Irmãos de sangue
Estudo de DNA comprova que judeus e árabes
são parentes próximos, como diz a Bíblia
Se a origem genética em comum fosse
sinônimo de paz, talvez a dolorosa história
de conflitos no Oriente Médio nunca tivesse começado.
Com uma nova técnica baseada no estudo da descendência
masculina, biólogos concluíram que as várias
populações judaicas não apenas são
parentes próximas umas das outras, mas também
de palestinos, libaneses e sírios. A descoberta significa
que todos são originários de uma mesma comunidade
ancestral, que viveu no Oriente Médio há 4.000
anos. Em termos genéticos significa parentesco bem
próximo, maior que o existente entre os judeus e
a maioria das outras populações. Quatro milênios
representam apenas 200 gerações, tempo muito
curto para mudanças genéticas significativas.
Impressiona como o resultado da pesquisa é coerente
com a versão expressa na Bíblia de
que árabes e judeus descendem de um ancestral comum,
o patriarca Abraão.
A pesquisa conduzida pelo biólogo Michael Hammer,
da Universidade do Arizona, com a colaboração
de cientistas europeus, israelenses e sul-africanos, comparou
o cromossomo Y (presente apenas no sexo masculino) de 1.371
homens de 29 comunidades. Acredita-se que todos os cromossomos
Y existentes sejam originários de um único
"Adão", que viveu há 140.000
anos. Em princípio, são idênticos em
todos os homens, mas pequenas modificações
podem ocorrer na seqüência de DNA dos cromossomos
Y. As mudanças não afetam os genes e não
se refletem no corpo, mas permitem acompanhar as várias
linhagens familiares da espécie humana, como se fosse
uma assinatura.
Os pesquisadores perceberam também que, apesar
da longa diáspora, as populações judaicas
mantiveram intacta a identidade biológica. A tradição
hebraica considera como judeu aquele que é filho
de mãe judia. Sabe-se agora que a quantidade de pais
não judeus foi igualmente bem reduzida. O resultado
não apenas está de acordo com a tradição
bíblica como refuta as teses de que as comunidades
judaicas atuais consistem principalmente de descendentes
de convertidos de outras crenças ou dos khazars,
uma tribo do Cáucaso que adotou o judaísmo
na Idade Média. "Onde quer que fossem, eles permaneceram
geneticamente muito isolados", diz Hammer.
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