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Esporte O
ataque da legião estrangeira O
brasileiro Leandrinho é a mais nova estrela da liga de equipes
profissionais dos Estados Unidos  André
Fontenelle
Ao
lado do faturamento de publicidade e das bilheterias, o que mais aumenta a cada
ano na liga americana de basquetebol profissional, a NBA, é o número
de jogadores de fora dos Estados Unidos que se destacam nas quadras. Na semana
passada, pela primeira vez, o nome mais comentado entre os 150 milhões
de fãs do basquete espalhados pelos EUA foi o de um brasileiro: Leandro
Barbosa, conhecido como Leandrinho pelos brasileiros e como Barbosa pelos americanos.
Leandrinho teve participação decisiva na vitória de seu time,
o Phoenix Suns, que eliminou o poderoso Los Angeles Lakers, no qual joga Kobe
Bryant, o atleta mais badalado da atual geração. O brasileiro anotou
26 pontos na vitória por 121 a 90. O Phoenix está entre os oito
finalistas. "Durante alguns minutos, Leandro foi o cara mais rápido da
Terra. Eu nunca tinha visto nada igual", disse o técnico do Phoenix, Mike
D'Antoni. "Leandro vai continuar melhorando e vai se tornar um jogador fantástico",
elogiou o ídolo Bryant. Aos
23 anos, Leandrinho começa a se destacar em seu terceiro ano na NBA. É
comum que jogadores estrangeiros levem mais tempo que isso para brilhar, sobretudo
porque o jogo nas quadras americanas é mais bruto do que no resto do mundo.
"Agora, tenho muito mais confiança. Não fico tão preocupado
com a quantidade de pontos", diz o jogador paulista, que despontou no cenário
do basquete jogando pelo time de Bauru, no interior de São Paulo. "Tento
apenas ser agressivo na quadra. É assim que gosto de jogar." Tem dado certo,
aparentemente. Seu contrato foi renovado para o campeonato de 2007, por um salário
anual calculado em 1,7 milhão de dólares. É dez vezes mais
do que um bom jogador ganha no Brasil, mas um décimo do que ganha Shaquille
O'Neal, o astro mais bem pago do basquete.
Neste ano há 82 jogadores estrangeiros, de 38 países, atuando na
NBA, um número recorde. Eles representam 20% do total de atletas da liga.
Entre os oito times finalistas, a proporção é semelhante,
com dezenove estrangeiros ao todo. Na liga existem jogadores procedentes de toda
parte, da Polônia ao Sudão, do Haiti à Austrália. O
maior contingente vem das repúblicas da antiga Iugoslávia, uma potência
tradicional do basquete. Há oito sérvio-montenegrinos, cinco eslovenos
e quatro croatas. A turma brasileira tem quatro nomes. Antes de Leandrinho, o
mais badalado era o pivô Nenê, que joga desde 2002 no Denver Nuggets.
Mas sua carreira vem sendo prejudicada por contusões. Os outros dois são
Ânderson Varejão, que é reserva do Cleveland Cavaliers, tem
tido boas atuações e está com seu time também entre
os oito finalistas desta temporada, e Rafael Araújo, o Baby, pivô
do Toronto Raptors. A invasão
estrangeira reflete, em parte, uma estratégia da NBA para aumentar sua
divulgação em todo o planeta. A liga possui escritórios especializados
para essa tarefa e olheiros que percorrem o mundo à procura de novos talentos.
É claro, porém, que os jogadores de outros países não
sobreviveriam na competitiva liga americana se não fossem realmente bons.
Por outro lado, foi o televisionamento internacional dos jogos da NBA, que começou
nos anos 80 e transformou nomes como Michael Jordan e Magic Johnson em ídolos
planetários, que estimulou garotos do mundo inteiro a praticar basquete.
Talvez o melhor exemplo seja o do argentino Manu Ginóbili, do San Antonio
Spurs, atual campeão da NBA. Hoje com 28 anos, Ginóbili já
era um jogador consagrado na Europa quando foi contratado pelo San Antonio, em
2002. Mesmo assim, aceitou o aparente rebaixamento de começar como reserva
na liga americana. No ano passado foi o principal jogador de sua equipe na conquista
do título. O sucesso de Ginóbili e a medalha de ouro que a Argentina
conquistou nas Olimpíadas de 2004 despertaram um interesse sem precedentes
de seus compatriotas pelo basquete. Os sete jogos da decisão do ano passado
foram transmitidos pela TV aberta, um fato inédito no país. Outros
dois jogadores da Argentina, Andrés Nocioni e Carlos Delfino, também
foram para a NBA e estão se destacando.
Um resultado curioso do sucesso estrangeiro na NBA é a inversão
de papéis. Bons jogadores americanos que não conseguem espaço
na liga do próprio país estão se transferindo para clubes
europeus. O CSKA Moscou, da Rússia, que no mês passado conquistou
a liga européia, tem três americanos em sua equipe. Outra conseqüência
é que os Dream Teams, nome dado às seleções de profissionais
americanos que disputam os Jogos Olímpicos, já não assustam
mais ninguém. Os argentinos que o digam. |