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Música
A
Heloísa Helena do
rock
Chrissie Hynde, a líder dos Pretenders,
adora um protesto. Mas seu radicalismo
já não é o mesmo

Sérgio
Martins
A
cantora e guitarrista americana Chrissie Hynde adora armar um barraco.
Vegetariana radical, daquelas que se recusam a comer legumes cozidos
em panelas "contaminadas" por carne, ela costuma organizar protestos
contra empresas que acredita dispensarem tratamento cruel aos animais.
Seu primeiro grande alvo foram as redes de fast food. Nos anos 80,
ela disse num congresso de vegetarianos que gostaria de bombardear
as lojas do McDonald's. Dias depois, um meliante tomou a bravata
ao pé da letra e jogou uma bomba numa filial da rede, em
Londres. A cantora teve de assinar uma retratação
para escapar da cadeia. Recentemente, ela participou de protestos
contra a KFC. Enquanto bradava palavras de ordem diante da lanchonete,
em Paris, ouviu insultos do gerente e tomou safanões da polícia.
Outra cruzada sua foi contra a Gap. Chrissie acusa a confecção
de comprar couro no mercado negro asiático. "Eles colocam
pimenta nos olhos dos bichinhos para que morram mais rápido.
Tenho tudo registrado em vídeo", denuncia. Há três
anos, uma turba liderada pela cantora invadiu e quebrou as vidraças
de uma Gap em Nova York. Ela foi presa e pagou fiança de
1 000 dólares. Chrissie é, em suma, a versão
roqueira de Heloísa Helena. Como a senadora alagoana, que
certa vez ameaçou o ex-ministro José Serra com uma
espátula de abrir cartas, Chrissie recorre a métodos
heterodoxos para defender seus pontos de vista. Quando não
está dando vazão a seu radicalismo ecológico,
ela brinda o público com verdadeiras aulas de rock. A cantora
e seu grupo, os Pretenders, irão se apresentar no dia 23
em São Paulo e no dia 26 em Brasília. No repertório,
as canções mais significativas dos 25 anos de carreira
do grupo, além dos dois últimos lançamentos
dos Pretenders, que chegam nesta semana ao Brasil o CD Loose
Screw e o DVD Loose in LA.
Chrissie,
de 52 anos, nasceu no Estado americano de Ohio. Na adolescência,
ela tomou duas decisões que iriam mudar sua vida. A primeira
foi abolir a carne do cardápio. "É o segredo de ser
uma cinqüentona de corpinho esbelto", orgulha-se. A outra foi
mudar-se para Londres. A cantora chegou à cidade nos anos
70, durante a explosão do movimento punk. Trabalhou como
garçonete, vendedora e jornalista até criar os Pretenders,
em 1978. Além de se tornar um dos ícones do período,
a banda consolidou a imagem de Chrissie como uma das personalidades
mais fortes da história do rock. Ela superou a morte de dois
músicos por overdose de drogas, três casamentos fracassados
e interrompeu as turnês do grupo por quase uma década
para ficar perto das filhas hoje com 20 e 18 anos.
Na
vida pessoal, Chrissie é menos durona do que aparenta. Recém-separada
do terceiro marido, o escultor colombiano Lucho Brieva, ela assume
o fracasso da relação. "Sou carinhosa, mas tenho o
dom de destruir meus casamentos." Algumas atitudes mais radicais
têm sido revistas. Por exemplo, a de discriminar modelos e
artistas que usem casacos de pele. "Conheci Kate Moss no casamento
de Paul McCartney e nos demos muito bem. Até duetamos num
karaokê", diz. "Não é porque ela veste pele
em desfiles que tenho de destratá-la." A polidez de Hynde
tem razões íntimas. Sua filha Natalie está
se iniciando como modelo e certamente terá de se defrontar
com casacos de pele. Mas que ninguém pense que Chrissie um
dia deixará de lado a irreverência, uma de suas principais
qualidades. "Quero outro amante latino. Se Marilyn Monroe tivesse
provado um, como eu, ela nunca cantaria aquela besteira de que os
diamantes são os melhores companheiros das mulheres."
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