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Edição 1 722 - 17 de outubro de 2001
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"A fé muçulmana não se confunde com o terrorismo da Al Qaeda, até porque o Corão, que é a bíblia muçulmana, não autoriza o uso da violência."
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
ghbrito@hotmail.com
Recife, PE

 

Fundamentalismo

Lamentável a posição da Igreja Católica em relação ao conflito entre os EUA e o Afeganistão. Sou católico e desde criança minha religião ensinou que deveríamos perdoar e entender nossos irmãos. A atual posição da Igreja está muito longe desses ensinamentos, e não consigo compreender as declarações do papa apoiando o ataque ao Afeganistão, um povo tão pobre e sofrido. Acreditava nos ensinamentos das religiões como única forma de combater a violência, porém nem mesmo essa alternativa nos resta para pacificar o planeta. Não compactuo com o terrorismo, mas não posso aceitar a passividade da Igreja Católica, permitindo a morte de inocentes numa guerra inócua ("Fé cega e mortal", 10 de outubro).
Carlos R. Brixius
Xanxerê, SC

Como não considerar atrasado um povo que em nome da religião professada cultiva a ignorância, proibindo as mulheres de freqüentar escolas? Como igualar à ocidental uma civilização em que mulheres são apedrejadas, espancadas e até mesmo executadas por meras suspeitas de "transgressão" ao Corão? Como considerar civilizado um povo que, em pleno século XXI, proíbe suas mulheres de trabalhar, obrigando-as a ser eternamente dependentes, condenando-as à miséria e à fome quando enviúvam ou se divorciam?
Joana Simas de Oliveira Scarparo
Mogi das Cruzes, SP

Penso que todas as pessoas com senso de coerência devem condenar os atos terroristas movidos contra os EUA em setembro último, independentemente dos eventuais motivos que lhes possam servir de justificativa. Torna-se inadmissível que indivíduos que se dizem tementes a Deus possam acreditar que um criador justo e austero veria com bons olhos o genocídio empreendido nos ataques em questão. Vejo com profunda tristeza, contudo, a parcialidade com que os meios de comunicação brasileiros têm conduzido as reportagens a respeito desse assunto. Faz-se necessária análise mais isenta acerca dos islâmicos, que representam um quinto da população mundial.
Marcos Souza Mendes de Queiroz
Rio de Janeiro, RJ

Fiquei surpreso com a reportagem "Nasce uma nova geração" (10 de outubro), na última edição de VEJA. Estudando no MIT e morando em Boston há mais de um ano, presenciei diversas manifestações estudantis (algumas brutalmente reprimidas pela polícia) pela democracia nas eleições presidenciais e, agora, contra a guerra. Se os estudantes não queimam mais bandeiras, é porque preferem manifestar-se pacificamente. Se lamentam os mortos de 11 de setembro, é por solidariedade, e não por pragmatismo.
Paulo Blikstein
Cambridge, MA, EUA

VEJA publicou que os ensinamentos de Maomé trazem regras tão detalhistas como a obrigação de cortar as unhas começando pelo dedo mínimo da mão direita e terminando no polegar ("O mundo do Islã", 26 de setembro). Esclareço que não há nada no Corão sobre isso. Também não há a respeito nenhuma hadith (ditos e atos do profeta, que devem ser seguidos como exemplos). O máximo é uma recomendação genérica sobre hábitos de higiene, como aparar o bigode e os pêlos do corpo, fazer a circuncisão e, claro, manter as unhas cortadas, hábitos seguidos por todo ser humano civilizado. Lembro ainda que estes ensinamentos básicos se encontram também na Torá e no Talmude, do judaísmo, e em inúmeros ensinamentos de santos da Igreja Católica. Em síntese, ensinar hábitos de higiene não é um privilégio exclusivo dos muçulmanos. E fiquem todos tranqüilos: todos são livres, até para cortar as unhas na ordem e no sentido que quiserem.
Nadim Dalhabe
Rio de Janeiro, RJ

