Edição 1820 . 17 de setembro de 2003

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DVDs

Disco Inferno, vários intérpretes (Indie) – A disco music foi recebida pela crítica dos anos 70 como um movimento descartável, com artistas de qualidade duvidosa, que se vestiam como se estivessem num desfile a fantasia do Hotel Glória. Em retrospecto, nota-se que muitos astros do período tinham mais qualidade do que a maioria dos astros pop de hoje. Uma prova do talento dessa patota está nessa compilação, que traz 21 clipes tirados de dois programas da televisão alemã. Village People, Chic e Kool & the Gang, entre outros grupos, mostram que as canções eram forradas com arranjos bem urdidos e que elas resistiram ao tempo. É curioso observar também que certos hits perderam a aura de ingenuidade com o tempo. É o caso de YMCA, do Village People, na verdade um convite à ferveção gay.


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O Assalto ao Trem Pagador:
brasileiro de ótima safra


O Assalto ao Trem Pagador
(Brasil, 1962. Funarte) – Um bando armado assalta um trem da Central do Brasil e, pela perícia do plano, leva a polícia a acreditar que se trata de uma quadrilha internacional. Aí é que vem a parte mais difícil: não torrar o butim para não chamar a atenção dos investigadores, e não sucumbir às rixas internas. Em cópia lindamente restaurada e lançado aqui numa edição repleta de extras, o filme do diretor Roberto Farias (irmão de Reginaldo Faria, que interpreta um dos bandidos) continua notável pela concisão, ritmo e mão firme na condução da história (inspirada num caso real ocorrido dois anos antes, em 1960). Uma bela amostra do casamento entre o gênero policial e o conteúdo social, tão em voga na década de 60.

 

LIVROS

Os Melhores Contos Portugueses do Século XIX (Landy; 346 páginas; 40 reais) – O século XIX produziu alguns dos maiores nomes da literatura portuguesa, como Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz. Ao organizar essa coletânea, o escritor José Viale Moutinho não se esquece deles. A prosa histórica de Herculano está representada em O Bispo Negro. Queiroz, o maior dos realistas portugueses, comparece com O Tesouro, em que três irmãos se digladiam por ouro. Do melancólico Castelo Branco há Aquela Casa Triste..., que começa assim: "A casa grande das quinze janelas branqueja no espinhaço do monte. As janelas fecharam-se há seis meses, ao mesmo tempo que duas sepulturas se abriram". O antologista também garimpou obras menos conhecidas, como um curioso conto fantástico de Júlio César Machado. Leia trecho do livro.

A Jangada, de Júlio Verne (tradução de Maria Alice Araripe de Sampaio Dória; Planeta; 372 páginas; 38 reais) – Perto de clássicos como A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, A Jangada é um livro quase desconhecido na obra do francês Júlio Verne (1828-1905), um dos pais da ficção científica. Mas nem por isso é menos interessante – em especial para os brasileiros, já que a história se passa na Amazônia. O livro, que estava disponível apenas numa versão infanto-juvenil, agora ganha nova tradução, acrescida das ilustrações originais. A trama é imaginosa: os protagonistas viajam do Peru até Belém, pelo Rio Amazonas, num barco gigantesco. Aos olhos atuais, o modo como Verne fala dos índios e defende a exploração da floresta soa às vezes bizarro e politicamente incorreto. Mas esses detalhes só tornam a leitura mais curiosa.

 

TELEVISÃO

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Loucos por Cinema: e põe
louco nisso...


Loucos por Cinema
(terça-feira, à meia-noite, no Cinemax) – Imagine alguém tão viciado em cinema que aboliu verduras e fibras de sua dieta com o objetivo de não estimular o bom funcionamento do intestino – pois isso prejudicaria sua rotina de cinco sessões por dia. Ou, então, alguém que sabe exatamente a duração de cada filme a que assistiu – num total, veja bem, que chega a milhares de títulos. Alguém, por fim, capaz de tentar estrangular a moça da bilheteria se ela, sem querer, fizer uma rasura no canhoto de seu ingresso. Ao menos em Nova York, pessoas assim existem. É o que mostra esse documentário que fica entre o divertido e o angustiante, uma co-produção de alemães e americanos que traça o perfil de cinco cinéfilos da cidade.

 

CDs

 
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Raveonettes: como nos anos 50  

Chain Gang of Love, The Raveonettes (Sony Music) – Os dinamarqueses Sharin Foo (baixo e vocais) e Sune Rose Wagner (guitarra e vocais) parecem saídos do set de O Selvagem, aquela produção dos anos 50 que consagrou Marlon Brando. Eles trajam casacos de couro e posam empinando motos envenenadas. O estilo sonoro vai pelo mesmo caminho: a dupla emula as melodias inocentes dos primeiros anos do rock'n'roll, turbinadas por guitarras distorcidas. Outro fator que torna saborosa a audição do CD está no estilo de Sune Rose. Principal compositora dos Raveonettes e com um leque de influências que vai de Bob Dylan à música indiana, ela é também dona de uma voz sensual. Em Remember, por exemplo, Rose canta como se estivesse sussurrando a letra no ouvido de algum felizardo.

On This Day... At the Vanguard, Joe Lovano (EMI) – O saxofonista americano Joe Lovano burilou seu estilo a partir de duas escolas musicais distintas. A primeira foi caseira. Joe é filho do saxofonista Joe Big T Lovano e passou a infância assistindo aos duetos do pai com músicos da estirpe de Dizzy Gillespie. Mais tarde, ele ingressou na Berklee School of Music, onde se aprofundou no experimentalismo de nomes como John Coltrane e Sonny Rollins. Ambos os estilos marcam presença neste On This Day. Acompanhado por uma banda de nove instrumentistas, Joe interpreta temas de sua autoria e standards de Coltrane (a belíssima After the Rain) e do repertório de Duke Ellington (My Little Brown Book). A faceta mais experimental (e menos acessível) da obra de Joe Lovano está representada pela faixa-título, um exercício de solos e improvisações de mais de quinze minutos de duração.

 

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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