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Auto-retrato Rogério
Figueiredo
Lailson
Santos
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Mais
de 1 000 pessoas, reunidas por entidades ligadas ao Fundo de Solidariedade do
governo de São Paulo, pararam o trânsito na frente de um ateliê
de moda no bairro dos Jardins, em manifestação a favor de sua ex-patronesse,
Maria Lúcia Alckmin mulher do ex-governador e hoje candidato do
PSDB à Presidência Geraldo Alckmin , e contra o estilista Rogério
Figueiredo, que diz ter abastecido o guarda-roupa dela de graça por dois
anos. O protesto, com carro de som e arremedos de strip-tease, indignou Figueiredo,
que, em entrevista à repórter Sandra Brasil, voltou à carga.
A MANIFESTAÇÃO O PEGOU DE SURPRESA?
Fui avisado por telefone quando já estavam a caminho. As pessoas deviam
estar fazendo protesto contra a fome e contra outras dificuldades que os pobres
têm no Brasil, e não para defender uma ex-primeira-dama que ganhou
roupa de um estilista. Me chamaram de fofoqueiro, de barraqueiro, e fizeram um
enterro de supostas roupas minhas em um caixão na frente da loja. Dei as
roupas e, em vez de gratidão, recebi a manifestação. Foi
um soco na minha cara. No dia seguinte, alguém passou em frente à
loja, baixou o vidro do carro e me ameaçou. Vou passar a andar escoltado
por quatro seguranças. AFINAL,
COM QUANTAS PEÇAS DE ROUPA VOCÊ PRESENTEOU MARIA LÚCIA QUANDO
ELA ERA PRIMEIRA-DAMA DE SÃO PAULO? PRIMEIRO FALOU EM 400, DEPOIS DISSE
QUE NÃO LEMBRAVA... Calculo que foram mesmo umas 400 peças.
Acontece que, quando prestei depoimento ao Ministério Público, soube
que tinha de pagar impostos e emitir nota fiscal sobre essas roupas. Então,
não podia dizer besteira, tinha de saber o número exato. Está
sendo feito um levantamento de tudo o que foi doado a ela. Já posso afirmar,
com certeza, que são mais de 200 peças. Só de tricô,
são cento e poucas. Não 49, como ela fala. Essa quantidade eu dei
na primeira leva. COMO ERA O SEU RELACIONAMENTO
COM ELA? Ficamos muito amigos. Muita coisa eu fiz por prazer. Tinha semana
que eu ia ao Palácio dos Bandeirantes fazer prova de nove a dez roupas.
Gente, era para eu me promover. Estava iniciando uma carreira e era uma propaganda
boa. Uma troca: eu dava roupas, ela me dava prestígio. TODAS
AS ROUPAS ERAM USADAS? Como primeira-dama, ela tinha muitos compromissos.
Além disso, como transpira muito, não pode vestir a mesma coisa
de manhã e à tarde. Roupa de seda pura, por exemplo, manchava depois
de um ou dois usos. O EX-GOVERNADOR GERALDO
ALCKMIN SABIA QUE A MULHER GANHAVAS ROUPAS DE PRESENTE? Acredito que sim.
Era tanta roupa, né? Mas ela nunca comentou comigo. VOCÊ
VOLTOU A FALAR COM MARIA LÚCIA? Não tivemos mais contato.
As relações estão cortadas e cada um que se defenda da melhor
maneira possível. Ela podia ter me procurado para tentar resolver isso
de uma forma sensata. Não quero sair prejudicado dessa história.
Não fiz nenhuma denúncia contra ela, só comentários.
Quem sou eu para querer derrubar alguém? Não é do meu feitio,
nem da minha educação. PERDEU
ALGUMA CLIENTE POR CAUSA DISSO? Não. O ateliê continua divinamente
bem. Tenho noivas com vestidos pagos até o fim de 2007.
CONTINUA DOANDO ROUPAS? Eu sempre dôo roupas
a artistas. Mas não vou citar nomes porque não quero envolver mais
pessoas. Estou traumatizado. Só sei que, de agora em diante, para mulher
de político, não só não vou dar como vou cobrar três
vezes mais. EM QUEM VOCÊ VAI VOTAR
PARA PRESIDENTE? Sempre anulo o voto. Não tenho partido. Só
votei uma vez, no Paulo Maluf, para prefeito. E, se a Maria Lúcia virar
primeira-dama do Brasil, dou uma dica: siga o exemplo de Evita Perón. O
povo gosta de ver gente bonita. |