Edição 1918 . 17 de agosto de 2005

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Cidades
Barato, mas em dólar

Pesquisa mostra que o custo de vida
em São Paulo e no Rio é dos mais
baixos entre as metrópoles


Rosana Zakabi

 

Valdemir Cunha
Rio de Janeiro: preços são um atrativo para os turistas

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São Paulo e Rio de Janeiro são consideradas as cidades brasileiras onde o custo de vida é mais elevado, e essa fama se justifica. Compras no supermercado, refeições em restaurantes, o colégio das crianças, o cafezinho na esquina – tudo isso sai mais caro para paulistanos e cariocas do que para quem mora em outras grandes cidades do Brasil. Quando se comparam São Paulo e Rio às metrópoles de outros países, a situação se inverte: os preços em ambas as cidades se tornam uma pechincha. É o que mostra uma pesquisa feita pela consultoria Economist Intelligence Unit, ligada à revista inglesa The Economist, e divulgada na semana passada. O estudo apresenta um ranking do custo de vida em 131 cidades do mundo. Na lista, o Rio de Janeiro aparece em 110º lugar e São Paulo, em 112º. "Esse resultado se deve à desvalorização do real nos últimos anos, tornando os preços baixos quando convertidos para o dólar", disse a VEJA Jon Copestake, um dos responsáveis pela pesquisa.

A cidade mais cara do mundo, segundo o estudo, é Tóquio. "Sua colocação no topo do ranking se deve à longa estabilidade econômica e ao alto poder aquisitivo da população japonesa", diz Copestake. "Os serviços de excelente qualidade oferecidos também contribuem para elevar os preços", ele completa. Para chegar à classificação das cidades na lista, em cada uma delas foram analisados os preços de 150 produtos e serviços, desde o quilo do tomate até os custos de contratação de uma babá. Para efeito de comparação, tomaram-se como referência os preços vigentes em Nova York. Os números da Economist confirmam os de outra pesquisa semelhante divulgada há cinco meses pela consultoria americana Mercer Human Resource. Nela, São Paulo aparece na 119ª colocação e o Rio de Janeiro, na 124ª numa lista de 144 cidades classificadas pelo custo de vida.

"Ter um custo de vida baixo com relação ao dólar ajuda a atrair capital estrangeiro, pois a mão-de-obra especializada brasileira é muito mais barata do que em outros países", analisa Ivan Marc Farber, consultor da Mercer no Brasil. O custo de vida baixo representa também um enorme atrativo para os turistas que vêm de fora. No Rio de Janeiro, somando-se as despesas com hospedagem, transporte e refeições, os estrangeiros gastam menos da metade do que gastariam em Miami, cidade que figura na 58ª posição na lista da Economist. A desvantagem, para os brasileiros, é que a recíproca é verdadeira. Quando o brasileiro viaja para o exterior, fica alarmado ao ver o poder aquisitivo de seus reais depois de transformados em dólares ou euros.

Tanto a pesquisa da Economist Intelligence Unit quanto a da Mercer são feitas regularmente com um objetivo principal: ajudar as empresas multinacionais a calcular o salário dos diretores e funcionários que são alocados para trabalhar em outros países. Pelos cálculos da Economist, um executivo que ganha 20.000 dólares por mês em Tóquio teria o mesmo poder aquisitivo com 9.000 dólares em São Paulo. No cálculo dos salários de funcionários mandados ao exterior, além da pesquisa de custo de vida, as empresas costumam levar em conta outras variáveis: qualidade dos serviços de saúde, sistema de educação, lazer – se existem cinemas, teatros e parques disponíveis – e, no caso de São Paulo e do Rio de Janeiro, a criminalidade. Muitas vezes, as despesas mensais com carro blindado, segurança residencial e guarda-costas são adicionadas ao contracheque do funcionário. Embora essas despesas não sejam contabilizadas nas pesquisas de custo de vida, elas acabam sendo determinantes para que um executivo concorde em arriscar o pescoço em troca de uma promoção.

 
Foto Fabio Castelo

 

 
 
 
 
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