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Lamentável
a posição da Igreja Católica em relação
ao conflito entre os EUA e o Afeganistão. Sou católico e
desde criança minha religião ensinou que deveríamos
perdoar e entender nossos irmãos. A atual posição
da Igreja está muito longe desses ensinamentos, e não consigo
compreender as declarações do papa apoiando o ataque ao
Afeganistão, um povo tão pobre e sofrido. Acreditava nos
ensinamentos das religiões como única forma de combater
a violência, porém nem mesmo essa alternativa nos resta para
pacificar o planeta. Não compactuo com o terrorismo, mas não
posso aceitar a passividade da Igreja Católica, permitindo a morte
de inocentes numa guerra inócua ("Fé cega e mortal", 10
de outubro). Como não
considerar atrasado um povo que em nome da religião professada
cultiva a ignorância, proibindo as mulheres de freqüentar escolas?
Como igualar à ocidental uma civilização em que mulheres
são apedrejadas, espancadas e até mesmo executadas por meras
suspeitas de "transgressão" ao Corão? Como considerar
civilizado um povo que, em pleno século XXI, proíbe suas
mulheres de trabalhar, obrigando-as a ser eternamente dependentes, condenando-as
à miséria e à fome quando enviúvam ou se divorciam? Penso que
todas as pessoas com senso de coerência devem condenar os atos terroristas
movidos contra os EUA em setembro último, independentemente dos
eventuais motivos que lhes possam servir de justificativa. Torna-se inadmissível
que indivíduos que se dizem tementes a Deus possam acreditar que
um criador justo e austero veria com bons olhos o genocídio empreendido
nos ataques em questão. Vejo com profunda tristeza, contudo, a
parcialidade com que os meios de comunicação brasileiros
têm conduzido as reportagens a respeito desse assunto. Faz-se necessária
análise mais isenta acerca dos islâmicos, que representam
um quinto da população mundial. Fiquei surpreso
com a reportagem "Nasce
uma nova geração" (10 de outubro), na última
edição de VEJA. Estudando no MIT e morando em Boston há
mais de um ano, presenciei diversas manifestações estudantis
(algumas brutalmente reprimidas pela polícia) pela democracia nas
eleições presidenciais e, agora, contra a guerra. Se os
estudantes não queimam mais bandeiras, é porque preferem
manifestar-se pacificamente. Se lamentam os mortos de 11 de setembro,
é por solidariedade, e não por pragmatismo. VEJA publicou
que os ensinamentos de Maomé trazem regras tão detalhistas
como a obrigação de cortar as unhas começando pelo
dedo mínimo da mão direita e terminando no polegar ("O
mundo do Islã", 26 de setembro). Esclareço
que não há nada no Corão sobre isso. Também
não há a respeito nenhuma hadith (ditos e atos do
profeta, que devem ser seguidos como exemplos). O máximo é
uma recomendação genérica sobre hábitos de
higiene, como aparar o bigode e os pêlos do corpo, fazer a circuncisão
e, claro, manter as unhas cortadas, hábitos seguidos por todo ser
humano civilizado. Lembro ainda que estes ensinamentos básicos
se encontram também na Torá e no Talmude,
do judaísmo, e em inúmeros ensinamentos de santos da Igreja
Católica. Em síntese, ensinar hábitos de higiene
não é um privilégio exclusivo dos muçulmanos.
E fiquem todos tranqüilos: todos são livres, até para
cortar as unhas na ordem e no sentido que quiserem. Li cuidadosamente
a entrevista com John Keegan (Amarelas,
3 de outubro). Chamou-me a atenção sua posição
quanto a "prisão, julgamento e execução" de Osama
bin Laden. Não ficou claro se o processo deve ser conduzido exatamente
nessa seqüência, ou se isso é apenas um detalhe de menor
importância, visto que o julgamento parece que já foi feito.
Por outro lado, ao final da entrevista, a dúvida se desfaz, quando
o entrevistado propõe limitar (ou, quem sabe, "arranhar"?) as liberdades
civis, e explicita que o modelo a ser seguido é o das memoráveis
ditaduras militares de Argentina, Uruguai e Chile. Com isso tudo, onde
vamos parar? Se ficar, o terrorista pega. Se correr, as "forças
de segurança" comem! Excelente
a entrevista do historiador John Keegan. Discordo quando pensa ainda como
nossos ancestrais, dente por dente, olho por olho. Onde já se viu
em toda a história do homem uma guerra racional!
