
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
O medo aumenta
Fotos AP
 |
UM
ATAQUE?
Policiais com roupas especiais examinam o prédio da American
Media, na Flórida, no que pode ser o primeiro atentado terrorista
com armas biológicas |
O
bacilo anthrax, a mais temida entre as armas biológicas, nunca
havia sido utilizado em atentados terroristas. Há, no entanto,
fortes indícios de que isso tenha ocorrido pela primeira vez
e a notícia provocou um arrepio de pavor nos Estados Unidos. Três
funcionários da editora American Media, sediada em Boca Raton,
na Flórida, foram contaminados pelo bacilo. Um deles, o fotógrafo
Robert Stevens, morreu. Os outros dois, o distribuidor de correspondência
Ernesto Blanco, de 73 anos, e uma mulher de 35 anos que não teve
seu nome divulgado, estavam sendo tratados com antibióticos até
a quinta-feira passada. As primeiras investigações encontraram
anthrax em pó no teclado do computador usado por Robert Stevens,
que exercia o cargo de editor de fotografia num tablóide. Os
três foram contaminados por via respiratória. O FBI, a polícia
federal americana, lacrou o prédio por trinta dias. Durante esse
período, agentes protegidos com roupas e máscaras especiais
verificarão se há outros ambientes infectados. Cerca de
800 pessoas, entre funcionários da American Media e seus familiares,
foram chamados a fazer exames na semana passada. Até quinta-feira
não se sabia ainda da totalidade dos resultados.
 |
A
PRIMEIRA VÍTIMA
O
chefe de fotografia Stevens: anthrax no teclado do computador |
Desde 1976 não se registrava um caso de contaminação
por anthrax nos Estados Unidos. O bacilo é muito traiçoeiro.
Se inalado ou ingerido, provoca a princípio mal-estares parecidos
com os de uma gripe ou os de um distúrbio intestinal simples. Somente
uma semana depois da contaminação é que surgem os
sinais mais claros da doença, na forma de infecções
no pulmão ou no aparelho digestivo. Elas podem levar à morte
em 24 horas. Quando esses sintomas mais graves aparecem costuma ser tarde
demais para o tratamento. É preciso atacar o bacilo antes disso,
com antibióticos potentes (veja
quadro).
Por causa das ocorrências na Flórida, o medo de um ataque
terrorista com anthrax passou a assombrar ainda mais a população
americana. Só na semana passada, a polícia recebeu mais
de trinta denúncias de possíveis atentados com a temida
arma biológica. Nenhuma se confirmou. Um dos episódios mais
assustadores se deu em Washington: Kenneth Ranger, um jovem de 23 anos
aparentando desequilíbrio mental, invadiu um vagão do metrô.
Com um spray, ele borrifou um líquido em vários dos passageiros,
o que provocou pânico generalizado. Uma brigada de soldados vestidos
com trajes especiais contra ataques biológicos foi chamada para
prender Ranger. Muitos passageiros se sentiram mal, mas as primeiras investigações
revelaram que o spray de Ranger continha apenas uma mistura de água
com detergente.
Fotos AP
 |
À
PROCURA DE
PROTEÇÃO
Logo depois do dia 11, aumentou a venda de máscaras contra
gases. Agora, cresce também o consumo de antibióticos |
Os
americanos, que logo após os atentados do dia 11 de setembro haviam
acorrido às lojas em busca de máscaras, começaram
a comprar também grandes quantidades de antibióticos. A
procura é tanta que o laboratório Bayer anunciou que iria
aumentar em 25% a fabricação da ciprofloxacina, considerada
um dos medicamentos mais eficientes no combate ao anthrax. Pelo menos
1.000 pessoas bateram à porta também do laboratório
BioPort, o único autorizado a produzir a vacina contra anthrax.
Todas receberam a mesma resposta: a de que o medicamento era fornecido
exclusivamente para as Forças Armadas. Antes que o pavor tomasse
conta da população dos Estados Unidos, o anthrax já
era uma das grandes preocupações dos militares americanos.
O alarme vermelho soou em 1990, pouco antes da eclosão da Guerra
do Golfo. Como se sabia que o Iraque de Saddam Hussein era um notório
produtor do bacilo, os Estados Unidos desenvolveram um programa de emergência
para vacinar as tropas que iam lutar no Oriente Médio.
 |
ALARME
FALSO
Um homem causou pânico no metrô de Washington, ao borrifar
um líquido em vários passageiros. Era água com
detergente |
A
dor de cabeça aumentou quando se descobriu que a antiga União
Soviética armazenara uma quantidade de anthrax suficiente para
matar toda a população dos Estados Unidos. Boa parte desse
arsenal biológico teve destino incerto depois do esfacelamento
do império comunista. Outro prum líquido em vários passageiros. Era água com
detergente |