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Edição 1 722 - 17 de outubro de 2001
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O dono da festa

O inglês Norman Cook –
o Fatboy Slim – é o DJ mais
bem-sucedido do mundo.
Ganha a vida arranhando discos

Marcelo Marthe

Os guitarristas, que chamam Eric Clapton de "deus", tiveram seu momento de glória na semana passada. Na próxima, será a vez de os DJs brasileiros receberem seu messias. Fatboy Slim, o melhor do mundo em sua especialidade, desembarca no país para shows em São Paulo e no Rio de Janeiro a partir do dia 25, no festival Free Jazz. O DJ, cujo nome verdadeiro é Norman Cook (o pseudônimo quer dizer "gordinho esbelto"), vendeu 4,5 milhões de cópias dos seus dois últimos álbuns, uma enormidade para artistas do gênero. Fatboy não costuma sair de sua mansão em Brighton, no litoral da Inglaterra, por um cachê inferior a 50.000 dólares. Isso para animar uma festa por três horas. Dez anos atrás, ele era o apagado baixista de um grupo pop mais apagado ainda, os Housemartins (aquele do "melô do papel", lembra?). "Dei um basta naquela chatice de ensaios e turnês com um bando de marmanjos. Agora, tenho mais dinheiro e me divirto bem mais", disse ele a VEJA na semana passada.

Rico, famoso e casado com uma ex-modelo, Fatboy, de 38 anos, é a face mais conhecida da restrita categoria dos DJs que passaram de meros animadores de festas a produtores de sucesso. Trancado em estúdio, ele cria composições próprias e versões dançantes para músicas de outros artistas. Já transformou até um refrão triste cantado nos anos 60 por Jim Morrison, da banda The Doors, em um torpedo para as pistas. A chave para entender o sucesso de suas músicas é que ele criou um estilo de música eletrônica, o big beat, que mistura ingredientes de hip hop, tecno e rock. Assim, agrada a todas as tribos. Na hora de se apresentar ao vivo, Fatboy dispensa toda a parafernália de estúdio e volta a ser um DJ na acepção comum da palavra, alternando composições suas com as de terceiros e arranhando muitos discos. "Ele é o arquétipo do que se espera de um DJ: faz traquinagens na cabine de som e joga para a platéia", diz o disc-jóquei brasileiro Felipe Venâncio. Platéia, não, plateião. O artista se especializou em animar maratonas dançantes com mais de 40.000 pessoas, como o festival de música clubber Cream, em Liverpool.

O bem-humorado Fatboy já foi um socialista zangado. Socialista daqueles que nunca leram Marx, claro, assim como os socialistas brasileiros. Sua velha banda, os Housemartins, partia do princípio de que a crítica social das letras era uma ferramenta para transformar o mundo. Hoje, o DJ acha isso uma bobagem. "Minha ideologia, agora, é a diversão. As raves mudaram mais a Inglaterra do que todas as letras engajadas dos últimos vinte anos", dispara. Outro assunto que ele deixa no passado são as drogas. "Tomava um ecstasy a cada noitada, mas hoje estou controlado, já que tenho um filho de 11 meses", diz Fatboy. A mãe do filhão é uma espécie de Xuxa inglesa, a loira Zoë Ball, ex-apresentadora de um programa infantil na TV. O DJ jura que hoje seu único vício é a vodca. Toma uma garrafa a cada apresentação. "Tecnicamente, sou um alcoólatra." Recentemente, o rei dos pick-ups resolveu investir num novo interesse: o futebol. Doou 145.000 dólares a seu time, o Brighton & Hove Albion. Atualmente, a equipe chafurda na terceira divisão inglesa. Fatboy espera que com o estímulo financeiro os jogadores se animem e subam para a segundona.

   
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