Dinheiro n'água
ONGs gastam milhões
de dólares na
compra de áreas para preservação
Flávia Varella
Reuters
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| Atol de Palmyra, nos Estados Unidos:
mais de 30 milhões de dólares |
The Nature Conservancy, uma organização
não governamental americana com 1 bilhão de
dólares em caixa para proteger áreas naturais,
está embarcando num negócio ambicioso: a compra
do Atol Palmyra, o último refúgio marinho
intato na região tropical dos Estados Unidos. Um
conjunto de ilhotas de coral localizado a 1.700 quilômetros
do Havaí, o atol constitui uma paisagem deslumbrante
e selvagem, que abriga golfinhos, tartarugas, tubarões
e serve de pouso para aves migratórias. Ali vive
o maior invertebrado terrestre, o raro caranguejo-coco,
assim chamado por ser capaz de abrir um coco com as patas.
A nova dona de Palmyra agora só permitirá
a entrada de grupos com trinta a quarenta visitantes por
semana, a 4.000 dólares por cabeça. Impressiona
que mais de 30 milhões de dólares (o valor
exato pago aos proprietários, uma família
de empreiteiros de Honolulu, é sigiloso) estejam
sendo gastos em terras das quais se espera tão pequeno
retorno financeiro. Comprar para deixar o mato crescer é,
contudo, uma tendência que ganha impulso entre os
preservacionistas.
Ed Viggiani
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| Pantanal mato-grossense: fazendas
transformadas em reservas particulares |
A ONG que está comprando Palmyra usa esse tipo de
recurso desde sua fundação, em 1951. Graças
às contribuições de mais de 1 milhão
de sócios, empresas e fundações, já
é dona de mais de 24 milhões de hectares,
num total de 1.340 reservas espalhadas por vários
pontos do planeta. "Comprar florestas e amostras de ecossistemas
é, com certeza, o modo mais caro de proteger a natureza.
Mas, acreditamos, muitas vezes é o melhor", diz Joe
Keenan, um dos diretores da entidade. Um milionário
americano, Douglas Tompkins, tirou do próprio bolso
12 milhões de dólares para arrematar 2.750
quilômetros quadrados de terras no sul do Chile. Ecologista
radical, tudo o que pretende é preservar rios, lagos,
montanhas e as últimas florestas virgens dos portentosos
alerces, árvores com milhares de anos de idade. No
Brasil, a TNC doou 1,5 milhão de dólares para
que uma organização verde nacional comprasse
duas fazendas de 60.000 hectares no Pantanal. Também
financiou a compra de áreas na caatinga cearense
e na Mata Atlântica do Paraná. A Conservation
Internacional, ONG com sede em Washington, é dona
da Fazenda Rio Negro, também no Pantanal.
São iniciativas bem-vindas,
com excelente chance de sucesso. Esse tipo de aquisição
é raro no Brasil. Mas é freqüente a transformação
de áreas de matas em reservas, com o apoio do Ibama.
O órgão federal responsável pelo meio
ambiente criou o programa de Reservas Particulares do Patrimônio
Natural em 1990 e já tem cadastradas 420. O cantor
Ney Matogrosso e a escritora Rachel de Queiroz, por exemplo,
são donos de reservas naturais. A Fundação
O Boticário de Proteção à Natureza
mantém uma reserva de 1.700 hectares no norte do
Paraná. O dono da Rede Globo, Roberto Marinho, aguarda
a conclusão do processo para transformar uma fazenda
sua na Bahia em área protegida. A maioria das reservas
é formada por trechos de fazendas que também
abrigam atividades econômicas. A principal vantagem
para o proprietário é a isenção
do pagamento do imposto territorial rural para aquela área.
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