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Carta
ao leitor
Comércio
é riqueza
AFP
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Plenário da OMC em Cancún: esperança
para ricos e pobres
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A palavra
proteção para designar as barreiras tarifárias
e outros obstáculos que encarecem ou dificultam as transações
comerciais entre os países é um rótulo benigno
para uma medida nociva. Uma reportagem da presente edição
de VEJA sobre a reunião da Organização Mundial
do Comércio (OMC) realizada no balneário de Cancún,
no México, na semana passada, mostra que há relação
direta entre o volume de bens transacionados internacionalmente
e o crescimento da riqueza mundial. Nem todo processo de troca produz
vencedores e perdedores. No comércio mundial ainda há
distorções que premiam uns e punem outros, mas, sempre
que ele aumenta, o estoque de riqueza do planeta cresce e há
uma diminuição das desigualdades. Portanto, quanto
mais "proteção" os países erguerem ao comércio
exterior na tentativa de sair vencedores em todas as transações,
mais estarão contribuindo para o empobrecimento global.
A
globalização econômica iniciada no fim da década
de 80 e que teve seu pico no término dos anos 90 foi o mais
recente período de aceleração do comércio
e de relaxamento de barreiras ao trânsito de produtos e capitais
da história. Foi o mais abrangente, mas não foi o
único, nem o mais radical. A partir de 1846 e por quase um
século, a Inglaterra praticamente aboliu as tarifas de importação.
O Japão viveu sem barreiras comerciais durante boa parte
do período histórico conhecido como Restauração
Meiji (18681912). Outro exemplo radical e isolado foi o de
Hong Kong nos 156 anos de dominação britânica,
terminados em 1997 com a devolução do enclave à
China. As experiências de liberação das fronteiras
coincidiram nesses países com períodos de grande prosperidade.
Não existe, é claro, unanimidade em admitir que a
liberalização foi o fator primordial do processo de
enriquecimento daqueles países. A noção de
que o livre-comércio gera riqueza global, no entanto, é
aceito à esquerda e à direita do espectro ideológico.
Por isso, há uma torcida generalizada para que os países
ricos e os emergentes cheguem a um acordo em Cancún. Se viesse
a ocorrer uma súbita e radical liberalização
do comércio global, mostra um estudo do Banco Mundial, haveria
um aumento anual da renda planetária de quase 300 bilhões
de dólares, o que tiraria da pobreza 114 milhões de
pessoas até 2015. Embora isso não vá ocorrer
em Cancún, qualquer passo nessa direção será
muito bem-vindo.
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