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Matou
o diretor
e foi ao cinema
Fotos AP
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s AP
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NATHAN
POWELL
"Passei a ter medo dele após os atentados terroristas",
afirmou o assassino à polícia depois que se descobriu
a cabeça da vítima na geladeira de sua casa |
JAWED
WASSEL
"A América é o único lugar onde todos têm
uma chance", ele disse dias antes de ser morto, com um taco de
bilhar, e ter o corpo esquartejado por seu produtor |
O
cineasta afegão Jawed Wassel, de 42 anos, trabalhava com filmes
que revelam parte da tragédia vivida há décadas por
seu país e tornou-se personagem de um crime tão bárbaro
quanto os que cotidianamente se vêem no Afeganistão. Wassel
foi morto a pauladas, há duas semanas, e teve o corpo esquartejado
por um produtor que colaborava na execução de seu filme.
Na semana passada, a polícia do distrito de Nassau, em Long Island,
a 200 quilômetros de Nova York, achou partes do corpo do cineasta
no carro do produtor Nathan Powell, de 38 anos. A cabeça de Wassel
foi encontrada numa geladeira, na casa do assassino. O homicídio
não parece ter relação com a guerra dos Estados Unidos
contra o terrorismo, mas Powell tentou fazer ligação entre
uma coisa e outra.
Há
seis anos, Wassel vinha produzindo um filme quase autobiográfico,
narrando uma história que envolve refugiados afegãos.
Ele próprio vivia como um refugiado desde 1979, quando tropas da
ex-União Soviética invadiram o Afeganistão. Morou
no Paquistão, na Alemanha, na França e, finalmente, nos
Estados Unidos. Vivia com três irmãos em Manhattan e namorava
a produtora de cinema Veda Zayer Khadem, também afegã e
no exílio desde a infância. "A América é o
único lugar do mundo onde todos têm uma chance", disse Wassel
a um repórter do New York Daily News há duas semanas,
numa entrevista sobre o que chamava de filme de sua vida. FireDancer,
o filme, teve uma apresentação especial num pequeno
cinema de Nova York na quarta-feira 3, mas o diretor não compareceu
à sessão. Os convidados estranharam o fato, mas só
se soube a razão alguns dias depois.
Na noite
de quinta-feira, o produtor Nathan Powell, um dos financiadores do filme
de Wassel, foi barrado pela polícia quando dirigia uma van Chevrolet
azul com os faróis apagados no meio de um campo de pólo.
O policial Peter McGinn fez algumas perguntas de rotina, imaginando que
se tratava apenas de um bêbado desorientado. Mas viu uma pá
e uma picareta no banco de trás do veículo e recebeu uma
resposta agressiva ao perguntar para que seriam usadas as ferramentas.
"Estou procurando 10.000 dólares que
enterrei aqui no parque há três anos", ironizou Powell. Numa
averiguação mais detalhada, McGinn encontrou duas caixas
de papelão no porta-malas. "Quando vi sangue escorrendo de uma
delas e fios de cabelo em volta, percebi que era algo muito sério",
contou o policial. Em uma das caixas estavam dois braços e duas
pernas. Na outra, o tronco de um homem. Perto dali, foi achado um buraco
aberto pelo produtor para esconder o corpo esquartejado do cineasta Jawed
Wassel.
No dia seguinte,
no bairro de Queens, ao entrar no apartamento de Powell, no mesmo edifício
onde funcionava sua companhia cinematográfica, a polícia
encontrou a peça que faltava: a cabeça de Wassel estava
guardada na geladeira. O criminoso alegou que matou o cineasta após
uma discussão por dinheiro. Horas antes da exibição
de FireDancer, após um encontro com outros investidores,
Wassel disse a Powell que reduziria o pagamento sobre os lucros do filme
de 30% para 10%. "Powell achou que estaria perdendo muitos dólares
com isso", disse o policial Frank Guidice, que tomou o depoimento do produtor.
Eles brigaram. O produtor agrediu o outro com um taco de bilhar e completou
o crime com uma faca de cozinha. Mais tarde o corpo foi esquartejado a
machadadas e encaixotado. Na mesma noite, Powell compareceu à festa
de estréia do filme como se nada tivesse acontecido.
Os investigadores
não encontraram nenhum indício de que o assassinato tenha
ligação com a guerra antiterrorismo, como imaginaram os
amigos do cineasta quando souberam os detalhes do crime. Mas Powell tentou
usar a nacionalidade da vítima como um argumento em sua defesa.
"Passei a ter medo dele depois dos atentados terroristas", disse à
polícia, procurando justificar sua atitude violenta na discussão
com Wassel.
Segundo
o diretor de fotografia Bud Gardner, Wassel era um homem preocupado com
questões políticas, mas apenas pela necessidade de divulgar
o que acontece no Afeganistão. "Ele trabalhava para denunciar a
fome e a miséria num país seqüestrado por uma minoria",
disse Gardner. Originário de uma família rica, Wassel, que
aprendeu seis idiomas durante a vida de refugiado perambulando por diversos
países, não parecia muito preocupado com dinheiro. "Não
pretendo ganhar milhões de dólares com o filme, mas apenas
mostrar ao mundo uma realidade trágica que precisa ser denunciada",
disse em uma entrevista recente. FireDancer mostra como vivem os
refugiados nos Estados Unidos. Nas filmagens, foram utilizados como atores
outros imigrantes afegãos, em vez de profissionais. Segundo o compositor
Bruce Hathaway, responsável pela trilha sonora do filme, Wassel
era um visionário, disposto a sacrificar tudo para transpor para
as telas a tragédia de sua vida e a de seu povo.
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