À beira do Saara
Belas praias, passeios no deserto e preço
baixo: os brasileiros descobrem a Tunísia
Rachel Verano
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Ronny Hein
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| Passeio de camelo: turistas
se divertem nas dunas |
Um dos motivos que levaram o filme O Paciente Inglês
a se transformar em sucesso de bilheteria foram as espetaculares
cenas rodadas no Deserto do Saara. Dunas perfeitas, de areia
alaranjada contra um céu azul profundo, sobrevoadas
por um minúsculo avião, deram considerável
empurrão ao tórrido romance vivido por um
espião e uma inglesa grã-fina na II Guerra.
O que pouca gente sabe é que esse espetacular cenário
natural é acessível a qualquer turista e está
a onze horas de vôo direto de São Paulo. Um
passeio exótico que pode ser ainda desdobrado em
visitas a ruínas romanas, praias paradisíacas
do Mar Mediterrâneo e uma das mais cosmopolitas capitais
do mundo árabe. É a Tunísia, um país
pouco maior que o Estado do Ceará, localizado no
norte da África e que desde o início do ano
já foi visitado por cerca de 1.000
turistas brasileiros. Há dois anos, eram 200.
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Além de ser um lugar lindo, a Tunísia é
um país barato. Com 880 dólares é possível
passar sete dias em um resort por lá. Por um pouco
mais, pode-se trocar de cenário em deslocamentos
que raramente ultrapassam 100 quilômetros de distância.
Não é muito mais que uma semana na Argentina
e se ganha em aventura. Assim, um passeio que começa
num resort à beira-mar, de padrão internacional,
pode acabar em um oásis cercado de tendas berberes
em pleno deserto, passando por incursões a mercados
árabes, mesquitas e sítios arqueológicos,
como a cidade de Cartago, destruída pelos romanos
em 146 a.C. Parece um pequeno milagre, mas a principal razão
para um preço tão acessível é
a forma como se chega lá: um Ilyushin da companhia
russa Aeroflot. Desde o ano passado, a empresa escolheu
Túnis como ponto de sua escala técnica no
vôo que sai de São Paulo para Moscou. Foi a
senha que as agências brasileiras precisavam para
criar os pacotes.
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Ronny Hein
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| Praia do Mediterrâneo:
resorts e hotéis de padrão europeu
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Uma vantagem desse pequeno país norte-africano é
a ausência de risco para turistas. Ex-colônia
francesa, é bem diferente de vizinhos como a Argélia,
atolada em conflitos sangrentos e onde amiúde visitantes
estrangeiros são massacrados por fanáticos
muçulmanos. A Tunísia é hoje um dos
países árabes de costumes mais liberais e,
desde que deixou de ser protetorado da França, em
1956, adotou uma versão mais branda da legislação
islâmica. A poligamia é proibida por lei, as
mulheres podem votar, não são mais obrigadas
a usar o véu para cobrir o rosto e o álcool
chega até a ser tolerado nos hotéis e bares
para turistas. Alguns hábitos são bastante
diferentes dos nossos, contudo. Não há violência,
mas turistas menos avisadas que abusem dos decotes e das
transparências ainda podem causar confusão
nas ruas. Com um pouco de bom humor, esses costumes dão
sabor exótico ao passeio. Nada que perturbe a paz
nos resorts da Praia de Hammamet ou a beleza de um pôr-do-sol
no Saara.
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