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a 8
Bons contos perdem de goleada
no novo livro
de Rubem Fonseca
Carlos
Graieb
Pequenas
Criaturas (Companhia das Letras; 284 páginas; 28 reais),
o novo livro de Rubem Fonseca, tem trinta contos. Oito são muito
bons. Os outros, não mais que razoáveis. Alguém pode
até reclamar do placar, e dizer que o juiz anulou tentos válidos.
Pode citar textos como Natal ou Madrinha da Bateria. Há,
de fato, o que discutir. Mas nem isso inverteria a goleada.
O choque na obra de Rubem Fonseca costuma ser térmico. Resulta
do embate de matéria quente e abordagem fria. Seus textos lidam
com o grotesco e o violento, falam de perversões e desajustes,
de hipocrisia e exploração social. Mas a voz do narrador
é quase sempre desapaixonada. E a linguagem, de fraseado mais corriqueiro
possível, é carregada de estereótipos. Como notou
certa vez o crítico Luiz Costa Lima, com freqüência
a surpresa nesses textos decorre do súbito "descongelamento" dessa
linguagem. Uma informação inusitada vem à tona, um
clichê é arrancado de seu contexto usual, e isso gera uma
ironia, um desconforto para o leitor. Um exemplo claro desse procedimento
está no famoso conto Feliz Ano Novo, que termina com esse
bordão mas proferido por um bandido, depois de um assalto
violento.
Com o ajuste adequado de temperaturas, Fonseca é magistral. Isso
se vê em Ganhar o Jogo, com seu protagonista que é
um garçom assassino, e nos sarcásticos Meu Avô
(uma breve história da violência urbana no Brasil) e
Virtudes Teologais (sobre o fracasso das boas intenções).
Outros acertos são O Garoto Maravilha, Soma Zero, Escuridão
e Lucidez, Todos Temos um Pouco e Começo. Dados o material
e a técnica do autor, contudo, sempre há o risco de ele
cair na vulgaridade ou no banal. E, infelizmente, isso ocorre em boa parte
de Pequenas Criaturas. Caderninho de Nomes, por exemplo, é
pouco mais que uma piada suja. Já textos como Paixão
e Tratado do Uso das Mulheres não pecam pelo excesso,
mas por ser anedotas sem maior impacto.
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