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Humor
de salão
Adaptação de O Xangô de
Baker Street é
divertidinha
como o livro de Jô Soares
Isabela
Boscov
Divulgação
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| Almeida,
como Sherlock, com Thalma de Freitas: lógica que não
resiste aos trópicos |
É
difícil conceber um filme mais tépido que O Xangô
de Baker Street (Brasil/Portugal/Estados Unidos, 2001), que estréia
nesta sexta-feira no Rio de Janeiro e em Brasília. Adaptado do
romance homônimo de Jô Soares (que faz uma ponta na fita),
ele segue à risca aquela filosofia do "leia o livro, veja o filme".
Ou seja, nada de surpreender o espectador com reinterpretações
ou novidades narrativas. A idéia parece ser simplesmente recriar
diante da câmara os cenários e diálogos que estavam
no papel, poupando o espectador do trabalho que teve, ou teria, como leitor
o de usar a imaginação. Não há nada de
condenável nessa estratégia, e ela até parece natural
quando se considera que o livro é um dos grandes sucessos do mercado
editorial brasileiro, com 530 000 exemplares vendidos. Mas que ninguém
espere emoções fortes. É melhor se contentar com
alguns sorrisos amenos, exatamente como aqueles que o romance é
capaz de proporcionar.
Xangô
propõe uma reunião fictícia de celebridades, misturando
gente real a personagens inventados. Em 1886, a atriz francesa Sarah Bernhardt
vem em turnê ao Brasil e toma conhecimento de uma fofoca da corte
carioca: um valioso violino Stradivarius foi furtado à baronesa
de Avaré, cujos encantos não passam despercebidos ao imperador
Pedro II. Foi o próprio, aliás, quem presenteou o instrumento
à moça, às escondidas da já não tão
bela imperatriz. Sarah sugere chamar seu grande amigo, o detetive inglês
Sherlock Holmes, para resolver o caso. De quebra, Sherlock e seu companheiro
Watson ajudarão a investigar uma série de misteriosos assassinatos.
Há achados graciosos na trama. A famosa lógica de Sherlock
(o ator português Joaquim de Almeida), por exemplo, não funciona
lá muito bem nos trópicos, o que o leva a fazer deduções
equivocadas. Também são divertidas as cenas que mostram
a invenção da caipirinha ou estabelecem a verdadeira identidade
de Jack, o Estripador. A direção de Miguel Faria Jr. é
certinha e os cenários do Brasil Império, bonitos uma
obrigação para uma produção de 10 milhões
de reais. No geral, porém, prevalece o humor de salão: agradável
e benigno, mas tão embriagante quanto um copo de leite morno.
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