Edição 1 649 -17/5/2000

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Beleza americana

Para enfrentar o design europeu e sacudir
o marasmo, Detroit redesenha seus carros

Alice Granato

 
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Buick LaCrosse: toques antigos, tecnologia moderna e delírio sob medida para o gosto dos americanos

Durante décadas, a indústria automobilística americana criou ícones sobre rodas. Da linha de montagem de Detroit saíram gerações exuberantes de Cadillac, Buick, Mustang e Corvette. Nos anos 70, a mágica desvaneceu-se. A liderança do design foi assumida pelos fabricantes europeus, de cujas pranchetas brotam o luxo, a força e a graça dos BMW, Audi, Porsche, Jaguar e, para felicidade dos jovens endinheirados do índice Nasdaq, também do Beetle, da Volkswagen. A disputa parecia definitivamente perdida, mas dois anos atrás Detroit engatou a marcha da reação. O novo design americano é tão arrojado que, bem, nem parece carro americano. Linhas aerodinâmicas, cores vibrantes, grades cromadas e truques retrô combinados com alta tecnologia dão o tom do redesenho. São ainda grandalhões na maioria, com mais de 4 metros de comprimento. O que não deixa de ser uma qualidade num país de ruas largas e tanto espaço sobrando.

 
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Equator, da Ford, e Nesbitt com o PT Cruiser: "Emoções dos anos 30 e arquitetura contemporânea"

A reação não podia mesmo esperar. Numa pesquisa recente, os consumidores americanos elegeram seis modelos alemães como os melhores numa lista de sete categorias de veículos de passeio. O primeiro movimento da contra-ofensiva foi melhorar a tecnologia utilizada, que perdia feio para a dos japoneses e europeus. O segundo foi roubar talentos da concorrência estrangeira, pagando salários milionários, para desenhar novos carros. Por fim, sair à caça de projetistas jovens, quanto mais jovens melhor. Os resultados já podem ser conferidos nos salões de automóveis. Pela primeira vez em décadas, os modelos americanos não parecem todos saídos da mesma prancheta. O exemplo mais fulminante é o PT Cruiser, da Chrysler, lançado neste ano. "Ele combina a riqueza de emoções dos veículos feitos entre os anos 30 e 60 com a arquitetura e a tecnologia contemporâneas", explica Bryan Nesbitt, 31 anos de idade e autor do projeto. Todos os 186.000 PT Cruiser produzidos foram vendidos rapidamente, a um preço médio de 20.000 dólares. "O grito de rebeldia de uma indústria estagnada", exagerou uma revista especializada. Os brasileiros poderão ver de perto os arroubos estilísticos do novo Chrysler a partir de dezembro, quando começa a ser vendido por aqui.

 
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300 Hemi C da Chrysler: motor V8, 353 cavalos de potência e muito luxo

A Chrysler, que quase faliu em 1992, guarda na manga ainda um espetacular conversível já apresentado como conceito: o 300 Hemi C, um torpedo luxuoso, repleto de detalhes clássicos, equipado com o formidável motor V8 de 353 cavalos de potência. Esse carro de sonhos foi exposto no Salão de Detroit deste ano e deu água na boca aos aficionados da velocidade. Na mesma exposição, o Buick LaCrosse mostra que a General Motors também está varrendo a poeira de suas pranchetas. Com linhas arredondadas e uma enorme grade cromada em meio a faróis de desenho agressivo, o bólido vermelho ainda é conceito, vai custar caro e dificilmente será vendido além das fronteiras americanas. "É um automóvel feito para um país como os Estados Unidos, onde qualquer delírio é possível", resume o gerente de design da GM brasileira, Adalberto Dogsan Neto. Com uma proposta mais pragmática, a Ford aposta na corrente batizada de "industrial design". São veículos modernos que remetem à maquinaria industrial dos anos 20 e 30. "É uma tendência que aposta na beleza dura dos materiais aparentes, como parafusos e peças estruturais", diz Fabricio Marcel Toscano, designer da Ford do Brasil. O significado de industrial design pode ser conferido no Ford Equator, carro-conceito apresentado neste ano. É uma picape esportiva, com amplo espaço interno e desempenho robusto. Mais uma ficha na aposta da ressurreição de Detroit.

 
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