Edição 1820 . 17 de setembro de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Diogo Mainardi
Petista à força

"O PT é como a Igreja Universal, que
toma 10%
do salário dos fiéis em troca
de promessas de salvação, milagres e
prosperidade.
E quem paga os fiéis?
Eu e todos os brasileiros. Estamos
financiando
o PT"

Eu sou petista. Eu e todos os brasileiros. Assim que assumiram o poder, os petistas empregaram milhares de outros petistas na administração pública. Cada um deles passou a descontar até 10% de seu salário para o partido. Como o salário dessa gente é pago com o dinheiro dos impostos, somos nós que estamos financiando o PT. Eu não escolhi ser petista, fui recrutado na marra, contribuindo involuntariamente para encher seus cofres. Agora quero minha carteirinha. E quero que me mandem, de brinde, um chaveiro com a estrela vermelha, igual ao que vendem na lojinha virtual do PT. E quero um desconto no seguro de vida patrocinado pelo partido, o "Optei-Vida".

O PT é dividido em muitas correntes. Ainda não decidi a qual me filiar. Uma se chama "O Trabalho". Eu não pretendo aderir a ela, porque não gosto muito de trabalhar. O nome da corrente de Lula é "Articulação". É majoritária dentro do partido. É ela que administra boa parte do dinheiro que nós, contribuintes, generosamente doamos, por intermédio dos funcionários loteados nos cargos de confiança. O PT é como a Igreja Universal, que toma 10% do salário dos fiéis em troca de promessas de salvação, milagres e prosperidade. Lula é uma espécie de bispo Edir Macedo da política.

Como minha contribuição ao PT é recolhida através de impostos, creio que minha corrente pode ser definida como a dos "petistas da CPMF". De todas as correntes, é seguramente a pior. A melhor é a dos "petistas da CC-5". A ela pertencem todos os membros do governo que enviaram legalmente suas economias para contas bancárias na Suíça ou no paraíso fiscal de Nassau. Entre eles, encontra-se gente do gabarito do ministro da Justiça, do presidente do Banco do Brasil, do diretor de política monetária do Banco Central. Eu gostaria muito de me juntar a essa corrente, mas temo que para ser aceito seja necessária uma poupança mínima de 1 milhão de reais.

O Brasil, no passado, já teve ministros apelidados jocosamente de "Mr. 10%". Hoje em dia, quase todos os ministros podem ser chamados de "Mr. 10%". Pelas contas de VEJA, publicadas na última semana, o PT vai arrecadar 30 milhões de reais até as eleições do ano que vem, graças à ocupação selvagem dos cargos federais. O senador Arthur Virgílio calculou que, nos quatro anos de legislatura, os ganhos do partido devem chegar a 120 milhões. Como o dinheiro será revertido em propaganda, tudo indica que Lula já tem a reeleição garantida. Em oito anos de poder, serão 240 milhões. O número não leva em conta, claro, a contribuição de milhares de petistas entranhados nos governos estaduais e municipais.

Eu gostaria que o presidente do PT, José Genoíno, esclarecesse se, na condição de petista compulsório, posso influir nas questões internas do partido. Se puder, apóio o afastamento imediato de todos os radicais que discordam da política do governo. Eu me incluo nesse grupo. Afastem-me do partido. Impeçam-me de continuar contribuindo para as finanças do PT.

É desagradável dizer uma coisa dessas, mas o jeito mais eficiente de ser oposicionista no Brasil, neste governo ou nos anteriores, é sonegar impostos.

 
 
 
 
topo voltar