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Fifa João avalancheComo
Havelange virou o jogo em cima da
Havelange, no entanto, venceu de novo. Blatter, que era o secretário-geral da Fifa desde 1981, fala cinco idiomas com fluência (arranha bem o português), ganha 100.000 dólares por mês e passará agora a exercer uma função não remunerada, virou o jogo nos minutos finais. Presidente da confederação européia de futebol, Johansson apostava no apoio maciço de seu continente e dos africanos. Juntas, a Europa e a África reúnem uma centena de votos, suficientes para uma vitória no segundo turno. Embora o sufrágio fosse secreto, como impôs Havelange, os articuladores das duas campanhas não têm dúvidas sobre quem votou em quem. Segundo VEJA apurou, eles concluíram que Blatter recebeu 17 votos da Europa, 23 da África, 20 da Ásia, 4 da Oceania e todos os 47 das Américas. A posição dos europeus começou a mudar quando ficou claro que Johansson havia prometido à Alemanha a organização da Copa de 2006, pretendida também pela Inglaterra. Em cima da hora, os ingleses fecharam com Blatter, que fez jogo duplo: sem desestimular os britânicos, anunciou que o Mundial poderá ir para a África. Com isso, neutralizou em parte a força do presidente da confederação africana, Issa Hayatou, cabo eleitoral de primeira hora do sueco, ao lado de Pelé, que usou seu prestígio contra o velho desafeto Havelange. Para enfrentar Pelé, Blatter escalou outro craque: o francês Michel Platini, co-presidente do comitê organizador da Copa 98, a quem ofereceu a direção executiva de esportes da Fifa. Durante o confronto, Pelé chamou-o de "perdedor", numa declaração pesada que atingiu, dentro da França, um ídolo nacional. "É uma honra saber que o maior jogador da história conhece meu nome", respondeu Platini com elegância. Os decisivos votos africanos mudaram de lado por mais uma razão: a entrada em campo do empresário Elias Zacour. Experimentado conhecedor dos bastidores da bola, esse libanês de 70 anos, que na década de 60 organizava as excursões do Santos pelo mundo, já havia operado na campanha de 1974, quando Havelange derrotou o inglês Stanley Rous. "Zacour garantiu pelo menos 12 votos para Blatter", afirma um colega seu argentino. "Ele ganhou porque era o melhor candidato e tinha bons cabos eleitorais, enquanto os de Johansson eram fracos", diz o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que desmente qualquer convite para ocupar a secretaria de Blatter na Fifa. "Terminada a Copa, vou é concorrer com os ingleses, os alemães e os africanos para que o Mundial de 2006 seja realizado no Brasil." Carlos Maranhão, de Paris
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