Mau humor mata
Pesquisa confirma: quem
se irrita
constantemente corre mais riscos
de
sofrer um ataque cardíaco
Rachel Campello
Zeca de Sousa
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Verdade: raiva mata mesmo. Ou, pelo menos, aumenta significativamente
os riscos de ter um ataque cardíaco. A conclusão
é de estudo realizado por uma equipe da Universidade
da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e publicado neste
mês na revista Circulation, da Associação
Americana do Coração.
Depois de estudar por seis anos
o comportamento de 13.000 homens e mulheres com idade entre
45 e 64 anos, os pesquisadores descobriram que as pessoas
que se irritam intensamente, e com freqüência,
têm três vezes mais probabilidades de sofrer
um infarto do que aquelas que encaram as adversidades com
mais serenidade.
Isso ocorre porque, a cada episódio
de raiva, o organismo libera uma carga extra de adrenalina
no sangue. A concentração desse hormônio
no corpo aumenta o número de batimentos cardíacos
e estreita os vasos sanguíneos, o que eleva a pressão
arterial. A repetição desses episódios
pode gerar dois problemas em geral associados ao infarto.
O primeiro é a arritmia cardíaca. O segundo,
a súbita dilatação das placas de gordura
que porventura haja nas artérias.
Como se sabe, quem fuma tem até
cinco vezes mais possibilidades de sofrer um ataque cardíaco.
E pessoas de vida sedentária apresentam riscos 50%
maiores de ter problemas de coração. Pois
bem, para a epidemiologista americana Janice E. Williams,
coordenadora da pesquisa, a influência da raiva no
desencadeamento de doenças cardiovasculares é
comparável às causas mais conhecidas, como
a obesidade, o sedentarismo e o hábito de fumar.
As conclusões do estudo americano,
no entanto, referem-se apenas ao raivoso típico,
à pessoa que perde o controle diante da menor das
contrariedades. Esse é um tipo diferente daqueles
que ocasionalmente perdem a paciência numa discussão
com a namorada ou no trânsito, quando vítimas
de uma barbeiragem. Para identificar quem se encaixa no
comportamento de risco, os pesquisadores usam a chamada
Escala Spielberger da Raiva, que teoricamente permite medir
o grau de irritabilidade de uma pessoa (veja
teste).
Pavio curto, está provado,
faz mal ao coração. Parar de fumar, fazer
exercícios regularmente e ter uma alimentação
saudável já é difícil. E dominar
a raiva, é possível? Para os especialistas,
sim. Tentar manter a cabeça fresca é uma meta
razoável. O cardiologista Mário Maranhão,
presidente da Federação Mundial de Cardiologia,
aconselha os raivosos a tentar compartilhar seus problemas
como forma de relaxar: "Quem divide angústias, em
vez de guardá-las até explodir, passa menos
raiva e cuida melhor da saúde".
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Como anda a sua raiva?
Avalie seu grau de irritabilidade e quanto ele pode
ser perigoso
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