Edição 1820 . 17 de setembro de 2003

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Ministério
O governo de oposição

Ministros de Estado se comportam como
se pertencessem à bancada do contra

O Brasil já teve um presidente de oposição, que muitas vezes não apoiava seu próprio governo. Itamar Franco falava em "abrir a caixa-preta" do Banco Central e pressionava o Ministério da Fazenda a produzir um milagre capaz de liquidar a inflação. Neste sentido, não se pode criticar o comportamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em público, Lula defende das críticas a equipe que escolheu para auxiliá-lo – e dedica palavras de estímulo até àqueles dos quais planeja se livrar na reforma ministerial, prevista para o mês que vem. Infelizmente não se pode dizer o mesmo a respeito de uma parte de seus aliados.

Os primeiros aliados a se comportar como oposicionistas foram os chamados radicais petistas, bancada liderada pela senadora Heloísa Helena e pelos deputados Babá e Luciana Genro. O trio comandou as principais manifestações contrárias aos interesses do Palácio do Planalto e perturbou as votações no Congresso Nacional. Passado o incômodo inicial, os radicais começaram a ser ignorados ou tratados como personagens folclóricos. A novidade do momento é o surgimento dos ministros de oposição. O pioneiro nesse campo foi o ministro Miro Teixeira, das Comunicações, que há dois meses se revoltou em público contra um acordo tarifário abençoado pessoalmente pelo presidente Lula e recomendou aos consumidores que procurassem a Justiça para evitar o aumento nos telefones. Na semana passada, Miro voltou a pregar, dessa vez durante manifestação promovida por grevistas dos Correios em frente a seu ministério. Subiu num caminhão de som, pegou o microfone e, ao lado de Babá, discursou contra a privatização da companhia e a favor dos funcionários em greve. Outro ministro que se comportou de forma semelhante foi Cristovam Buarque, da Educação. Durante encontro com estudantes, na última semana, sugeriu aos alunos que fizessem uma passeata para pressionar o governo por mais verbas para sua pasta.

Lula se vê numa situação inédita na política, que parece estar se reinventando. Nas principais votações no Congresso, integrantes do PT se posicionaram contra a orientação do Planalto. E uma parte dos parlamentares do PSDB e do PFL apoiou os interesses do governo. Ou seja, o Brasil está sendo apresentado aos situacionistas de oposição e aos oposicionistas da situação. Confuso, não?

 
 
 
 
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