Edição 1 649 -17/5/2000

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Mau humor mata

Pesquisa confirma: quem se irrita
constantemente corre mais riscos
de sofrer um ataque cardíaco

Rachel Campello

Zeca de Sousa


Verdade: raiva mata mesmo. Ou, pelo menos, aumenta significativamente os riscos de ter um ataque cardíaco. A conclusão é de estudo realizado por uma equipe da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e publicado neste mês na revista Circulation, da Associação Americana do Coração.

Depois de estudar por seis anos o comportamento de 13.000 homens e mulheres com idade entre 45 e 64 anos, os pesquisadores descobriram que as pessoas que se irritam intensamente, e com freqüência, têm três vezes mais probabilidades de sofrer um infarto do que aquelas que encaram as adversidades com mais serenidade.

Isso ocorre porque, a cada episódio de raiva, o organismo libera uma carga extra de adrenalina no sangue. A concentração desse hormônio no corpo aumenta o número de batimentos cardíacos e estreita os vasos sanguíneos, o que eleva a pressão arterial. A repetição desses episódios pode gerar dois problemas em geral associados ao infarto. O primeiro é a arritmia cardíaca. O segundo, a súbita dilatação das placas de gordura que porventura haja nas artérias.

Como se sabe, quem fuma tem até cinco vezes mais possibilidades de sofrer um ataque cardíaco. E pessoas de vida sedentária apresentam riscos 50% maiores de ter problemas de coração. Pois bem, para a epidemiologista americana Janice E. Williams, coordenadora da pesquisa, a influência da raiva no desencadeamento de doenças cardiovasculares é comparável às causas mais conhecidas, como a obesidade, o sedentarismo e o hábito de fumar.

As conclusões do estudo americano, no entanto, referem-se apenas ao raivoso típico, à pessoa que perde o controle diante da menor das contrariedades. Esse é um tipo diferente daqueles que ocasionalmente perdem a paciência numa discussão com a namorada ou no trânsito, quando vítimas de uma barbeiragem. Para identificar quem se encaixa no comportamento de risco, os pesquisadores usam a chamada Escala Spielberger da Raiva, que teoricamente permite medir o grau de irritabilidade de uma pessoa (veja teste).

Pavio curto, está provado, faz mal ao coração. Parar de fumar, fazer exercícios regularmente e ter uma alimentação saudável já é difícil. E dominar a raiva, é possível? Para os especialistas, sim. Tentar manter a cabeça fresca é uma meta razoável. O cardiologista Mário Maranhão, presidente da Federação Mundial de Cardiologia, aconselha os raivosos a tentar compartilhar seus problemas como forma de relaxar: "Quem divide angústias, em vez de guardá-las até explodir, passa menos raiva e cuida melhor da saúde".

 

Como anda a sua raiva?

Avalie seu grau de irritabilidade e quanto ele pode ser perigoso

 

1. Perco facilmente a paciência

quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

2. Tenho explosões emocionais

quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

3. Minha raiva é desproporcional à situação

quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

4. Fico nervoso quando os erros dos outros me atrapalham

quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

5. Fico irritado quando faço um bom trabalho e as pessoas não reconhecem

quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

6. Perco o controle facilmente

quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

7. Quando fico zangado, digo coisas terríveis

quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

8. Fico furioso quando sou criticado na frente de outras pessoas

quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

 

9. Quando estou irritado, tenho vontade de agredir alguém fisicamente

quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

 

10. Fico enfurecido quando faço um bom trabalho e recebo uma má avaliação

 
quase nunca
às vezes
freqüentemente
quase sempre

 

Total

Leia as respostas aqui

 

 

 
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