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Como
uma mulher
Ídolo
dos marmanjos,
Nick Hornby
faz romance com voz feminina
Marcelo
Marthe
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| Hornby:
pode me chamar de Katie |

Veja também |
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O
escritor inglês Nick Hornby tornou-se um fenômeno editorial,
porque aborda com humor as angústias e limitações
dos homens que já passaram dos 30 anos e ainda se comportam como
adolescentes. Em seus livros, há espaço para a cultura pop,
o futebol, a falta de jeito para lidar com as mulheres e outras tantas
questões que afligem o segmento. Hornby ele próprio
um representante da categoria já contabiliza mais de 2 milhões
de livros vendidos e teve seu romance Alta Fidelidade adaptado
com sucesso para o cinema. Não faz muito tempo, vendeu por 2,8
milhões de dólares os direitos de seu penúltimo livro,
Um Grande Garoto, para as telas. Estrelado por Hugh Grant, o filme
será lançado em julho no Brasil. Centrado no universo masculino,
não deixa de ser surpreendente que em seu novo romance, Como
Ser Legal (tradução de Paulo Reis; Rocco; 308 páginas;
34 reais), o porta-voz dos marmanjos inverta as coisas: seu narrador agora
é uma mulher. "Já convivi com tantas mulheres que escrever
sob a visão delas foi uma coisa natural, sem traumas", disse Hornby
a VEJA.
Como
Ser Legal é protagonizado por Katie, uma médica de meia-idade
que é mãe de duas crianças e passa por um dilema:
deve ou não se divorciar do marido? Ele se chama David, é
um sujeito irascível e que, ainda por cima, ganhou uma pança
enorme ao longo dos mais de vinte anos de casamento. Esse marido de pesadelo
passa por uma verdadeira lavagem cerebral, resultado de seu contato com
um certo DJ BoasNovas um guru politicamente correto que supostamente
adquiriu o dom da cura depois de se entupir de ecstasy. De sujeito irritadiço,
transforma-se no mais bonzinho dos homens, capaz de oferecer abrigo aos
sem-teto em casa. Moral da história? Algo como "mais vale um companheiro
mal-humorado do que dividir a cama com um maluco beleza". O escritor,
de 44 anos, diz que o ponto de partida dessa história divertida
são episódios nem um pouco felizes de sua vida. Em meados
dos anos 90, ele descobriu que seu filho era autista. Para piorar, enfrentou
logo depois um processo de divórcio. Como já era famoso
na época, viu-se assediado por um bando de gurus e curandeiros,
que lhe prometiam conforto espiritual. O bem-humorado Hornby dispensou
a gentileza, mas não se esqueceu deles na hora de compor o intragável
marido de Como Ser Legal.
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