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Ministério
O
governo de oposição
Ministros
de Estado se comportam como
se pertencessem à bancada do contra
O Brasil
já teve um presidente de oposição, que muitas
vezes não apoiava seu próprio governo. Itamar Franco
falava em "abrir a caixa-preta" do Banco Central e pressionava o
Ministério da Fazenda a produzir um milagre capaz de liquidar
a inflação. Neste sentido, não se pode criticar
o comportamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em público, Lula defende das críticas a equipe que
escolheu para auxiliá-lo e dedica palavras de estímulo
até àqueles dos quais planeja se livrar na reforma
ministerial, prevista para o mês que vem. Infelizmente não
se pode dizer o mesmo a respeito de uma parte de seus aliados.
Os
primeiros aliados a se comportar como oposicionistas foram os chamados
radicais petistas, bancada liderada pela senadora Heloísa
Helena e pelos deputados Babá e Luciana Genro. O trio comandou
as principais manifestações contrárias aos
interesses do Palácio do Planalto e perturbou as votações
no Congresso Nacional. Passado o incômodo inicial, os radicais
começaram a ser ignorados ou tratados como personagens folclóricos.
A novidade do momento é o surgimento dos ministros de oposição.
O pioneiro nesse campo foi o ministro Miro Teixeira, das Comunicações,
que há dois meses se revoltou em público contra um
acordo tarifário abençoado pessoalmente pelo presidente
Lula e recomendou aos consumidores que procurassem a Justiça
para evitar o aumento nos telefones. Na semana passada, Miro voltou
a pregar, dessa vez durante manifestação promovida
por grevistas dos Correios em frente a seu ministério. Subiu
num caminhão de som, pegou o microfone e, ao lado de Babá,
discursou contra a privatização da companhia e a favor
dos funcionários em greve. Outro ministro que se comportou
de forma semelhante foi Cristovam Buarque, da Educação.
Durante encontro com estudantes, na última semana, sugeriu
aos alunos que fizessem uma passeata para pressionar o governo por
mais verbas para sua pasta.
Lula
se vê numa situação inédita na política,
que parece estar se reinventando. Nas principais votações
no Congresso, integrantes do PT se posicionaram contra a orientação
do Planalto. E uma parte dos parlamentares do PSDB e do PFL apoiou
os interesses do governo. Ou seja, o Brasil está sendo apresentado
aos situacionistas de oposição e aos oposicionistas
da situação. Confuso, não?
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