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Diogo
Mainardi
Petista
à força
"O
PT é como a Igreja Universal, que
toma 10% do
salário dos fiéis em troca
de promessas de salvação, milagres e
prosperidade. E
quem paga os fiéis?
Eu e todos os brasileiros. Estamos
financiando o
PT"
Eu
sou petista. Eu e todos os brasileiros. Assim que assumiram o poder,
os petistas empregaram milhares de outros petistas na administração
pública. Cada um deles passou a descontar até 10%
de seu salário para o partido. Como o salário dessa
gente é pago com o dinheiro dos impostos, somos nós
que estamos financiando o PT. Eu não escolhi ser petista,
fui recrutado na marra, contribuindo involuntariamente para encher
seus cofres. Agora quero minha carteirinha. E quero que me mandem,
de brinde, um chaveiro com a estrela vermelha, igual ao que vendem
na lojinha virtual do PT. E quero um desconto no seguro de vida
patrocinado pelo partido, o "Optei-Vida".
O
PT é dividido em muitas correntes. Ainda não decidi
a qual me filiar. Uma se chama "O Trabalho". Eu não pretendo
aderir a ela, porque não gosto muito de trabalhar. O nome
da corrente de Lula é "Articulação". É
majoritária dentro do partido. É ela que administra
boa parte do dinheiro que nós, contribuintes, generosamente
doamos, por intermédio dos funcionários loteados nos
cargos de confiança. O PT é como a Igreja Universal,
que toma 10% do salário dos fiéis em troca de promessas
de salvação, milagres e prosperidade. Lula é
uma espécie de bispo Edir Macedo da política.
Como
minha contribuição ao PT é recolhida através
de impostos, creio que minha corrente pode ser definida como a dos
"petistas da CPMF". De todas as correntes, é seguramente
a pior. A melhor é a dos "petistas da CC-5". A ela pertencem
todos os membros do governo que enviaram legalmente suas economias
para contas bancárias na Suíça ou no paraíso
fiscal de Nassau. Entre eles, encontra-se gente do gabarito do ministro
da Justiça, do presidente do Banco do Brasil, do diretor
de política monetária do Banco Central. Eu gostaria
muito de me juntar a essa corrente, mas temo que para ser aceito
seja necessária uma poupança mínima de 1 milhão
de reais.
O
Brasil, no passado, já teve ministros apelidados jocosamente
de "Mr. 10%". Hoje em dia, quase todos os ministros podem ser chamados
de "Mr. 10%". Pelas contas de VEJA, publicadas na última
semana, o PT vai arrecadar 30 milhões de reais até
as eleições do ano que vem, graças à
ocupação selvagem dos cargos federais. O senador Arthur
Virgílio calculou que, nos quatro anos de legislatura, os
ganhos do partido devem chegar a 120 milhões. Como o dinheiro
será revertido em propaganda, tudo indica que Lula já
tem a reeleição garantida. Em oito anos de poder,
serão 240 milhões. O número não leva
em conta, claro, a contribuição de milhares de petistas
entranhados nos governos estaduais e municipais.
Eu
gostaria que o presidente do PT, José Genoíno, esclarecesse
se, na condição de petista compulsório, posso
influir nas questões internas do partido. Se puder, apóio
o afastamento imediato de todos os radicais que discordam da política
do governo. Eu me incluo nesse grupo. Afastem-me do partido. Impeçam-me
de continuar contribuindo para as finanças do PT.
É
desagradável dizer uma coisa dessas, mas o jeito mais eficiente
de ser oposicionista no Brasil, neste governo ou nos anteriores,
é sonegar impostos.
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