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Cinema Mostra em São Paulo reúne
vinte filmes
Ao contrário das três edições anteriores, que só focaram produções contemporâneas, a Semana Pirelli de Cinema Italiano exibe desta vez, além de seis filmes novos e inéditos, catorze pérolas realizadas entre 1964 e 1998 esse núcleo, em comemoração aos 40 anos de VEJA. A produção cinematográfica italiana teve dois grandes apogeus: após a II Guerra, com o início do neo-realismo, e nas décadas de 60 e 70, com o cinema político, do qual vieram obras contundentes dirigidas por, entre outros, Giuliano Montaldo, Damiano Damiani, Gillo Pontecorvo (A Batalha de Argel) e Elio Petri (A Classe Operária Vai ao Paraíso). Montaldo marca presença na retrospectiva com o emblemático Giordano Bruno, sobre o filósofo queimado na fogueira da Inquisição em 1600. O papel principal coube ao ator Gian Maria Volontè (1933-1994), que ficou marcado como a "cara" do cinema político. Também de Montaldo será exibido O Brinquedo Proibido, de 1979. Já Damiani está por trás de Só Resta Esquecer, a terceira das quatro parcerias feitas com o então galã Franco Nero. Contam pontos a favor dessa revisão do passado cinematográfico italiano a escolha por títulos que não atingiram a aura de cult e cineastas que não viraram, assim, uma celebridade. Fellini, Antonioni e Visconti e fitas oscarizadas como Cinema Paradiso e A Vida É Bela cederam espaço para dois grandes momentos de Ettore Scola (Nós que Nos Amávamos Tanto e Um Dia Muito Especial) e para a revisão de Mario Monicelli do movimento estudantil de 1968 em Caro Michele. Bernardo Bertolucci, que levou o Oscar em 1988 por O Último Imperador, está representado por duas obras-chave o ainda polêmico O Último Tango em Paris (1972), que foi censurado no Brasil, e Antes da Revolução, seu segundo longa-metragem. Ver uma seleção antológica como essa na tela grande (a maioria dos títulos está inédita em DVD) é, portanto, mais do que uma oportunidade rara.
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