Quando o
ex-ator de Hollywood Christopher Reeve, em entrevista à VEJA (Amarelas,
10 de outubro), disse "Gosto de me sentar próximo à janela
de casa para observar os pássaros no céu e as árvores",
veio logo a minha mente a pergunta: será que nós, humanos,
temos de sofrer algum tipo de tragédia pessoal para passar a dar
valor às mínimas porém belas coisas que a natureza
nos oferece a cada segundo? Que a excelente entrevista de VEJA com o senhor
Reeve conduza as pessoas a momentos de reflexão e as guie no sentido
de viver intensamente o aqui e agora. Um exemplo
de superação e perseverança, o ator Christopher Reeve.
Uma figura cativante e de grande carisma. Se as pessoas valorizassem a
vida e acreditassem num futuro melhor, como Reeve, seguramente não
estaríamos vivendo este momento de tensão mundial. Gostei muito
da entrevista com o "super-homem", não aquele que costumávamos
ver nos filmes de Hollywood, mas o que VEJA mostrou nas Páginas
Amarelas. O ator vem-se mostrando um verdadeiro super-homem na luta pela
vida. VEJA está de parabéns por realizar essa entrevista,
com perguntas competentes e compartilhando o sofrimento de Christopher
Reeve com seus leitores.
A propósito
do artigo "Melhor mandar chumbo" (3 de outubro), dirijo-me a VEJA para
repudiar com veemência o trecho em que se diz que "nossos militares
só fariam confusão. Eles são ruins de guerra" para,
num epílogo lamentável, pregar a dissolução
de nossas Forças Armadas. As referências à tortura
e à censura, por injuriosas e impertinentes, nem merecem comentários.
Não custa lembrar que o Exército brasileiro e as
forças co-irmãs se cobriram de glórias durante
a II Guerra Mundial, tendo sua participação reconhecida
internacionalmente pela bravura e pela competência do soldado brasileiro
demonstradas nos campos de batalha da Itália. Recentemente, nossos
militares vêm-se destacando no cumprimento de missões de
paz em várias partes do mundo. Não obstante a carência
de meios sofisticados de combate, em relação às forças
dos países mais desenvolvidos, o Exército brasileiro não
tem faltado à nação nos momentos de dificuldades.
Há
tempos não lia uma matéria corajosa como a da edição
de 3 de outubro. Parabéns ao autor e à revista.
Em relação
à reportagem sobre a CPI das Obras Inacabadas ("Faltaram os nomes",
3 de outubro), venho esclarecer que o requerimento para sua prorrogação
foi rejeitado pelo voto dos líderes de todos os partidos na Câmara,
tanto da base governista quanto da oposição, pelo fato de
aquela comissão ter-se desvirtuado das finalidades determinadas
no requerimento de sua criação. A respeito
da reportagem, quero informar que a Ductor Implantação de
Projetos S.A. é apenas uma das três integrantes de um consórcio,
juntamente com duas outras empresas de engenharia especializadas em instrumentação
de túneis e em controle tecnológico, ao qual cabe a supervisão
das obras de um trecho de 4,8 quilômetros do ramo Oeste do Rodoanel,
que tem 32 quilômetros de extensão.
A pesquisa
que mostrou a Reserva Extrativista do Alto Juruá, no Acre, área
de biodiversidade máxima, habitada por uma população
tradicional, foi conduzida por várias instituições
brasileiras em conjunto. Principalmente a USP, a Unicamp e a Ufac ("Onde
há mais vida", 20 de junho). Fui a única pessoa nominalmente
citada na reportagem de VEJA a respeito desse trabalho, e a única
instituição a que se fez referência foi a Universidade
de Chicago, onde atualmente sou professora, o que pode dar a falsa impressão
de que se tratou de pesquisa daquela instituição. Foi como
professora da USP que a coordenei, juntamente com os professores Keith
Brown Jr. e Mauro Barbosa de Almeida, ambos da Unicamp. Além disso,
a reserva extrativista é erroneamente identificada na legenda do
mapa como "região do Alto Juruá", e uma área indígena,
a dos Ashaninka do Rio Amônea, aparece confundida com o Parque Nacional
da Serra do Divisor. A reportagem cita texto inédito do professor
Keith Brown Jr., da Unicamp, sem sequer mencioná-lo. Também
não credita as extensas entrevistas com o professor Mauro Almeida
e com o professor Moisés Barbosa, da Ufac, que só foi mencionado
como autor de uma foto.
Na reportagem
"O Sivam decolou" (29 de agosto), a foto no canto inferior direito não
é de São José dos Campos, como indica a legenda,
mas sim de Guaratinguetá, no Estado de São Paulo.
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