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Edição 1 722 - 17 de outubro de 2001
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Humor de salão

Adaptação de O Xangô de
Baker Street
é divertidinha
como o livro de Jô Soares

Isabela Boscov

 
Divulgação
Almeida, como Sherlock, com Thalma de Freitas: lógica que não resiste aos trópicos

É difícil conceber um filme mais tépido que O Xangô de Baker Street (Brasil/Portugal/Estados Unidos, 2001), que estréia nesta sexta-feira no Rio de Janeiro e em Brasília. Adaptado do romance homônimo de Jô Soares (que faz uma ponta na fita), ele segue à risca aquela filosofia do "leia o livro, veja o filme". Ou seja, nada de surpreender o espectador com reinterpretações ou novidades narrativas. A idéia parece ser simplesmente recriar diante da câmara os cenários e diálogos que estavam no papel, poupando o espectador do trabalho que teve, ou teria, como leitor – o de usar a imaginação. Não há nada de condenável nessa estratégia, e ela até parece natural quando se considera que o livro é um dos grandes sucessos do mercado editorial brasileiro, com 530 000 exemplares vendidos. Mas que ninguém espere emoções fortes. É melhor se contentar com alguns sorrisos amenos, exatamente como aqueles que o romance é capaz de proporcionar.

Xangô propõe uma reunião fictícia de celebridades, misturando gente real a personagens inventados. Em 1886, a atriz francesa Sarah Bernhardt vem em turnê ao Brasil e toma conhecimento de uma fofoca da corte carioca: um valioso violino Stradivarius foi furtado à baronesa de Avaré, cujos encantos não passam despercebidos ao imperador Pedro II. Foi o próprio, aliás, quem presenteou o instrumento à moça, às escondidas da já não tão bela imperatriz. Sarah sugere chamar seu grande amigo, o detetive inglês Sherlock Holmes, para resolver o caso. De quebra, Sherlock e seu companheiro Watson ajudarão a investigar uma série de misteriosos assassinatos. Há achados graciosos na trama. A famosa lógica de Sherlock (o ator português Joaquim de Almeida), por exemplo, não funciona lá muito bem nos trópicos, o que o leva a fazer deduções equivocadas. Também são divertidas as cenas que mostram a invenção da caipirinha ou estabelecem a verdadeira identidade de Jack, o Estripador. A direção de Miguel Faria Jr. é certinha e os cenários do Brasil Império, bonitos – uma obrigação para uma produção de 10 milhões de reais. No geral, porém, prevalece o humor de salão: agradável e benigno, mas tão embriagante quanto um copo de leite morno.

   
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