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Edição 1 760 - 17 de julho de 2002
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

MINISTÉRIO PÚBLICO

Foi o Jader 1
Os procuradores do Ministério Público que investigaram o caso Usimar, um projeto bilionário bancado pela velha Sudam que nunca saiu do papel, apresentarão nesta semana o resultado do trabalho. Dos 44 milhões de reais que foram desviados do projeto, não se encontrou um único tostão nas contas de Roseana Sarney ou de seu marido, Jorge Murad. Quem aparece na lista, como receptor de 8,8 milhões de reais, é ele mesmo: Jader Barbalho.

Foi o Jader 2
Os investigadores ouviram o autor do projeto da Usimar, Amauri Cruz Santos, que se tornou réu colaborador e entregou o jogo. Contou, e as apurações confirmaram, que o dinheiro para Jader Barbalho era remetido a um assessor do ex-senador – mas a maior parte era enviada para um doleiro de Belém, em cuja casa de câmbio foram encontradas as cópias dos cheques.

 

A missão impossível de Rita

Ana Araujo

Rita: enviada especial à "terra do fumo"


Está previsto para as próximas duas semanas um compromisso espinhoso para Rita Camata. Ela vai desembarcar em Santa Cruz do Sul, município gaúcho mais conhecido como a capital mundial do fumo. Da cidade saem 85% das exportações brasileiras de tabaco. Lá é quase crime inafiançável falar mal de cigarro. Por isso, José Serra, o inimigo número 1 da indústria do fumo, não pode nem passar perto da região. Corre o risco de virar fumaça. Apesar de fumante, resta saber o que Rita poderá prometer como plataforma de governo aos produtores locais...

 

SUCESSÃO

Ponte política
Com toda a discrição possível, alguns engenheiros da política começaram a erguer uma ponte entre FHC e Ciro Gomes.

Ponte econômica
José Serra e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, têm conversado sobre economia.

Façam suas apostas
Terça-feira é um dia-chave para os candidatos a presidente: o Ibope divulga uma nova pesquisa, que está sendo feita neste fim de semana. Foi encomendada pela Rede Globo. A expectativa é se neste momento o crescimento de Ciro Gomes atingiu seu teto ou se ele descolou de José Serra rumo à vice-liderança isolada.

Pano rápido
Assim que encerrou a longa entrevista dada por José Serra ao Jornal Nacional, na quarta-feira passada, William Bonner perguntou ao tucano: "E então? Gostou?". Resposta, de bate-pronto: "Não".

 

GENTE

Em casa e na rua
Mangabeira Unger, o guru econômico de Ciro Gomes, não tem de gastar saliva para combater o neoliberalismo apenas em palestras e entrevistas. Em casa, também precisa debater com o "mercado". Sua mulher, Tamara Lothian, executiva do mercado financeiro, já foi vice-presidente do Citicorp e diretora do First Boston.

 

ECONOMIA

Compras adiadas
O dono de uma das maiores cadeias de shopping centersstrong> ECONOMIA

Compras adiadas
O dono de uma das maiores cadeias de shopping centers do país lamentava, na semana passada, o semestre horroroso do setor. Caíram as vendas em tudo quanto é canto. No Nordeste, uma média de 8% em relação ao ano passado. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a queda foi a metade disso.

Nem tudo está perdido
Há dados econômicos desastrosos pipocando aqui e ali. Mas existe um Brasil mais silencioso que continua a investir, apesar de tudo. Na segunda-feira, o BNDES mostra seus números semestrais com uma boa notícia: o desembolso de dinheiro cresceu 30% entre janeiro e junho deste ano, comparando-se com o mesmo período de 2001 – um total de 13,7 bilhões de reais, e a indústria ficou com mais da metade desse valor.

O mercado fala
Dólar e bolsas, tremei: a voz do mercado, em pessoa, será ouvida por FHC. No início da semana, o presidente da Merrill Lynch International, Jacob Frenkel, desembarca no Palácio do Planalto para uma reunião com o presidente.

O BC joga duro
O Banco Central resolveu entrar de sola em cima do Bank of America por causa de pesadas perdas que seus fundos de derivativos deram no mês passado aos investidores. Além de investigar detalhadamente os movimentos dos papéis desses fundos, o BC poderá obrigar o banco a repassá-los a outras instituições financeiras.

Lordes também brigam
O presidente da Petrobras, Francisco Gros, e o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Sebastião do Rego Barros, dois lordes, andaram se estranhando na semana passada. O motivo é a sinalização da estatal de que irá construir duas plataformas, no valor de 1 bilhão de dólares, fora do país.

Negócio fechado
O hipermercado Extra (do Grupo Pão de Açúcar) fechou um polpudo contrato com Claudia Raia para que ela crie – e seja a garota-propaganda – uma linha de lingerie que levará a marca da própria atriz.

Concorrentes, mas não em tudo
Uma das missões do americano Brian Smith, novo presidente da Coca-Cola no Brasil, já está bem definida pela matriz: aproximar-se da AmBev para lutar contra as tubaínas – aqueles refrigerantes que não dão muita bola para o pagamento de impostos.

Muita marola
Tem sido dado como certo o fechamento de um acordo da CSN de Benjamin Steinbruch com a anglo-holandesa Corus. Não é bem assim. As duas podem até anunciar um acordo, mas antes essa transação tem de receber o o.k. do BNDES – a quem a CSN deve muito dinheiro. E no BNDES ninguém foi procurado para conversar, nenhuma proposta chegou.

 

GOVERNO

Devagar com o andor
Num telefonema dado no meio da semana passada, FHC pediu a José Serra que moderasse seu apoio ao pedido de intervenção no Espírito Santo.

 

AmBev aposta alto em Kaká

Depois de Ronaldo, é a vez de Kaká. Essa é a nova aposta da AmBev. Desde 1993, a cervejaria mantém um contrato de exploração da imagem de Ronaldo. Na época, ele tinha só 17 anos e ainda era atacante do Cruzeiro. A fama do craque ganhou o mundo e hoje ajuda a vender o guaraná Antarctica em Portugal, na Espanha e no Japão. Agora, os executivos da AmBev fecharam um contrato semelhante – até 2007 – com Kaká, o atacante do São Paulo de apenas 20 anos.

 

Colaborou Marcelo Carneiro



 
 

 

Foto: Jorge Butsuem

 

   
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