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Ciência Conversas
em golfinês Os golfinhos se chamam
por "nomes" próprios e usam um sistema de comunicação
semelhante ao dos seres humanos  Rosana
Zakabi
John
Bramley/Universal
 | | Flipper:
agora se sabe que ele fala de verdade |
Todo
mundo acha os golfinhos adoráveis. Espertos e brincalhões, tornaram-se
também heróis no imaginário popular depois do sucesso de
Flipper no cinema e na televisão. Um estudo divulgado na semana passada
revela que eles possuem outra qualidade muito especial. São capazes de
chamar uns aos outros por "nomes" próprios, de maneira análoga à
dos seres humanos. A pesquisa, publicada na revista The Proceedings, da
Academia Nacional de Ciências americana, refere-se aos golfinhos nariz-de-garrafa,
justamente a espécie do astro Flipper. Já se sabia que esses animais
se comunicam entre si emitindo sons, ou seja, quando um golfinho solta um grunhido,
outro atende. A novidade é que os grunhidos não são aleatórios,
mas "palavras" na linguagem dos golfinhos. Quando um deles reage ao chamado de
outro, é porque acaba de ouvir seu nome.
Para chegar a essa descoberta, cientistas da Universidade St. Andrews, na Escócia,
gravaram os chamados dos golfinhos e alteraram seu timbre por computador. A seguir,
os pesquisadores colocaram um aparelho na água emitindo os chamados modificados.
Dos catorze animais usados na pesquisa, nove responderam ao som do equipamento.
Conclusão: eles reconheceram seus nomes, mesmo pronunciados por uma "voz"
diferente. "Os golfinhos têm um sistema de comunicação semelhante
ao dos humanos, que decodifica sinais sonoros e os agrupa em blocos", disse a
VEJA o biólogo marinho Vincent Janik, coordenador do estudo.
Há décadas os cientistas estudam a fundo os golfinhos por considerar
que esses animais têm uma inteligência privilegiada. Em 2001, uma
pesquisa feita pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, concluiu que os
golfinhos são capazes de reconhecer a própria imagem refletida no
espelho. Antes disso, apenas os macacos pongídeos os mais próximos
do homem, como gorilas e chimpanzés haviam demonstrado essa habilidade.
Os golfinhos se incluem nas famílias de animais que têm um repertório
de sons maior que o de outras espécies para se comunicar entre si. No reino
marinho, esse também é o caso das focas. Elas produzem músicas
complexas para interagir com o grupo e os machos lançam mão do mesmo
estratagema para atrair as fêmeas. Uma pesquisa publicada recentemente no
jornal da Acoustical Society of America, entidade científica americana
que estuda os sons, sugere que o timbre de voz das focas varia de acordo com a
região geográfica em que elas se encontram. As focas, porém,
reconhecem apenas o timbre de voz. Já os golfinhos são capazes de
entender o conteúdo das mensagens.
Como é a linguagem dos golfinhos Num
bando de golfinhos, cada um deles é chamado pelos companheiros por um "nome",
expresso por um grunhido que dura menos de um segundo e é semelhante ao
assovio agudo. Não se sabe quem batiza cada golfinho, mas desconfia-se
que seja sua mãe. | | |