Beleza americana
Para enfrentar o design europeu e sacudir
o marasmo, Detroit redesenha seus carros
Alice Granato
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| Buick LaCrosse: toques antigos,
tecnologia moderna e delírio sob medida para
o gosto dos americanos |
Durante décadas, a indústria automobilística
americana criou ícones sobre rodas. Da linha de montagem
de Detroit saíram gerações exuberantes
de Cadillac, Buick, Mustang e Corvette. Nos anos 70, a mágica
desvaneceu-se. A liderança do design foi assumida
pelos fabricantes europeus, de cujas pranchetas brotam o
luxo, a força e a graça dos BMW, Audi, Porsche,
Jaguar e, para felicidade dos jovens endinheirados do índice
Nasdaq, também do Beetle, da Volkswagen. A disputa
parecia definitivamente perdida, mas dois anos atrás
Detroit engatou a marcha da reação. O novo
design americano é tão arrojado que, bem,
nem parece carro americano. Linhas aerodinâmicas,
cores vibrantes, grades cromadas e truques retrô combinados
com alta tecnologia dão o tom do redesenho. São
ainda grandalhões na maioria, com mais de 4 metros
de comprimento. O que não deixa de ser uma qualidade
num país de ruas largas e tanto espaço sobrando.
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| Equator, da Ford,
e Nesbitt com o PT Cruiser: "Emoções dos
anos 30 e arquitetura contemporânea" |
A reação não podia mesmo esperar.
Numa pesquisa recente, os consumidores americanos elegeram
seis modelos alemães como os melhores numa lista
de sete categorias de veículos de passeio. O primeiro
movimento da contra-ofensiva foi melhorar a tecnologia utilizada,
que perdia feio para a dos japoneses e europeus. O segundo
foi roubar talentos da concorrência estrangeira, pagando
salários milionários, para desenhar novos
carros. Por fim, sair à caça de projetistas
jovens, quanto mais jovens melhor. Os resultados já
podem ser conferidos nos salões de automóveis.
Pela primeira vez em décadas, os modelos americanos
não parecem todos saídos da mesma prancheta.
O exemplo mais fulminante é o PT Cruiser, da Chrysler,
lançado neste ano. "Ele combina a riqueza de emoções
dos veículos feitos entre os anos 30 e 60 com a arquitetura
e a tecnologia contemporâneas", explica Bryan Nesbitt,
31 anos de idade e autor do projeto. Todos os 186.000
PT Cruiser produzidos foram vendidos rapidamente, a um preço
médio de 20.000 dólares.
"O grito de rebeldia de uma indústria estagnada",
exagerou uma revista especializada. Os brasileiros poderão
ver de perto os arroubos estilísticos do novo Chrysler
a partir de dezembro, quando começa a ser vendido
por aqui.
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| 300 Hemi C da Chrysler: motor V8,
353 cavalos de potência e muito luxo |
A Chrysler, que quase faliu em 1992, guarda na manga ainda
um espetacular conversível já apresentado
como conceito: o 300 Hemi C, um torpedo luxuoso, repleto
de detalhes clássicos, equipado com o formidável
motor V8 de 353 cavalos de potência. Esse carro de
sonhos foi exposto no Salão de Detroit deste ano
e deu água na boca aos aficionados da velocidade.
Na mesma exposição, o Buick LaCrosse mostra
que a General Motors também está varrendo
a poeira de suas pranchetas. Com linhas arredondadas e uma
enorme grade cromada em meio a faróis de desenho
agressivo, o bólido vermelho ainda é conceito,
vai custar caro e dificilmente será vendido além
das fronteiras americanas. "É um automóvel
feito para um país como os Estados Unidos, onde qualquer
delírio é possível", resume o gerente
de design da GM brasileira, Adalberto Dogsan Neto. Com uma
proposta mais pragmática, a Ford aposta na corrente
batizada de "industrial design". São veículos
modernos que remetem à maquinaria industrial dos
anos 20 e 30. "É uma tendência que aposta na
beleza dura dos materiais aparentes, como parafusos e peças
estruturais", diz Fabricio Marcel Toscano, designer da Ford
do Brasil. O significado de industrial design pode ser conferido
no Ford Equator, carro-conceito apresentado neste ano. É
uma picape esportiva, com amplo espaço interno e
desempenho robusto. Mais uma ficha na aposta da ressurreição
de Detroit.
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