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Edição 1 747 - 17 de abril de 2002
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Como uma mulher

Ídolo dos marmanjos, Nick Hornby
faz romance com voz feminina

Marcelo Marthe

 
Hornby: pode me chamar de Katie


Veja também
Entrevista com Nick Hornby feita pelo jornalista Marcelo Marthe
Trechos do livro

O escritor inglês Nick Hornby tornou-se um fenômeno editorial, porque aborda com humor as angústias e limitações dos homens que já passaram dos 30 anos e ainda se comportam como adolescentes. Em seus livros, há espaço para a cultura pop, o futebol, a falta de jeito para lidar com as mulheres e outras tantas questões que afligem o segmento. Hornby – ele próprio um representante da categoria – já contabiliza mais de 2 milhões de livros vendidos e teve seu romance Alta Fidelidade adaptado com sucesso para o cinema. Não faz muito tempo, vendeu por 2,8 milhões de dólares os direitos de seu penúltimo livro, Um Grande Garoto, para as telas. Estrelado por Hugh Grant, o filme será lançado em julho no Brasil. Centrado no universo masculino, não deixa de ser surpreendente que em seu novo romance, Como Ser Legal (tradução de Paulo Reis; Rocco; 308 páginas; 34 reais), o porta-voz dos marmanjos inverta as coisas: seu narrador agora é uma mulher. "Já convivi com tantas mulheres que escrever sob a visão delas foi uma coisa natural, sem traumas", disse Hornby a VEJA.

Como Ser Legal é protagonizado por Katie, uma médica de meia-idade que é mãe de duas crianças e passa por um dilema: deve ou não se divorciar do marido? Ele se chama David, é um sujeito irascível e que, ainda por cima, ganhou uma pança enorme ao longo dos mais de vinte anos de casamento. Esse marido de pesadelo passa por uma verdadeira lavagem cerebral, resultado de seu contato com um certo DJ BoasNovas – um guru politicamente correto que supostamente adquiriu o dom da cura depois de se entupir de ecstasy. De sujeito irritadiço, transforma-se no mais bonzinho dos homens, capaz de oferecer abrigo aos sem-teto em casa. Moral da história? Algo como "mais vale um companheiro mal-humorado do que dividir a cama com um maluco beleza". O escritor, de 44 anos, diz que o ponto de partida dessa história divertida são episódios nem um pouco felizes de sua vida. Em meados dos anos 90, ele descobriu que seu filho era autista. Para piorar, enfrentou logo depois um processo de divórcio. Como já era famoso na época, viu-se assediado por um bando de gurus e curandeiros, que lhe prometiam conforto espiritual. O bem-humorado Hornby dispensou a gentileza, mas não se esqueceu deles na hora de compor o intragável marido de Como Ser Legal.

   
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