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Recriando a criatura
Animação por computadores,
análise de
laboratório e novas descobertas mostram
detalhes surpreendentes dos dinossauros
Walt Disney Pictures
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A FICÇÃO
E A REALIDADE
Os produtores
do filme da Disney (acima)
encheram 70 000 CDs-ROM
para desenhar as cenas hiper-realistas
da saga de Aladar
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Mesmo extintos há 65 milhões de anos, os
dinossauros continuam evoluindo. A cada ano ficam mais espertos,
coloridos, revelam comportamentos insuspeitos e até
sua forma ganha novos contornos. Na versão comemorativa
da virada do milênio, esses monstruosos répteis
estão mais sedutores e surpreendentes do que nunca
justamente no habitat onde estão conseguindo sobreviver
para sempre, o cinema. No novo filme produzido pelos estúdios
Walt Disney e em pelo menos duas grandes exposições
nos Estados Unidos, os gigantescos lagartos pré-históricos
estão de volta. Nesta semana estréia nos cinemas
americanos o épico Dinossauro, um arroubo
cinematográfico de 200 milhões de dólares,
três vezes mais caro do que Parque dos Dinossauros,
de Steven Spielberg, e recheado de truques e detalhes
jamais vistos. Em Nova York será exibida pela primeira
vez uma versão coberta de penas de um exemplar do
velociraptor, um bicho ardiloso e traiçoeiro que
no filme de Spielberg queria devorar as criancinhas. À
beira do Lago Michigan, em Chicago, será a vez de
ser exibida ao público Sue, a mais perfeita ossada
do temível tiranossauro rex já encontrada.
Ela ficou dez anos guardada em laboratórios e só
agora será possível examiná-la no Field
Museum. Sue tem vestígios de articulação
e musculatura fossilizados mas praticamente intactos.
AMNH/D. Finnin
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| Em Nova York, fósseis
de dinossauros em luta (acima) são exibidos
ao lado de ninhos
onde pais morreram protegendo
seus ovos |
Principal estrela da temporada de verão e com estréia
prevista para junho no Brasil, o filme Dinossauro
é uma revolução na forma de usar a
tecnologia para reconstruir o passado. Totalmente gerado
nos computadores do estúdio da Disney na Califórnia,
tem historinha edificante, bichos falantes e simpáticos.
Mas nunca uma fita de animação foi tão
longe na combinação de recursos digitais e
pesquisas paleontológicas para contar uma fábula
infantil. "O filme só funcionaria se o público
visse os bichos como personagens reais e não como
produtos de animação", resume um dos diretores
do filme, Ralph Zontag. Para chegar a esse resultado, 900
pessoas empregaram 550 computadores e produziram um volume
de dados suficiente para entupir 70000 CDs-ROM em seis anos.
Enquanto em seu filme Spielberg misturou computação
gráfica com bonecos miniaturizados e em tamanho natural,
os técnicos da Disney só abriram mão
da digitalização para produzir os cenários.
A espetacular seqüência de abertura, em que um
oviraptor rouba do ninho um ovo onde está o herói
da história um iguanodonte chamado Aladar
, é uma demonstração do que se
desenrolará na tela. Começa aí uma
viagem de tirar o fôlego em que o ovo passa pelas
garras de um pteranodonte e voa sobre cenários filmados
nos quatro cantos do planeta e enxertados com trinta espécies
de dinossauro.
Walt Disney Pictures
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Walt Disney Pictures
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Walt Disney Pictures/Reuters
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Walt Disney Pictures/Reuters
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| Pesquisas
paleontológicas e estudos realizados com elefantes
ajudaram a equipe da Disney a reconstruir o
passado dos dinossauros.
A anatomia de cada um dos bichos foi estudada em detalhes
antes de ser digitalizada |
AMNH/D. Finnin
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| O bisavô dos
pássaros: cientistas
descobriram que
os velociraptores eram
cobertos de penas |
Aladar é um herbívoro de 5 metros de altura
adotado por uma família de lêmures, primatas
pré-históricos cujos descendentes vivem hoje
em ilhas remotas. Para conseguir desenhá-lo nos computadores,
o diretor Eric Leighton passou semanas enfiado em um museu
estudando o esqueleto de um tenontossauro de 100 milhões
de anos, bastante parecido com o iguanodonte. Com a ajuda
do fóssil e de paleontologistas, pôde reconstituir
o tipo de movimento que a criatura era capaz de fazer. Descobriu
ainda que um dos três dedos da pata do réptil
podia funcionar como uma garra, tornando-o capaz de segurar
ramos de árvores. Para fazer o iguanodonte se mexer
com perfeição, um grupo de designers foi enviado
a reservas de elefantes para analisar seus movimentos e
usá-los como modelo para os répteis do passado.
No caso de outro dinossauro, um braquiossauro, os cálculos
baseados no tamanho do animal, seu possível peso
e o estudo dos elefantes produziram uma forma de andar bastante
peculiar: o bicho gira e balança as patas enquanto
se move. O monstruoso carnotauro, um carnívoro parecido
com o tiranossauro, teve sua pele desenhada tendo como padrão
uma raríssima ossada envolvida com tecido fossilizado.
Nunca houve antes uma reconstrução tão
criteriosa desses bichos extintos.
Walt Disney Pictures
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Como não podia deixar de ser, a Disney tomou liberdades
ficcionais que já provocaram queixas dos dinomaníacos
e cientistas. Os animadores enfiaram uma musculatura refinada
no focinho dos dinossauros para recriar lábios salientes
que nunca existiram. Tudo foi feito para dar expressão
aos bichos e permitir que eles falassem. O ressurgimento
dos dinossauros nos museus obviamente não faz concessões
a enredos. Mas não é menos surpreendente.
Na exposição Fighting Dinosaurs, no
Museu de História Natural, em Nova York, topa-se
com um estranhíssimo bicho com bico repleto de dentes
e penas coloridas. É um tipo de velociraptor, aquele
mesmo dinossauro inteligente, de garras e dentes afiados,
que perseguia os netos do criador do Parque dos Dinossauros.
O modelo foi construído com base nas pesquisas paleontológicas
feitas com fósseis do Deserto de Gobi, na Mongólia,
e é um passo decisivo em direção à
teoria de que alguns dinossauros evoluíram na forma
de pássaros. Os pesquisadores acharam nos fósseis
uma substância conhecida como queratina, comum nas
penas das aves, o que os leva a crer que o réptil
tinha penas. "O animal real é bem diferente do velociraptor
que virou estrela de cinema", diz o chefe do departamento
de paleontologia de vertebrados do museu, Mark Norell. E
não apenas no aspecto externo. Ainda dentro da categoria
dos raptores, a exposição exibe um ninho fossilizado,
cheio de ovos e com um oviraptor adulto que parece tentar
proteger suas futuras crias. O achado embaralha a teoria
de que os dinossauros eram bichos individualistas que punham
ovos e os deixavam ao léu, largando os filhotes à
própria sorte. É um sinal de que os produtores
da Disney não foram tão delirantes assim ao
mostrar que seus répteis gigantes podiam ter emoções
ternas.
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