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CINEMA
O
Escorpião de Jade (The Curse of the Jade Scorpion,
Estados Unidos, 2001. Estréia nesta sexta-feira no país)
Woody Allen foi buscar nos mistérios e comédias dos
anos 40 a inspiração para essa farsa saborosa, que trata
do investigador de seguros C.W. Briggs interpretado pelo próprio
Allen e as desventuras que ele enfrenta depois de ser hipnotizado
por um mágico mau-caráter. O sujeito não só
faz Briggs se sentir apaixonado por sua nova chefe e pior inimiga, conhecida
no escritório simplesmente pelo sobrenome Fitzgerald (Helen Hunt),
como também o põe para roubar milhões em jóias
durante seus transes. A ironia é que Briggs terá de decifrar
os crimes que ele próprio cometeu sem saber. E, como é infalível,
é só uma questão de tempo até que termine
por se acusar. Para piorar o imbróglio, Briggs se envolve no romance
clandestino entre Fitzgerald e o dono da seguradora. O resultado é
menos leve do que em Trapaceiros, o filme anterior de Allen. Mas
tem excelentes momentos, boa parte deles concentrada nos diálogos-metralhadora
entre o conquistador barato Briggs e a durona Fitzgerald. Eles são
uma homenagem fiel, e muito bem escrita, aos tiroteios verbais que celebrizaram
a parceria entre Cary Grant e Rosalind Russell em Jejum de Amor. Com
a diferença que, no lugar do cínico e suave Grant, se tem
aqui o franzino e nervoso Allen, o que só acrescenta ao efeito
cômico.
LIVROS
Temporada
de Caça às Letras, de Myla Goldberg (tradução
de Cid Knipel; Globo; 362 páginas; 35 reais) Todos os anos,
os concursos de soletração de palavras mobilizam as escolas
americanas, que enviam seus melhores alunos a uma acirrada disputa nacional.
Esse evento curioso é o mote do romance de estréia da nova-iorquina
Myla Goldberg. Ela conta a história de Eliza, garota de 11 anos
que é menosprezada pelos pais por causa de suas notas medíocres.
Tudo muda, porém, quando Eliza se destaca no concurso de soletração
de sua escola. A menina cai nas graças do pai, um estudioso do
judaísmo que antes só tinha olhos para o filho mais velho.
E também chama a atenção da mãe, uma advogada
ambiciosa do tipo que não tem tempo para a prole. A partir dessa
trama, a autora faz uma crítica bem-humorada ao modo de vida americano.
Leia
trechos do livro.
O
Homem Casado, de Edmund White (tradução de Carlos
Fontoura; Arx; 406 páginas; 39 reais) Escritor americano
do primeiro time e homossexual militante, Edmund White passou por dois
grandes choques em sua vida pessoal nos últimos anos. O primeiro
ocorreu em 1985, quando soube que era portador do vírus da Aids.
Nove anos depois, ele teve de encarar de perto a morte de seu companheiro,
em decorrência da doença. Em O Homem Casado,White
procura expiar esses momentos difíceis. Com fortes cores autobiográficas,
o romance aborda a relação entre um intelectual americano
de meia-idade residente em Paris (alter ego do próprio escritor)
e um jovem arquiteto casado (que representa seu companheiro morto). É
uma história pungente e que contém uma bela lição
de vida. Leia
trechos do livro.
DISCOS
Divulgação
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| Castro:
MPB sem nostalgia |
Orchestra
Klaxon, Max de Castro (Trama) Dois anos atrás, o
carioca Max de Castro lançou um disco de estréia superestimado
pela crítica: embora fosse apenas promissor, foi vendido como uma
panacéia para todos os males da MPB. Orchestra Klaxon, seu
segundo trabalho, revela um artista mais maduro e consistente. O mérito
de Castro (que é filho do cantor Wilson Simonal) está em
não se deixar levar pela nostalgia e pelo excesso de reverência
que assolam a música nacional. Ele prefere olhar para a frente
e é um produtor, arranjador e compositor com talento suficiente
para produzir algo novo. Faixas como o samba O
Nego do Cabelo Bom e a bossa A Vida Como Ela Quer
são prova disso. O resultado é um disco refinado. Poderia
ser ainda melhor, se o artista abrisse mão de cantar as suas músicas.
