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Edição 2078

17 de setembro de 2008
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Felipe Patury


• Esse crédito é um prêmio

Beto Barata/AE


O governo já tem um esboço do projeto com o qual pretende ressuscitar o crédito-prêmio do imposto sobre produtos industrializados (IPI), uma benesse que pode custar até 20 bilhões de reais aos cofres públicos. O crédito-prêmio era um benefício fiscal que foi extinto em 1983 e permitia que as empresas fossem ressarcidas pelo IPI recolhido sobre produtos exportados. A idéia é que a União estenda retroativamente a vantagem de 1983 até 2002. Os exportadores receberiam 50% do valor acumulado nesse período. Em troca, abdicariam das demandas judiciais sobre o imposto – nas quais, aliás, acumulam derrotas. O acerto está sendo costurado com a anuência do ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo seu secretário executivo, Nelson Machado, e pelo procurador da Fazenda Nacional, Luis Inácio Adams.

 

• O inferno de Dantas

Ana Araujo


O financista Daniel Dantas, do Opportunity, deixa um rastro de devastação por onde passa. No mês passado, o Ibama aplicou uma multa de 16 milhões de reais na Agropecuária Santa Bárbara, a empresa que ele montou para explorar a criação de gado. Os fiscais descobriram que Dantas desmatou ilegalmente mais de 32 quilômetros quadrados no município de Santana do Araguaia, no sul do Pará. Seus advogados tentam jogar a culpa no antigo proprietário.

 

• Ele cortou os verdes

Jamil Bittar/Reuters


O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, passou uma motosserra nos ongueiros que dominaram a pasta durante a gestão de sua antecessora, Marina Silva. O ex-secretário executivo João Paulo Capobianco era ligado à SOS Mata Atlântica. A ex-secretária da Qualidade Ambiental Thelma Krug, à SBPC. Hamilton Pereira, que ocupava a Secretaria de Articulação Institucional, representava os movimentos sociais do PT. Outro petista, Luciano Zica, respondia pela Secretaria de Recursos Hídricos. O ex-diretor de Combate ao Desmatamento André Lima pertence ao ISA. Os ceifados foram substituídos por técnicos de carreira.

 

• Os planos de Renan

Dida Sampaio/AE


O senador Renan Calheiros (PMDB) sonha voltar ao centro da cena política como governador de Alagoas. Embora as pesquisas de opinião indiquem que ele tem apenas entre 3% e 4% de intenções de voto, Renan garante que não desistirá de se candidatar à sucessão do tucano Teotônio Vilela. Pavimenta sua campanha com os movimentos dúbios de sempre. Deixou de apoiar Teotônio, mas não entrou na oposição. Fez isso apenas para não se tornar alvo do PT, que disputa o poder com o governador. Depois, fechou uma aliança com o ex-presidente Fernando Collor, a quem ajudou a derrubar em 1992. Apesar do acordo, Collor considera que a chance de vitória de Renan é remota. Depende da fidelidade dos prefeitos para os quais transferiu verbas enquanto ocupou a presidência do Senado.

 

 

Tropa de Elite II pede para sair

Divulgação


Os cineastas José Padilha e Marcos Prado planejam rodar a seqüência de Tropa de Elite. A idéia é jogar o conflito entre policiais sérios e corruptos para a esfera do poder político. No novo filme, o capitão Nascimento estaria grisalho, teria 48 anos e seria promovido a secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Sua missão: acabar com a infiltração do crime na estrutura policial. O projeto só será levado adiante, no entanto, se o ator Wagner Moura, que encarnou o capitão Nascimento no primeiro filme, topar fazer a continuação. Moura está em dúvida por temer que o personagem estigmatize sua carreira. Do ponto de vista financeiro, não há dificuldade: a simples menção do projeto já estimulou empresas a patrociná-lo.

 



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