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Edição 1 747 - 17 de abril de 2002
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Guerra dos coroas

Raul Gil começa a incomodar Hebe
Camargo nas noites de segunda-feira

Ricardo Valladares

 
Montagem com fotos de Cida Souza e Claudio Rossi
Os dois rivais: Adriane Galisteu tentou, mas só ele está conseguindo

Desde que o programa Raul Gil Tamanho Família estreou na Rede Record, há cerca de dois meses, as noites de segunda-feira tornaram-se palco de uma nova guerra de audiência. Raul, de 64 anos, invadiu um território há muito ocupado por Hebe Camargo, de 73. Ainda não é possível saber ao certo para que lado vai pender esse combate entre veteranos, mas ele já produziu uma baixa. Na semana retrasada, o general da Record alcançou 10 pontos de ibope, contra 6 de sua adversária do SBT. Isso serviu de pretexto para que a diretora do programa Hebe, Aurora Prado, que trabalhava com a loira há mais de vinte anos, fosse demitida. "Elas já estavam em atrito há algum tempo. Foi a gota d'água", diz um funcionário da emissora. Na semana passada, com o programa já sob nova direção, o SBT conseguiu dar o troco, pelo mesmo placar. A ordem agora é tornar mais ágil e menos previsível o show de Hebe, que andava muito atrelado a uma agenda de lançamentos de discos e peças de teatro.


Hebe e Raul nos anos 60: ele foi calouro do programa dela

"Hebe é minha madrinha e rainha. Eu tiro o chapéu para ela", diz, elegantemente, Raul Gil. De fato, foi no programa de calouros Alegria de Bairros, que Hebe apresentava nos anos 60, na Rádio Record, que Raul fez sua estréia artística. "Eu cantei uma música em espanhol chamada Ella e levei o primeiro lugar", lembra. Isso, é claro, não significa que ele vá poupar esforços para vencer essa disputa. Raul Gil já demonstrou que é um coroa bom de briga nas tardes de sábado, batendo seguidas vezes o Caldeirão do Huck, da Rede Globo. Por tornar-se "o rei do sábado", conquistou um salário de 500.000 reais por mês na Record. Agora, nas noites de segunda, tem objetivos audaciosos. Embora Hebe seja o alvo imediato, seu programa, que vai das 21 horas à meia-noite, tem a incumbência de roubar pontos de várias atrações concorrentes. "Queremos tomar audiência da Globo, da Rede TV!, de quem estiver pela frente", diz Raul. As chances de isso acontecer com ele no comando de um programa são bem maiores do que antes, quando Adriane Galisteu era a estrela da noite da Record. A viúva de Ayrton Senna nunca conseguiu rivalizar com Hebe. "Adriane Galisteu precisa de pelo menos cinqüenta anos de televisão para começar a pensar em competir com Hebe Camargo", constata um diretor da Record.

   
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