Li cuidadosamente a entrevista com John Keegan (Amarelas, 3 de outubro). Chamou-me a atenção sua posição quanto a "prisão, julgamento e execução" de Osama bin Laden. Não ficou claro se o processo deve ser conduzido exatamente nessa seqüência, ou se isso é apenas um detalhe de menor importância, visto que o julgamento parece que já foi feito. Por outro lado, ao final da entrevista, a dúvida se desfaz, quando o entrevistado propõe limitar (ou, quem sabe, "arranhar"?) as liberdades civis, e explicita que o modelo a ser seguido é o das memoráveis ditaduras militares de Argentina, Uruguai e Chile. Com isso tudo, onde vamos parar? Se ficar, o terrorista pega. Se correr, as "forças de segurança" comem!
Ronaldo L. N. Pinheiro
Curitiba, PR

Excelente a entrevista do historiador John Keegan. Discordo quando pensa ainda como nossos ancestrais, dente por dente, olho por olho. Onde já se viu em toda a história do homem uma guerra racional!
Isaac Soares de Lima
Maceió, AL

 

Christopher Reeve

Quando o ex-ator de Hollywood Christopher Reeve, em entrevista à VEJA (Amarelas, 10 de outubro), disse "Gosto de me sentar próximo à janela de casa para observar os pássaros no céu e as árvores", veio logo a minha mente a pergunta: será que nós, humanos, temos de sofrer algum tipo de tragédia pessoal para passar a dar valor às mínimas porém belas coisas que a natureza nos oferece a cada segundo? Que a excelente entrevista de VEJA com o senhor Reeve conduza as pessoas a momentos de reflexão e as guie no sentido de viver intensamente o aqui e agora.
Edson Ferreira do Nascimento
Ribeirão Preto, SP

Um exemplo de superação e perseverança, o ator Christopher Reeve. Uma figura cativante e de grande carisma. Se as pessoas valorizassem a vida e acreditassem num futuro melhor, como Reeve, seguramente não estaríamos vivendo este momento de tensão mundial.
Hugo Lins B. Coelho
Recife, PE

Gostei muito da entrevista com o "super-homem", não aquele que costumávamos ver nos filmes de Hollywood, mas o que VEJA mostrou nas Páginas Amarelas. O ator vem-se mostrando um verdadeiro super-homem na luta pela vida. VEJA está de parabéns por realizar essa entrevista, com perguntas competentes e compartilhando o sofrimento de Christopher Reeve com seus leitores.
Francisco Araújo Jr.
drjunior.araujo@globo.com

 

Diogo Mainardi

A propósito do artigo "Melhor mandar chumbo" (3 de outubro), dirijo-me a VEJA para repudiar com veemência o trecho em que se diz que "nossos militares só fariam confusão. Eles são ruins de guerra" para, num epílogo lamentável, pregar a dissolução de nossas Forças Armadas. As referências à tortura e à censura, por injuriosas e impertinentes, nem merecem comentários. Não custa lembrar que o Exército brasileiro – e as forças co-irmãs – se cobriram de glórias durante a II Guerra Mundial, tendo sua participação reconhecida internacionalmente pela bravura e pela competência do soldado brasileiro demonstradas nos campos de batalha da Itália. Recentemente, nossos militares vêm-se destacando no cumprimento de missões de paz em várias partes do mundo. Não obstante a carência de meios sofisticados de combate, em relação às forças dos países mais desenvolvidos, o Exército brasileiro não tem faltado à nação nos momentos de dificuldades.
Luiz Cesário da Silveira Filho
General de divisão
Chefe do Centro de Comunicação Social do Exército
Brasília, DF

Há tempos não lia uma matéria corajosa como a da edição de 3 de outubro. Parabéns ao autor e à revista.
Ricardo Resende
Teresina, PI

 

CPI das Obras Inacabadas

Em relação à reportagem sobre a CPI das Obras Inacabadas ("Faltaram os nomes", 3 de outubro), venho esclarecer que o requerimento para sua prorrogação foi rejeitado pelo voto dos líderes de todos os partidos na Câmara, tanto da base governista quanto da oposição, pelo fato de aquela comissão ter-se desvirtuado das finalidades determinadas no requerimento de sua criação.
Jutahy Magalhães Júnior
Líder do PSDB na Câmara dos Deputados
Brasília, DF

