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Edição 1 760 - 17 de julho de 2002
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Leia trechos de livros, veja trailers de filmes e ouça as músicas dos CDs recomendados nas últimas semanas por esta coluna na seção multimídia de VEJA on-line.

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CINEMA

O Escorpião de Jade (The Curse of the Jade Scorpion, Estados Unidos, 2001. Estréia nesta sexta-feira no país) – Woody Allen foi buscar nos mistérios e comédias dos anos 40 a inspiração para essa farsa saborosa, que trata do investigador de seguros C.W. Briggs – interpretado pelo próprio Allen – e as desventuras que ele enfrenta depois de ser hipnotizado por um mágico mau-caráter. O sujeito não só faz Briggs se sentir apaixonado por sua nova chefe e pior inimiga, conhecida no escritório simplesmente pelo sobrenome Fitzgerald (Helen Hunt), como também o põe para roubar milhões em jóias durante seus transes. A ironia é que Briggs terá de decifrar os crimes que ele próprio cometeu sem saber. E, como é infalível, é só uma questão de tempo até que termine por se acusar. Para piorar o imbróglio, Briggs se envolve no romance clandestino entre Fitzgerald e o dono da seguradora. O resultado é menos leve do que em Trapaceiros, o filme anterior de Allen. Mas tem excelentes momentos, boa parte deles concentrada nos diálogos-metralhadora entre o conquistador barato Briggs e a durona Fitzgerald. Eles são uma homenagem fiel, e muito bem escrita, aos tiroteios verbais que celebrizaram a parceria entre Cary Grant e Rosalind Russell em Jejum de Amor. Com a diferença que, no lugar do cínico e suave Grant, se tem aqui o franzino e nervoso Allen, o que só acrescenta ao efeito cômico.

 

LIVROS

Temporada de Caça às Letras, de Myla Goldberg (tradução de Cid Knipel; Globo; 362 páginas; 35 reais) – Todos os anos, os concursos de soletração de palavras mobilizam as escolas americanas, que enviam seus melhores alunos a uma acirrada disputa nacional. Esse evento curioso é o mote do romance de estréia da nova-iorquina Myla Goldberg. Ela conta a história de Eliza, garota de 11 anos que é menosprezada pelos pais por causa de suas notas medíocres. Tudo muda, porém, quando Eliza se destaca no concurso de soletração de sua escola. A menina cai nas graças do pai, um estudioso do judaísmo que antes só tinha olhos para o filho mais velho. E também chama a atenção da mãe, uma advogada ambiciosa do tipo que não tem tempo para a prole. A partir dessa trama, a autora faz uma crítica bem-humorada ao modo de vida americano. Leia trechos do livro.

O Homem Casado, de Edmund White (tradução de Carlos Fontoura; Arx; 406 páginas; 39 reais) – Escritor americano do primeiro time e homossexual militante, Edmund White passou por dois grandes choques em sua vida pessoal nos últimos anos. O primeiro ocorreu em 1985, quando soube que era portador do vírus da Aids. Nove anos depois, ele teve de encarar de perto a morte de seu companheiro, em decorrência da doença. Em O Homem Casado,White procura expiar esses momentos difíceis. Com fortes cores autobiográficas, o romance aborda a relação entre um intelectual americano de meia-idade residente em Paris (alter ego do próprio escritor) e um jovem arquiteto casado (que representa seu companheiro morto). É uma história pungente – e que contém uma bela lição de vida. Leia trechos do livro.

