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Diogo
Mainardi Chega de ética, Nassif
"Um
dos patrocinadores do site de Luis Nassif é o BNDES,
coincidentemente o maior acionista da Telemar, concorrente direta de Dantas.
Não surpreende que um paladino da ética como Nassif tenha
defendido a compra, por parte da Telemar, da produtora de fundo
de quintal do filho de Lula, Fábio Luís"
Sou um conspirador.
Um conspirador da elite. Quero derrubar Lula. Só não quero ter muito
trabalho. Quero derrubar Lula sem sair de casa. Quase deu certo na semana passada.
Telefonei para o deputado José Janene. Ele reconheceu que José Dirceu
comandou o esquema de compra de deputados por parte do governo. Foi a primeira
vez que um dos envolvidos nas denúncias do mensalão acusou o Palácio
do Planalto de distribuir dinheiro sujo a parlamentares. Janene pediu que eu publicasse
a notícia em off, sem citá-lo. Não aceitei. Não sou
padre, que ouve confissão calado. Dedurei Janene. O Jornal Nacional
procurou-o na segunda-feira, para confirmar o conteúdo da entrevista. Janene
preferiu não se manifestar. Como não gravei nossa conversa, o assunto
morreu. O maior sucesso de minha atividade como conspirador falhou miseravelmente.
Decidi começar a gravar meus telefonemas. Virei o Juruna da imprensa. Gravo
tudo no aparelho de karaokê de meu filho. Quero derrubar Lula, mas só
vale se for desse jeito: sem sair de casa e com o karaokê da Chicco. Derrubar
Lula de qualquer outra maneira seria conferir-lhe um crédito exagerado.
O deputado Janene reprovou minha atitude.
Disse que quebrei o código de ética do jornalismo. Outra autoridade
em matéria de ética, que se sentiu no direito de me passar um pito,
foi Luis Nassif, colunista de economia da Folha de S.Paulo. Ele escreveu:
"Para combater a falta de escrúpulos do governo, agora, chega-se a atropelar
até valores sagrados da imprensa, como o instituto do off the record. Em
uma coluna, em revista de larga circulação, o autor se vangloria
de ter passado a perna em um deputado, prometendo-lhe manter uma declaração
em off e não cumprindo a promessa". Isso foi publicado na última
quinta-feira. Na quinta-feira da semana anterior, Nassif deu um perfeito exemplo
de ética jornalística. Num artigo sobre Daniel Dantas, ele reproduziu
palavra por palavra, sem citar o autor, uma mensagem enviada a diversos jornalistas
por Luiz Roberto Demarco. Demarco não é o que se poderia definir
como uma fonte isenta. Pelo contrário: ele está processando Dantas
na Justiça, numa ação bilionária. Como se pode notar,
Nassif é um jornalista ético, que sabe preservar suas fontes. Ele
é tão cioso de sua responsabilidade que decidiu copiar até
mesmo os erros de grafia da mensagem original de Demarco, como o nome do presidente
da Portugal Telecom no Brasil, Shakhaf Wine, chamado por ambos de Shakaf Wine.
Além da coluna na Folha
de S.Paulo, Nassif tem também um site de notícias, que foi financiado
com empréstimos do BNDES. Um dos patrocinadores do site é o próprio
BNDES, coincidentemente o maior acionista da Telemar, concorrente direta de Dantas.
Não surpreende que um paladino da ética como Nassif tenha defendido
a compra, por parte da Telemar, da produtora de fundo de quintal do filho de Lula,
Fábio Luís. Outro importante patrocinador do site de Nassif é
a Odebrecht, cujo fundador mereceu um panegírico apaixonado numa coluna
recente. Nassif me deu uma lição de ética. Janene me deu
uma lição de ética. Lula afirmou que não existe ninguém
mais ético do que ele. Eu não aceito lição dessa gente.
O Brasil tem off demais. Tudo o que se faz aqui é em off. Esta não
é a hora do off. É a hora de abrir o jogo, de contar tudo, de falar
a verdade. |