A respeito da reportagem, quero informar que a Ductor Implantação de Projetos S.A. é apenas uma das três integrantes de um consórcio, juntamente com duas outras empresas de engenharia especializadas em instrumentação de túneis e em controle tecnológico, ao qual cabe a supervisão das obras de um trecho de 4,8 quilômetros do ramo Oeste do Rodoanel, que tem 32 quilômetros de extensão.
Mario Mariotto
Diretor-presidente
São Paulo, SP

 

Ambiente

A pesquisa que mostrou a Reserva Extrativista do Alto Juruá, no Acre, área de biodiversidade máxima, habitada por uma população tradicional, foi conduzida por várias instituições brasileiras em conjunto. Principalmente a USP, a Unicamp e a Ufac ("Onde há mais vida", 20 de junho). Fui a única pessoa nominalmente citada na reportagem de VEJA a respeito desse trabalho, e a única instituição a que se fez referência foi a Universidade de Chicago, onde atualmente sou professora, o que pode dar a falsa impressão de que se tratou de pesquisa daquela instituição. Foi como professora da USP que a coordenei, juntamente com os professores Keith Brown Jr. e Mauro Barbosa de Almeida, ambos da Unicamp. Além disso, a reserva extrativista é erroneamente identificada na legenda do mapa como "região do Alto Juruá", e uma área indígena, a dos Ashaninka do Rio Amônea, aparece confundida com o Parque Nacional da Serra do Divisor. A reportagem cita texto inédito do professor Keith Brown Jr., da Unicamp, sem sequer mencioná-lo. Também não credita as extensas entrevistas com o professor Mauro Almeida e com o professor Moisés Barbosa, da Ufac, que só foi mencionado como autor de uma foto.
Manuela Carneiro da Cunha
São Paulo, SP

 

Aviação

Na reportagem "O Sivam decolou" (29 de agosto), a foto no canto inferior direito não é de São José dos Campos, como indica a legenda, mas sim de Guaratinguetá, no Estado de São Paulo.
Orlando Egreja Neto
oegreja@ig.com.br

 

VENCENDO BARREIRAS


Risso: equipamento adaptado

VEJA sempre abriu espaço para falar do acesso ao mercado de trabalho pelos deficientes. Já no artigo "Queremos avançar de mãos dadas" (Ponto de vista, 14 de abril de 1982), Leonardo José de Mattos dizia: "Em vez de filantropia, reivindicamos as oportunidades de trabalho que não temos". No quadro "Deficientes no mercado de trabalho" (Cartas, 14 de março de 2001), a revista contou a história do técnico em mecânica William (long_island@zipmail.com.br), que perdeu parcialmente a audição. Há duas semanas, VEJA recebeu o relato da grande conquista de um leitor de 29 anos que, depois de ter ficado tetraplégico, ao ser baleado durante um assalto, deu a volta por cima e partiu para o mercado de trabalho. Robson Risso (bissos@uol.com.br), o leitor, superou as barreiras da deficiência e hoje, mesmo sem mover braços nem pernas, navega com equipamento adaptado na internet, onde criou um site. Ele ajuda outros deficientes, esclarecendo suas dúvidas sobre como usar o micro sendo tetraplégico. Robson deseja trabalhar com sites. "Quero transformar o que aprepara o mercado de trabalho. Robson Risso (bissos@uol.com.br), o leitor, superou as barreiras da deficiência e hoje, mesmo sem mover braços nem pernas, navega com equipamento adaptado na internet, onde criou um site. Ele ajuda outros deficientes, esclarecendo suas dúvidas sobre como usar o micro sendo tetraplégico. Robson deseja trabalhar com sites. "Quero transformar o que aprendi em trabalho e, claro, ganhar com isso. Não tenho experiência profissional ainda, mas confio em minha criatividade." Uma mostra de seu trabalho está no site Bisso's Page.

 




 
 
   
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