A garganta, definitivamente, não é seu ponto forte.
Ouça
também a faixa Mais uma Vez, um Amor.
Você
Ainda Não Ouviu Nada!, Sérgio Mendes & Bossa
Rio (Dubas Música) Espécie de embaixador da bossa
nova no exterior, Sérgio Mendes é, antes de tudo, um dos
instrumentistas e arranjadores mais criativos da história desse
gênero musical. O melhor exemplo de seu talento está nesse
clássico de 1963, que passou décadas fora de catálogo
no Brasil. Foi esse o disco que credenciou Mendes para sua celebrada carreira
internacional. Nele se podem ouvir, incrementados, hits como Desafinado
(a quilômetros de distância do banquinho e do violão
de João Gilberto), Corcovado e Ela
É Carioca em que se destaca a bateria suingada
de Edison Machado. Mas também sobrou espaço para boas composições
menos conhecidas, como Primitivo e Nôa... Nôa...
(ambas de Mendes) e o jazz Neurótico, do saxofonista J.T.
Meirelles.
DVD
Veludo
Azul (Blue Velvet, Estados Unidos, 1986. Fox) Rodado
num formato mais "esticado" horizontalmente que o habitual, o filme que
colocou o diretor David Lynch no mapa ganha no DVD seu meio mais amigável
depois do cinema. Lynch delineou aqui todas as obsessões que o
acompanham até hoje, em especial aquela sobre o que de bizarro
e pervertido se esconde atrás da fachada de normalidade da América.
Um rapaz encontra uma orelha decepada e ela lhe serve de porta para outro
mundo o mundo do sádico Frank (Dennis Hopper) e da triste
cantora de cabaré interpretada por Isabella Rossellini. Nos extras,
pode-se acompanhar uma discussão da clássica dupla de críticos
formada por Roger Ebert e Gene Siskel e o melhor assistir
a entrevistas com Lynch, uma figura tão ou mais instigante que
seus filmes.
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
Uma
das práticas do ditador Adolf Hitler era pilhar os tesouros
dos países invadidos pela Alemanha nazista. Em sétimo
lugar na categoria de não-ficção da lista de
mais vendidos de VEJA, Vinho & Guerra (tradução
de Maria Luiza X. de A. Borges; Jorge Zahar; 254 páginas;
25 reais), de Don e Petie Kladstrup, enfoca outro aspecto desse
butim. Depois de ocupar a França, no início da II
Guerra Mundial, os alemães e os produtores de vinho daquele
país travaram uma batalha surda pela bebida. Não que
o führer fosse grande apreciador. Ao provar um tinto da melhor
qualidade, teria dito que não passava de "vinagre vulgar".
Apesar disso, Hitler tinha plena consciência do valor econômico
dos vinhos. Ao final do conflito, foram encontradas nada menos que
500.000 garrafas das melhores safras nos porões do Ninho
da Águia, sua residência encastelada nos Alpes. Vinho
& Guerra pinta os produtores franceses como heróis.
A maior parte do livro é dedicada a mostrar seus estratagemas
para impedir que os nazistas botassem as mãos na riqueza
de suas adegas. Eles construíam paredes falsas, escondiam
o produto em cavernas, enterravam-no sob hortas e interceptavam
trens carregados de vinho que rumavam para a Alemanha. Há
passagens deliciosas mas o livro não é feito
só de boas histórias. Muitas anedotas soam parecidas
demais umas com as outras e certos detalhes poderiam ter sido suprimidos.
Marcelo
Marthe
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