Doping high tech
Novos equipamentos que melhoram desempenho
reproduzem os efeitos dos aditivos proibidos
Sérgio Ruiz Luz
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Reuters
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Dois equipamentos criados para vitaminar
a performance dos atletas nas Olimpíadas de Sydney,
em setembro, estão provocando a seguinte discussão:
até que ponto a tecnologia representa uma nova forma
de doping? Uma das inovações questionadas
é o novo maiô de natação fabricado
pela Speedo. Batizada de fast skin (pele rápida),
a roupa adere ao corpo do atleta e diminui o atrito na água.
O ganho hidrodinâmico é de 3% em relação
à pele humana. É a diferença entre
receber uma medalha de ouro e ficar fora da final. A Federação
Internacional de Natação liberou o modelito.
Mas equipes de respeito, como a da Austrália, temem
que o traje seja declarado ilegal. O outro aparelho que
está gerando controvérsia é a tenda
que simula as condições de ar rarefeito encontradas
em altitudes elevadas. Conhecida como câmara hipóxica,
a engenhoca faz com que esportistas produzam mais glóbulos
vermelhos. Isso aumenta a captação de oxigênio
e melhora seu transporte pelo sangue. O resultado é
um valioso fôlego extra para as provas de longa duração.
"Não vejo como podemos impedir isso", afirma John
Coates, presidente do Comitê Olímpico Australiano.
"Mas é um assunto para pensar, não?"
O uso da câmara hipóxica tem deixado as autoridades
esportivas de cabelo em pé porque produz os mesmos
efeitos da eritropoetina. Também conhecida pela sigla
EPO, a substância está na lista de drogas proibidas
pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). A
entidade ainda não encontrou um mecanismo para detectar
o uso desse aditivo. Para piorar o constrangimento geral,
surgiu agora a tal tenda de oxigênio, que mira nos
mesmos objetivos da droga proibida. No Brasil, a novidade
já faz parte da preparação do triatleta
Leandro Macedo, 32 anos. Macedo montou uma barraca em sua
casa, em Brasília, e vai dormir dentro dela até
as vésperas dos Jogos. A expectativa é de
que consiga melhorar em até 2% sua performance com
a ajuda da máquina. Parece pouco, mas equivale a
2 minutos de vantagem numa prova que pode ser decidida pela
diferença de segundos. "Seria ingênuo descartar
a tenda quando os outros competidores a estão utilizando",
afirma o professor de educação física
Roberto Landwehr, responsável pelo treinamento do
triatleta.
Ana Araujo
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Ana Ara
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| O triatleta Leandro:
"É como treinar nas montanhas" |
Os estudos dos efeitos da altitude sobre a performance
física começaram a ser realizados depois dos
Jogos Olímpicos de 1968. A competição
realizada na Cidade do México, a 2.400
metros de altitude, registrou nas corridas de média
e longa distância o triunfo de atletas de países
montanhosos, como Tunísia, Etiópia e Quênia,
enquanto australianos e americanos, tidos como favoritos,
mal conseguiam alcançar a linha de chegada. Pesquisas
confirmaram que o treinamento em altitude elevada produzia
um ganho de desempenho em provas de resistência, e
alguns países, como os Estados Unidos, começaram
a levar seus atletas para se condicionar em cidades montanhosas.
"A única coisa que a tenda de oxigênio faz
é reproduzir essas condições naturais",
acredita Leandro Macedo.
A tenda de oxigênio e o maiô de natação
da Speedo entraram no fogo cruzado da polêmica exatamente
porque não são naturais. Como o doping químico,
alteram de forma artificial o desempenho dos atletas. Os
especialistas da Speedo desenvolveram o fast skin
com base na observação da forma de nadar dos
tubarões. A textura da pele do peixe minimiza o atrito
com a água. A roupa de malha inteiriça, com
jeito de uniforme do Batman, reproduz esse efeito. "O maiô
é apenas um instrumento para facilitar o desenvolvimento
das habilidades dos atletas", afirma Alberto Klar, técnico
do Clube Pinheiros, em São Paulo. Por serem patrocinados
por uma marca esportiva diferente, Gustavo Borges e outras
estrelas nacionais das piscinas ainda não sabem se
vão poder cair nas águas de Sydney com a roupa
high tech.
As invenções de Sydney
Divulgação
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| A camisa da Nike: tecido de
garrafa plástica reciclada |
Os fabricantes de produtos esportivos vão lançar
nas Olimpíadas de Sydney vários equipamentos
mirabolantes. Uma das novidades é a camiseta
para corredores confeccionada com garrafas plásticas
de refrigerante recicladas. O produto da Nike apresenta
vários poros para facilitar a transpiração
dos maratonistas. Será o uniforme oficial da
delegação americana dessa prova. A empresa
estuda lançá-la comercialmente em julho
do próximo ano. Outras modalidades também
mostrarão novidades. A Adidas desenvolveu uma
bola de futebol com seis camadas de espuma sintética.
No momento do chute, ela fica ligeiramente deformada,
para em seguida voltar ao normal. Esse efeito "sanfona"
permite que seja 5% mais rápida que as antigas.
A sofisticação chega a tal ponto que os
principais nomes do atletismo competem hoje com sapatilhas
feitas sob medida, levando em consideração
o formato dos pés e o peso e a altura de cada
atleta. A Olympikus, fornecedora oficial do Comitê
Olímpico Brasileiro, preparou para a delegação
os primeiros modelos nacionais feitos com essa concepção.
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