Edição 1956 . 17 de maio de 2006

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Esporte
O ataque da legião estrangeira

O brasileiro Leandrinho é a mais
nova estrela da liga de equipes
profissionais dos Estados Unidos


André Fontenelle


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Os leões latinos da NBA

Ao lado do faturamento de publicidade e das bilheterias, o que mais aumenta a cada ano na liga americana de basquetebol profissional, a NBA, é o número de jogadores de fora dos Estados Unidos que se destacam nas quadras. Na semana passada, pela primeira vez, o nome mais comentado entre os 150 milhões de fãs do basquete espalhados pelos EUA foi o de um brasileiro: Leandro Barbosa, conhecido como Leandrinho pelos brasileiros e como Barbosa pelos americanos. Leandrinho teve participação decisiva na vitória de seu time, o Phoenix Suns, que eliminou o poderoso Los Angeles Lakers, no qual joga Kobe Bryant, o atleta mais badalado da atual geração. O brasileiro anotou 26 pontos na vitória por 121 a 90. O Phoenix está entre os oito finalistas. "Durante alguns minutos, Leandro foi o cara mais rápido da Terra. Eu nunca tinha visto nada igual", disse o técnico do Phoenix, Mike D'Antoni. "Leandro vai continuar melhorando e vai se tornar um jogador fantástico", elogiou o ídolo Bryant.

Aos 23 anos, Leandrinho começa a se destacar em seu terceiro ano na NBA. É comum que jogadores estrangeiros levem mais tempo que isso para brilhar, sobretudo porque o jogo nas quadras americanas é mais bruto do que no resto do mundo. "Agora, tenho muito mais confiança. Não fico tão preocupado com a quantidade de pontos", diz o jogador paulista, que despontou no cenário do basquete jogando pelo time de Bauru, no interior de São Paulo. "Tento apenas ser agressivo na quadra. É assim que gosto de jogar." Tem dado certo, aparentemente. Seu contrato foi renovado para o campeonato de 2007, por um salário anual calculado em 1,7 milhão de dólares. É dez vezes mais do que um bom jogador ganha no Brasil, mas um décimo do que ganha Shaquille O'Neal, o astro mais bem pago do basquete.

Neste ano há 82 jogadores estrangeiros, de 38 países, atuando na NBA, um número recorde. Eles representam 20% do total de atletas da liga. Entre os oito times finalistas, a proporção é semelhante, com dezenove estrangeiros ao todo. Na liga existem jogadores procedentes de toda parte, da Polônia ao Sudão, do Haiti à Austrália. O maior contingente vem das repúblicas da antiga Iugoslávia, uma potência tradicional do basquete. Há oito sérvio-montenegrinos, cinco eslovenos e quatro croatas. A turma brasileira tem quatro nomes. Antes de Leandrinho, o mais badalado era o pivô Nenê, que joga desde 2002 no Denver Nuggets. Mas sua carreira vem sendo prejudicada por contusões. Os outros dois são Ânderson Varejão, que é reserva do Cleveland Cavaliers, tem tido boas atuações e está com seu time também entre os oito finalistas desta temporada, e Rafael Araújo, o Baby, pivô do Toronto Raptors.

A invasão estrangeira reflete, em parte, uma estratégia da NBA para aumentar sua divulgação em todo o planeta. A liga possui escritórios especializados para essa tarefa e olheiros que percorrem o mundo à procura de novos talentos. É claro, porém, que os jogadores de outros países não sobreviveriam na competitiva liga americana se não fossem realmente bons. Por outro lado, foi o televisionamento internacional dos jogos da NBA, que começou nos anos 80 e transformou nomes como Michael Jordan e Magic Johnson em ídolos planetários, que estimulou garotos do mundo inteiro a praticar basquete. Talvez o melhor exemplo seja o do argentino Manu Ginóbili, do San Antonio Spurs, atual campeão da NBA. Hoje com 28 anos, Ginóbili já era um jogador consagrado na Europa quando foi contratado pelo San Antonio, em 2002. Mesmo assim, aceitou o aparente rebaixamento de começar como reserva na liga americana. No ano passado foi o principal jogador de sua equipe na conquista do título. O sucesso de Ginóbili e a medalha de ouro que a Argentina conquistou nas Olimpíadas de 2004 despertaram um interesse sem precedentes de seus compatriotas pelo basquete. Os sete jogos da decisão do ano passado foram transmitidos pela TV aberta, um fato inédito no país. Outros dois jogadores da Argentina, Andrés Nocioni e Carlos Delfino, também foram para a NBA e estão se destacando.

Um resultado curioso do sucesso estrangeiro na NBA é a inversão de papéis. Bons jogadores americanos que não conseguem espaço na liga do próprio país estão se transferindo para clubes europeus. O CSKA Moscou, da Rússia, que no mês passado conquistou a liga européia, tem três americanos em sua equipe. Outra conseqüência é que os Dream Teams, nome dado às seleções de profissionais americanos que disputam os Jogos Olímpicos, já não assustam mais ninguém. Os argentinos que o digam.

 
 
 
 
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