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Edição 1 722 - 17 de outubro de 2001
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O horror ao mérito

Wilton Junior/AE
Professores universitários em greve: semestre perdido

Há dois meses está paralisada por uma greve política de professores a mais preciosa máquina de formação de capital humano no país, aquela constituída pelas universidades federais. Muito provavelmente será perdido o semestre letivo de 440.000 alunos. Também terá de ser cancelado o exame vestibular de 1 milhão de candidatos ao ensino superior, caso o Ministério da Educação não encontre uma saída jurídica para realizar as provas fora das universidades. A greve das federais é abusiva em sua essência. Seus objetivos vão muito além das exigências de reposição salarial e de mais verbas para o ensino. O que os donos do movimento querem é alavancar sua ideologia extremista, usando como massa de manobra professores e alunos. Mostra disso é que, mesmo depois de atendidas suas principais reivindicações por parte do governo, os líderes grevistas continuaram em pé de guerra. Desta vez, a Justiça, tão cordata com funcionários federais grevistas em outras ocasiões, reconheceu a natureza destrutiva da mobilização nas escolas superiores. Numa decisão louvável, o Supremo Tribunal Federal (STF) referendou a decisão do governo de suspender o salário dos faltosos.

Na entrevista das Páginas Amarelas que VEJA publica nesta edição, José Henrique Vilhena, reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, faz um desabafo: "Existe hoje uma espécie de greve permanente nas universidades federais. Todas as propostas de mudança são barradas". O reitor está coberto de razão. A virulência dos grevistas ignora o imenso esforço feito nos últimos anos pelo Ministério da Educação e por toda a sociedade brasileira para melhorar o desempenho de sua universidade pública. Especialmente no que diz respeito ao avanço da meritocracia, que premia quem produz mais e trabalha melhor. Além de claros interesses corporativistas e partidários, sobrenada da ação dos grevistas das universidades a aversão aos mecanismos de avaliação e premiação de desempenho, como o Provão e a gratificação de estímulo à docência (GED). Fazem assim uma desastrada opção preferencial pela mediocridade e ineficiência.

 
 
   
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