a coligação

José Serra reuniu-se secretamente com o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, em Santa Catarina. Conversaram sobre três assuntos: sucessão, sucessão e sucessão. É a tentativa de Serra de aplainar as resistências pefelistas a seu nome. O PFL pode aderir a Serra, mas o ministro da Saúde vai ter de suar a camisa para isso.

José quem?

Um serrista de quatro costados, depois de esmiuçar os dados de uma recente pesquisa qualitativa sobre os candidatos a presidente, acha que José Serra é o que tem mais espaço para crescer. O raciocínio é o seguinte: Serra é avaliado como o melhor ministro do governo e o melhor ministro da Saúde que o país já teve, mas, fora de São Paulo, é totalmente desconhecido da população. Isso poderia significar que sua candidatura decolaria quando o brasileiro soubesse que Serra, além de comandar a Saúde, é também economista e tem um passado político. A esperança é a última que morre...

Briga na pefelândia

Jorge Bornhausen não quer ver Emílio Carrazai nem pintado – e já comunicou isso a Marco Maciel, padrinho político do presidente da Caixa Econômica Federal. Carrazai deixou de atender a alguns pedidos de nomeação feitos por Bornhausen e deve estar agora com a orelha ardendo.

 

FORÇAS ARMADAS

À mesa com a Marinha

O comando da Marinha abriu licitação para a compra de 19.000 quilos de geléia de mocotó, 17.000 quilos de bucho e 33.000 quilos de creme de leite. Que gororoba sairá dessa mistura? Tripes à la mode de Caen, ao que parece.

 

Céu fechado para o caixa da Vasp

Tina Coelho

Canhedo: turbulências à vista


A enrolada Vasp está diante de dois problemas que podem sangrar mais ainda seu caixa. O primeiro é uma ação na Justiça de São Paulo: a Boeing, fabricante de 26 dos 29 aviões de sua frota, está cobrando 28 milhões de dólares pelo não-pagamento de vários contratos de leasing. O segundo abacaxi da empresa de Wagner Canhedo: a partir de novembro, ela está obrigada por contrato a submeter 22 de seus aviões a uma revisão completa, ao custo de 1,5 milhão de dólares cada um. Quer dizer, precisará sacar muito dinheiro do minguado caixa e, enquanto durar a revisão, retirar os aviões das rotas.

 

JUSTIÇA

Toga de ouro

Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, não está só. A Receita Federal descobriu que outro juiz, também de São Paulo mas de um tribunal federal, é dono de um superapartamento em Miami. A descoberta faz parte de um levantamento do Leão, que agora quer saber como certos magistrados conseguiram adquirir um vasto patrimônio com salários que não ultrapassam 12.000 reais. Por enquanto, só os juízes de São Paulo e do Ceará estão passando pelo pente-fino da Receita.

 

ECONOMIA

Efeito turbante

Alguns hotéis de alto luxo em São Paulo que eram fortemente concentrados em hospedar homens de negócios americanos andam às moscas. Ali, as demissões já começaram.

Bico fechado

Roberto Gutierrez, um dos donos da Andrade Gutierrez, reuniu-se no início do mês em Paris com Roberto Amaral, o ex-diretor da empresa que andou cobrando dinheiro que lhe seria devido através de falsos anúncios fúnebres em jornais. Gutierrez foi acalmá-lo. E, em princípio, conseguiu.

Questão de tempo

Por enquanto, o escândalo do Banco Liberal/Bank of America, em que apareceu um rombo de 50 milhões de dólares, mandou para a forca apenas Antônio Carlos Lemgruber. Ex-sócio do banco e ex-presidente do BC, Lemgruber está sendo apontado como o cabeça do rombo. Mas, não demora muito, vão aparecer mais sócios enrolados.

Conexão Holanda–Piauí

O.k., o mundo anda sombrio, a economia brasileira não crescerá neste ano e os investimentos externos no país estão diminuindo. Com tanta notícia ruim, torna-se mais impressionante ainda o que o megainvestidor holandês Rob Nederlos está aprontando no Piauí. Ele comprou 100.000 hectares de terra – o equivalente a cinco cidades do Recife – para plantar milho, soja, arroz e algodão. Pretende colonizar a região levando 10.000 pessoas para lá, a maior parte do Sul e do Sudeste do país. A primeira leva de colonos já chegou e está plantando algodão.

 

INTERNET

Longe da rede

A internet é uma festa, mas ainda falta muito chão para ela virar gente grande no Brasil. Um levantamento feito pela Fiesp mostra que 95% da indústria paulista ainda não faz transações comerciais pela rede. Se é assim no Estado mais rico, imagine-se no resto do país...

 

FUTEBOL

Relações (não tão) ruins

A briga entre a CBF e a Globo continua violenta, mas isso não quer dizer que as relações pessoais nas respectivas cúpulas estejam totalmente cortadas. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, está finalizando a venda de dois restaurantes seus para Eurico Cunha, marido de Marluce Dias da Silva, a poderosa diretora-geral da Globo. Há alguns meses, o mesmo Cunha havia comprado duas choperias de Teixeira.

 

INTERNACIONAL

Último tango?

O governo brasileiro trabalha com a idéia de que Domingo Cavallo não cairá após as eleições argentinas deste domingo – uma convicção oposta da maioria esmagadora dos analistas políticos argentinos.

 

Com dinheiro, mas sem vergonha

 
Marco de Bari

O cobiçado BMW: donos ricos e inadimplentes

Surgiu um levantamento que ajuda a traduzir em números a famosa cara-de-pau. É da Secretaria da Fazenda da Bahia. Dos 298 donos de BMW do Estado, 32% não pagaram o IPVA neste ano. E não se trata de coincidência. Também não compareceram ao caixa 27% dos donos de Alfa Romeo e 30% dos de Mazda, modelos de alto luxo. Falta de dinheiro? Certamente não. O cheiro de malandragem fica inconfundível quando se compara com os proprietários dos modestos Corsa Wind e Fiat Uno: apenas 18% e 20%, respectivamente, não cumpriram com a obrigação fiscal.

 

Colaboraram Adriana Negreiros e Daniela Pinheiro



 
 

 

 

   
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