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O dono da festa
O
inglês Norman Cook
o
Fatboy Slim é o DJ mais
bem-sucedido do mundo.
Ganha
a vida arranhando discos
Marcelo
Marthe
Os
guitarristas, que chamam Eric Clapton de "deus", tiveram seu momento de
glória na semana passada. Na próxima, será a vez
de os DJs brasileiros receberem seu messias. Fatboy Slim, o melhor do
mundo em sua especialidade, desembarca no país para shows em São
Paulo e no Rio de Janeiro a partir do dia 25, no festival Free Jazz. O
DJ, cujo nome verdadeiro é Norman Cook (o pseudônimo quer
dizer "gordinho esbelto"), vendeu 4,5 milhões de cópias
dos seus dois últimos álbuns, uma enormidade para artistas
do gênero. Fatboy não costuma sair de sua mansão em
Brighton, no litoral da Inglaterra, por um cachê inferior a 50.000
dólares. Isso para animar uma festa por três horas. Dez anos
atrás, ele era o apagado baixista de um grupo pop mais apagado
ainda, os Housemartins (aquele do "melô do papel", lembra?). "Dei
um basta naquela chatice de ensaios e turnês com um bando de marmanjos.
Agora, tenho mais dinheiro e me divirto bem mais", disse ele a VEJA na
semana passada.
Rico, famoso e casado com uma ex-modelo, Fatboy, de 38 anos, é
a face mais conhecida da restrita categoria dos DJs que passaram de meros
animadores de festas a produtores de sucesso. Trancado em estúdio,
ele cria composições próprias e versões dançantes
para músicas de outros artistas. Já transformou até
um refrão triste cantado nos anos 60 por Jim Morrison, da banda
The Doors, em um torpedo para as pistas. A chave para entender o sucesso
de suas músicas é que ele criou um estilo de música
eletrônica, o big beat, que mistura ingredientes de hip hop, tecno
e rock. Assim, agrada a todas as tribos. Na hora de se apresentar ao vivo,
Fatboy dispensa toda a parafernália de estúdio e volta a
ser um DJ na acepção comum da palavra, alternando composições
suas com as de terceiros e arranhando muitos discos. "Ele é o arquétipo
do que se espera de um DJ: faz traquinagens na cabine de som e joga para
a platéia", diz o disc-jóquei brasileiro Felipe Venâncio.
Platéia, não, plateião. O artista se especializou
em animar maratonas dançantes com mais de 40.000 pessoas, como
o festival de música clubber Cream, em Liverpool.
O bem-humorado Fatboy já foi um socialista zangado. Socialista
daqueles que nunca leram Marx, claro, assim como os socialistas brasileiros.
Sua velha banda, os Housemartins, partia do princípio de que a
crítica social das letras era uma ferramenta para transformar o
mundo. Hoje, o DJ acha isso uma bobagem. "Minha ideologia, agora, é
a diversão. As raves mudaram mais a Inglaterra do que todas as
letras engajadas dos últimos vinte anos", dispara. Outro assunto
que ele deixa no passado são as drogas. "Tomava um ecstasy a cada
noitada, mas hoje estou controlado, já que tenho um filho de 11
meses", diz Fatboy. A mãe do filhão é uma espécie
de Xuxa inglesa, a loira Zoë Ball, ex-apresentadora de um programa
infantil na TV. O DJ jura que hoje seu único vício é
a vodca. Toma uma garrafa a cada apresentação. "Tecnicamente,
sou um alcoólatra." Recentemente, o rei dos pick-ups resolveu investir
num novo interesse: o futebol. Doou 145.000 dólares a seu time,
o Brighton & Hove Albion. Atualmente, a equipe chafurda na terceira
divisão inglesa. Fatboy espera que com o estímulo financeiro
os jogadores se animem e subam para a segundona.
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