Edição 1 649- 17/5/2000

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Lauro Jardim

Chico Caruso/O Globo

Galho dentro

– Pegar ladrão? Não foi pra isso que fizemos a globalização...

POLÍTICA

Até que enfim
A avaliação de FHC sobre a vitória do governo na longuíssima novela do salário mínimo é de que, pela primeira vez, o PSDB assumiu de fato a condução do processo político.

Mudança de estatura 1
Já dá para fazer as contas com segurança: o PFL sai do imbróglio do salário mínimo menor do que entrou...

Mudança de estatura 2
...E dentro do PFL o tamanho de ACM também diminuiu consideravelmente.

 

ECONOMIA

Espuma argentina
A Heineken e a Quilmes, dona de 75% do mercado de cervejas argentino, estão se entendendo para comprar a Kaiser. Já houve pelo menos uma rodada de conversas entre as três empresas. Se o negócio avançar será uma espécie de troco: há sete anos, a Brahma abriu uma fábrica na Argentina e já tomou 15% do mercado de lá.

De mãos dadas
O Itaú e o Banco Bandeirantes estarão mais juntos de que nunca até o mês que vem.

Desembarque seguro
A Aetna, gigante americana da área de seguros, deu dois avisos à Sul América, com quem tem uma parceria. Primeiro: não está mais interessada em continuar o casamento. Segundo: já tem candidato para comprar sua parte e também a da Sul América. Agora, a bola está nos pés da seguradora brasileira, que detém a preferência para ficar com a parte de sua atual sócia.

Vai sair
Vão de vento em popa os estudos para a implantação de uma superagência de fiscalização e regulamentação do setor de seguros no país, nos moldes da ANP e da Anatel. Com isso, seriam extintas a Susep, xerife da área de seguros, e a Secretaria de Previdência Complementar, que cuida dos fundos de pensão. O que ainda está em discussão é se a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) será engolida também pela nova agência.

Não é pra valer
O já manifestado interesse da Petrobras pela compra do grupo Ipiranga é só brincadeirinha.

O rei da borracha
O sumido Shigeaki Ueki, ex-todo-poderoso da Petrobras no regime militar, continua nas sombras, mas sempre ativíssimo. Procurou recentemente a Copene para comprar 20% que ela possui da Petroflex, a maior fabricante de borracha sintética do país. No ano passado, Ueki já comprara uma fatia de 8,5% da empresa.

 

INTERNACIONAL

Fim de festa
No início do mês, a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, discursou no Conselho das Américas sobre a pobreza e "os governos ineficazes" na América Latina. O texto possuía parágrafos idênticos aos de um pronunciamento feito pela secretária uma semana antes. Fim de governo é fogo: as autoridades não têm prestígio para que seus assessores se esforcem para mover um lápis.s

 

POBREZA

Menos mal
O economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, andou fazendo umas contas em cima de números do IBGE e descobriu o seguinte: a proporção de pobres na população total do Brasil caiu 6% entre 1996 e 1998. Mas, quando se fecha a lente apenas sobre as seis principais regiões metropolitanas do país, o número de miseráveis sobe 1,6%. É um resultado um tanto surpreendente para quem lê, dia após dia, informações dando conta do avanço da miséria no Brasil. Mas a explicação é simples: os dados que se divulgam com estardalhaço são os dos grandes centros, onde a crise é mais cruel.

 

TELEVISÃO

Gugu na Globo
Calma, é só por um programa. Mas já está decidido que Gugu Liberato pisará neste mês, pela primeira vez em sua vida, os estúdios da Globo, no Rio. Participará da série que comemora os 50 anos da televisão brasileira. No mesmo dia, Marlene Mattos, a diretora do programa, também botará no palco da emissora carioca os apresentadores Raul Gil e Hebe Camargo.




Do outro mundo

André Penner
Marisa Uchiyama
Neila e Cals: o sobrenatural

A história que se segue é antiga, mas só conhecida por alguns poucos diretores da Petrobras: por pouco a exploração petrolífera brasileira não ficou a cargo do sobrenatural. No início dos anos 80, quando era ministro de Minas e Energia, César Cals teve uma idéia luminosa para dar auto-suficiência de petróleo ao Brasil. Levou a vidente mineira Neila Alckmin, a preferida de Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, para sobrevoar a Bacia de Campos. Cals queria que ela apontasse os pontos onde a Petrobras deveria furar para encontrar óleo. Neila acionou seus poderes e desenhou um mapa cheio de pontinhos. O ministro deu ordens à Petrobras para prospectar os locais apontados pela vidente. A loucura só não se concretizou porque a diretoria da estatal recusou-se a levar adiante aquela (caríssima) brincadeira.