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O
horror ao mérito
Wilton Junior/AE
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| Professores
universitários em greve: semestre perdido |
Há
dois meses está paralisada por uma greve política de professores
a mais preciosa máquina de formação de capital humano
no país, aquela constituída pelas universidades federais.
Muito provavelmente será perdido o semestre letivo de 440.000 alunos.
Também terá de ser cancelado o exame vestibular de 1 milhão
de candidatos ao ensino superior, caso o Ministério da Educação
não encontre uma saída jurídica para realizar as
provas fora das universidades. A greve das federais é abusiva em
sua essência. Seus objetivos vão muito além das exigências
de reposição salarial e de mais verbas para o ensino. O
que os donos do movimento querem é alavancar sua ideologia extremista,
usando como massa de manobra professores e alunos. Mostra disso é
que, mesmo depois de atendidas suas principais reivindicações
por parte do governo, os líderes grevistas continuaram em pé
de guerra. Desta vez, a Justiça, tão cordata com funcionários
federais grevistas em outras ocasiões, reconheceu a natureza destrutiva
da mobilização nas escolas superiores. Numa decisão
louvável, o Supremo Tribunal Federal (STF) referendou a decisão
do governo de suspender o salário dos faltosos.
Na entrevista das Páginas
Amarelas que VEJA publica nesta edição, José
Henrique Vilhena, reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, faz
um desabafo: "Existe hoje uma espécie de greve permanente nas universidades
federais. Todas as propostas de mudança são barradas". O
reitor está coberto de razão. A virulência dos grevistas
ignora o imenso esforço feito nos últimos anos pelo Ministério
da Educação e por toda a sociedade brasileira para melhorar
o desempenho de sua universidade pública. Especialmente no que
diz respeito ao avanço da meritocracia, que premia quem produz
mais e trabalha melhor. Além de claros interesses corporativistas
e partidários, sobrenada da ação dos grevistas das
universidades a aversão aos mecanismos de avaliação
e premiação de desempenho, como o Provão e a gratificação
de estímulo à docência (GED). Fazem assim uma desastrada
opção preferencial pela mediocridade e ineficiência.
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