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Arqueologia Perigo
nas cavernas Um fungo ameaça
as pinturas pré-históricas de Lascaux, na França  Renata
Leão
Bertrand
Rieger/AFP
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arte rupestre de Lascaux: animais já extintos entre as imagens feitas pelo
homem de Cro-Magnon |
Apelidado
de Capela Sistina da pré-história, o complexo de cavernas de Lascaux,
no sul da França, abriga o mais famoso conjunto de arte rupestre do mundo.
Nas paredes de suas sete galerias, pinturas feitas com óxido de ferro,
carvão ou calcário há 17.000 anos mostram touros monumentais
de 4 metros de comprimento, já extintos, cavalos e renas. Os animais são
retratados num estilo surpreendentemente parecido com o dos modernistas do início
do século XX, o que fez o pintor Pablo Picasso exclamar, ao entrar nas
grutas: "Nós não inventamos nada". Esse tesouro da humanidade está
agora correndo perigo. Um fungo se espalha rapidamente pelo chão e pelas
paredes das galerias, cobrindo-as de tufos de mofo branco semelhante à
neve, e até agora os responsáveis pela manutenção
de Lascaux não conseguiram uma solução para deter seu avanço.
O fungo, chamado Fusarium solani, é tão agressivo e resistente
que, quando surge em plantações, obriga os fazendeiros a queimá-las
sumariamente. Há várias
teorias para explicar como o fungo chegou a Lascaux, mas todas passam por uma
manobra desastrada feita em 2001: a instalação de um novo sistema
de refrigeração destinado a manter a temperatura e umidade ideais
para a conservação dos afrescos. O antigo utilizava as correntes
naturais que passam pelas cavernas. O sistema instalado em 2001, contrariando
a recomendação de muitos arqueólogos, usava ventiladores
poderosos, como num escritório moderno. Já no fim daquele ano o
fungo começou a brotar do chão e os ventiladores foram desligados,
mas não adiantou a bactéria inimiga continuou a avançar.
Há quem sustente que o fungo pode ter sido introduzido nas cavernas através
da chuva e da lama, quando o telhado instalado na entrada do complexo foi removido
para a instalação do ar condicionado. Por fim, existe a hipótese
de o fungo ter sido introduzido nas galerias por meio das botas dos operários
encarregados de instalar o aparelho, que não observavam a exigência
de desinfetar os calçados antes de entrar no local. Desde 1963, o complexo
de Lascaux está fechado à visitação. Na época,
notou-se que a presença dos 1.700 visitantes diários ameaçava
as pinturas por aumentar a temperatura nas cavernas e expô-las ao dióxido
de carbono resultante de sua respiração.
Descobertas por acaso em 1940, por quatro adolescentes, as cavernas de Lascaux
são um testemunho inestimável da vida do homem de Cro-Magnon, como
é chamado o Homo sapiens daquele período próximo ao
fim da última era glacial. As pinturas retratam os animais caçados
por eles, e talvez também tivessem funções místicas
agradecer à divindade provedora da caça ou trazer boa sorte
para os caçadores. O desaparecimento dessas imagens deixaria a história
da humanidade mais pobre.
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