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VEJA
Recomenda
DVDs
Disco
Inferno, vários intérpretes (Indie)
A disco music foi recebida pela crítica dos anos 70 como
um movimento descartável, com artistas de qualidade duvidosa,
que se vestiam como se estivessem num desfile a fantasia do Hotel
Glória. Em retrospecto, nota-se que muitos astros do período
tinham mais qualidade do que a maioria dos astros pop de hoje. Uma
prova do talento dessa patota está nessa compilação,
que traz 21 clipes tirados de dois programas da televisão
alemã. Village People, Chic e Kool & the Gang, entre
outros grupos, mostram que as canções eram forradas
com arranjos bem urdidos e que elas resistiram ao tempo. É
curioso observar também que certos hits perderam a aura de
ingenuidade com o tempo. É o caso de YMCA, do Village
People, na verdade um convite à ferveção gay.
Divulgação
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O
Assalto ao Trem Pagador:
brasileiro de ótima
safra |
O Assalto ao Trem Pagador (Brasil, 1962. Funarte)
Um bando armado assalta um trem da Central do Brasil e, pela perícia
do plano, leva a polícia a acreditar que se trata de uma
quadrilha internacional. Aí é que vem a parte mais
difícil: não torrar o butim para não chamar
a atenção dos investigadores, e não sucumbir
às rixas internas. Em cópia lindamente restaurada
e lançado aqui numa edição repleta de extras,
o filme do diretor Roberto Farias (irmão de Reginaldo Faria,
que interpreta um dos bandidos) continua notável pela concisão,
ritmo e mão firme na condução da história
(inspirada num caso real ocorrido dois anos antes, em 1960). Uma
bela amostra do casamento entre o gênero policial e o conteúdo
social, tão em voga na década de 60.
LIVROS
Os
Melhores Contos Portugueses do Século XIX (Landy; 346
páginas; 40 reais) O século XIX produziu alguns
dos maiores nomes da literatura portuguesa, como Alexandre Herculano,
Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz. Ao organizar essa coletânea,
o escritor José Viale Moutinho não se esquece deles.
A prosa histórica de Herculano está representada em
O Bispo Negro. Queiroz, o maior dos realistas portugueses,
comparece com O Tesouro, em que três irmãos se
digladiam por ouro. Do melancólico Castelo Branco há
Aquela Casa Triste..., que começa assim: "A casa grande
das quinze janelas branqueja no espinhaço do monte. As janelas
fecharam-se há seis meses, ao mesmo tempo que duas sepulturas
se abriram". O antologista também garimpou obras menos conhecidas,
como um curioso conto fantástico de Júlio César
Machado. Leia
trecho do livro.
A
Jangada, de Júlio Verne (tradução de
Maria Alice Araripe de Sampaio Dória; Planeta; 372 páginas;
38 reais) Perto de clássicos como A Volta ao Mundo
em Oitenta Dias, A Jangada é um livro quase desconhecido
na obra do francês Júlio Verne (1828-1905), um dos
pais da ficção científica. Mas nem por isso
é menos interessante em especial para os brasileiros,
já que a história se passa na Amazônia. O livro,
que estava disponível apenas numa versão infanto-juvenil,
agora ganha nova tradução, acrescida das ilustrações
originais. A trama é imaginosa: os protagonistas viajam do
Peru até Belém, pelo Rio Amazonas, num barco gigantesco.
Aos olhos atuais, o modo como Verne fala dos índios e defende
a exploração da floresta soa às vezes bizarro
e politicamente incorreto. Mas esses detalhes só tornam a
leitura mais curiosa.
TELEVISÃO
Divulgação
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Loucos
por Cinema: e põe
louco nisso... |
Loucos por Cinema (terça-feira, à meia-noite,
no Cinemax) Imagine alguém tão viciado em cinema
que aboliu verduras e fibras de sua dieta com o objetivo de não
estimular o bom funcionamento do intestino pois isso prejudicaria
sua rotina de cinco sessões por dia. Ou, então, alguém
que sabe exatamente a duração de cada filme a que
assistiu num total, veja bem, que chega a milhares de títulos.
Alguém, por fim, capaz de tentar estrangular a moça
da bilheteria se ela, sem querer, fizer uma rasura no canhoto de
seu ingresso. Ao menos em Nova York, pessoas assim existem. É
o que mostra esse documentário que fica entre o divertido
e o angustiante, uma co-produção de alemães
e americanos que traça o perfil de cinco cinéfilos
da cidade.
CDs
Divulgação
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| Raveonettes:
como nos anos 50 |
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Chain
Gang of Love, The Raveonettes (Sony Music) Os dinamarqueses
Sharin Foo (baixo e vocais) e Sune Rose Wagner (guitarra e vocais)
parecem saídos do set de O Selvagem, aquela produção
dos anos 50 que consagrou Marlon Brando. Eles trajam casacos de
couro e posam empinando motos envenenadas. O estilo sonoro vai pelo
mesmo caminho: a dupla emula as melodias inocentes dos primeiros
anos do rock'n'roll, turbinadas por guitarras distorcidas. Outro
fator que torna saborosa a audição do CD está
no estilo de Sune Rose. Principal compositora dos Raveonettes e
com um leque de influências que vai de Bob Dylan à
música indiana, ela é também dona de uma voz
sensual. Em Remember, por exemplo, Rose canta como se estivesse
sussurrando a letra no ouvido de algum felizardo.
On
This Day... At the Vanguard, Joe Lovano (EMI) O saxofonista
americano Joe Lovano burilou seu estilo a partir de duas escolas
musicais distintas. A primeira foi caseira. Joe é filho do
saxofonista Joe Big T Lovano e passou a infância assistindo
aos duetos do pai com músicos da estirpe de Dizzy Gillespie.
Mais tarde, ele ingressou na Berklee School of Music, onde se aprofundou
no experimentalismo de nomes como John Coltrane e Sonny Rollins.
Ambos os estilos marcam presença neste On This Day.
Acompanhado por uma banda de nove instrumentistas, Joe interpreta
temas de sua autoria e standards de Coltrane (a belíssima
After the Rain) e do repertório de Duke Ellington
(My Little Brown Book). A faceta mais experimental (e menos
acessível) da obra de Joe Lovano está representada
pela faixa-título, um exercício de solos e improvisações
de mais de quinze minutos de duração.
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