Cinema
A
lenda do roqueiro louco
Documentário
mostra a acidentada
carreira do Mutante Arnaldo Baptista

Sérgio
Martins
Mariana
Vianna/divulgação
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TINTAS
PSICODÉLICAS Arnaldo Baptista,
em seu estúdio em Juiz de Fora: pintura depois da tentativa de suicídio |
No dia 31 de dezembro
de 1981, o músico Arnaldo Baptista jogou-se de uma janela do hospital psiquiá-trico
onde fora internado para tratar de problemas decorrentes do uso de alucinógenos.
Feriu-se gravemente chegou até a perder massa encefálica
, mas sobreviveu. Recuperado, isolou-se com a mulher em uma fazenda em Juiz
de Fora, Minas Gerais, e converteu-se em pintor diletante. Só em 2004,
depois de mais de vinte anos afastado dos estúdios, lançou o disco
Let It Bed. Dois anos depois, juntou-se ao irmão guitarrista Sérgio
Dias e ao baterista Dinho Leme para ressuscitar a banda que, no fim dos anos 60,
o tornou uma figura legendária no rock brasileiro: os Mutantes (a cantora
Rita Lee, que integrou a formação original do grupo, foi substituída
por Zélia Duncan). Os shows da banda na Inglaterra, nos Estados Unidos
e no Brasil contribuíram para alimentar o culto aos Mutantes e em
particular a Arnaldo, considerado o motor criativo da banda. Dirigido por Paulo
Henrique Fontenelle, o documentário Loki Arnaldo Baptista
(Brasil, 2009), que estreia nesta sexta-feira, reforça esse
culto, mas também traça um belo retrato do roqueiro paulistano.
Hoje com 60 anos, Arnaldo nasceu numa
família de músicos seu pai era cantor lírico e a mãe,
pianista. Ao lado do irmão Sérgio e da primeira namorada (mais tarde
primeira mulher), Rita Lee, criou os Mutantes em 1966. O trio promoveu uma mistura
original de rock psicodélico e música brasileira, mas Rita Lee deixou
o grupo (e o casamento) em 1972. O rompimento parece ter sido traumático
para Arnaldo. Abalou seu estado mental, já conturbado pelo consumo de LSD.
Em um dos depoimentos do filme, o artista plástico Antonio Peticov, amigo
e empresário dos Mutantes, conta que certa vez Arnaldo o convidou para
ser o capitão da nave espacial que estaria construindo.
O
documentário perde ímpeto quando mostra os shows dos Mutantes em
2006. Mas, antes disso, Loki traz maravilhosas cenas de arquivo, com entrevistas
e shows dos Mutantes originais e cenas raras da Patrulha do Espaço, banda
que Arnaldo montou nos anos 70. O filme investe na lenda de Arnaldo como "louco
genial" mas o que se vê de fato na tela é um músico
talentoso, prejudicado pela loucura quimicamente induzida.