 

DISCOS

 
Divulgação
Castro: MPB sem nostalgia

Orchestra Klaxon, Max de Castro (Trama) – Dois anos atrás, o carioca Max de Castro lançou um disco de estréia superestimado pela crítica: embora fosse apenas promissor, foi vendido como uma panacéia para todos os males da MPB. Orchestra Klaxon, seu segundo trabalho, revela um artista mais maduro e consistente. O mérito de Castro (que é filho do cantor Wilson Simonal) está em não se deixar levar pela nostalgia e pelo excesso de reverência que assolam a música nacional. Ele prefere olhar para a frente – e é um produtor, arranjador e compositor com talento suficiente para produzir algo novo. Faixas como o samba O Nego do Cabelo Bom e a bossa A Vida Como Ela Quer são prova disso. O resultado é um disco refinado. Poderia ser ainda melhor, se o artista abrisse mão de cantar as suas músicas. A garganta, definitivamente, não é seu ponto forte. Ouça também a faixa Mais uma Vez, um Amor.

Você Ainda Não Ouviu Nada!, Sérgio Mendes & Bossa Rio (Dubas Música) – Espécie de embaixador da bossa nova no exterior, Sérgio Mendes é, antes de tudo, um dos instrumentistas e arranjadores mais criativos da história desse gênero musical. O melhor exemplo de seu talento está nesse clássico de 1963, que passou décadas fora de catálogo no Brasil. Foi esse o disco que credenciou Mendes para sua celebrada carreira internacional. Nele se podem ouvir, incrementados, hits como Desafinado (a quilômetros de distância do banquinho e do violão de João Gilberto), Corcovado e Ela É Cariocaem que se destaca a bateria suingada de Edison Machado. Mas também sobrou espaço para boas composições menos conhecidas, como Primitivo e Nôa... Nôa... (ambas de Mendes) e o jazz Neurótico, do saxofonista J.T. Meirelles.

 

DVD

Veludo Azul (Blue Velvet, Estados Unidos, 1986. Fox) – Rodado num formato mais "esticado" horizontalmente que o habitual, o filme que colocou o diretor David Lynch no mapa ganha no DVD seu meio mais amigável depois do cinema. Lynch delineou aqui todas as obsessões que o acompanham até hoje, em especial aquela sobre o que de bizarro e pervertido se esconde atrás da fachada de normalidade da América. Um rapaz encontra uma orelha decepada e ela lhe serve de porta para outro mundo – o mundo do sádico Frank (Dennis Hopper) e da triste cantora de cabaré interpretada por Isabella Rossellini. Nos extras, pode-se acompanhar uma discussão da clássica dupla de críticos formada por Roger Ebert e Gene Siskel e – o melhor – assistir a entrevistas com Lynch, uma figura tão ou mais instigante que seus filmes.

 

OS MAIS VENDIDOS – CRÍTICA

Uma das práticas do ditador Adolf Hitler era pilhar os tesouros dos países invadidos pela Alemanha nazista. Em sétimo lugar na categoria de não-ficção da lista de mais vendidos de VEJA, Vinho & Guerra (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges; Jorge Zahar; 254 páginas; 25 reais), de Don e Petie Kladstrup, enfoca outro aspecto desse butim. Depois de ocupar a França, no início da II Guerra Mundial, os alemães e os produtores de vinho daquele país travaram uma batalha surda pela bebida. Não que o führer fosse grande apreciador. Ao provar um tinto da melhor qualidade, teria dito que não passava de "vinagre vulgar". Apesar disso, Hitler tinha plena consciência do valor econômico dos vinhos. Ao final do conflito, foram encontradas nada menos que 500.000 garrafas das melhores safras nos porões do Ninho da Águia, sua residência encastelada nos Alpes. Vinho & Guerra pinta os produtores franceses como heróis. A maior parte do livro é dedicada a mostrar seus estratagemas para impedir que os nazistas botassem as mãos na riqueza de suas adegas. Eles construíam paredes falsas, escondiam o produto em cavernas, enterravam-no sob hortas e interceptavam trens carregados de vinho que rumavam para a Alemanha. Há passagens deliciosas – mas o livro não é feito só de boas histórias. Muitas anedotas soam parecidas demais umas com as outras e certos detalhes poderiam ter sido suprimidos.

Marcelo Marthe

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
   
 
   
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