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A ditadura do relógio
biológico
Um livro
americano pinta um
panorama sombrio para as
mulheres que adiam o sonho
de ter filhos

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Elas fizeram
uma opção. Terminar a faculdade, conseguir um bom emprego
e só ter filhos depois de chegar ao auge da carreira. Mas agora
percebem que o êxito profissional pode ter lhes custado caro demais.
Hoje na faixa dos 40 anos, não conseguem ter um bebê. O drama
das mulheres bem-sucedidas no trabalho e frustradas na maternidade é
tema de um livro recém-lançado nos Estados Unidos
Creating a Life: Professional Women and the Quest for Children (Criando
uma Vida: Mulheres Profissionais e a Busca por Crianças). No
livro, que rendeu uma matéria de capa na revista Time,
a autora Sylvia Ann Hewlett, economista da Universidade Harvard, traça
um perfil alentado dessa legião de arrependidas nos Estados Unidos.
Depois de ouvir 1 200 mulheres de sucesso, ela constatou que muitas não
ficaram grávidas por acreditar que seria fácil tornar-se
mãe na idade madura. Sylvia também verificou que essa crença
começa a ser sedimentada ainda na juventude. Nove de cada dez americanas
na faixa dos 20 anos acham que manterão sua capacidade reprodutiva
praticamente intacta quando tiverem o dobro da idade atual.
É
um equívoco e tanto. O relógio biológico feminino
anda a uma velocidade bem maior do que se imagina. A chance de uma mulher
engravidar começa a diminuir quando ela tem apenas 27 anos. Aos
30, a cada relação sexual em período fértil,
o índice de gravidez é de 18%. Aos 45, de 1%, no máximo.
Um estudo do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos,
o prestigiado CDC, mostra que, ao completar 42 anos, uma mulher tem menos
de 10% de possibilidade de engravidar com seus próprios óvulos.
Graças aos avanços da medicina reprodutiva, a gravidez depois
dos 40 não é um sonho impossível. Mas em boa parte
das vezes só é realizável quando a paciente recebe
óvulos doados por uma mulher mais jovem. Esse é o caso de
muitas celebridades quarentonas que, ao exibir seus barrigões em
público, ajudam a fixar a idéia errônea de que é
fácil engravidar não importa a idade.
A gravidez
tardia está se transformando numa questão de saúde
pública nos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, uma
em cada cinco mulheres entre 40 e 44 anos não tem filho
o índice praticamente dobrou nos últimos vinte anos. Campanhas
estão sendo feitas para tentar reverter a tendência de adiar
a chegada de um bebê. Pouquíssimas mulheres sabem dos riscos
de uma gestação em idade avançada e dos transtornos
que as incessantes tentativas de fertilização causam na
vida de um casal. Elas também desconhecem que problemas associados
à passagem do tempo, como miomas no útero e calcificação
das artérias, podem prejudicar a gravidez. Os médicos alertam
ainda que, entre as que demoram demais para engravidar, o perigo de o
bebê nascer com alguma anomalia genética é alto. Motivo:
90% dos óvulos de uma mulher de 42 anos apresentam anormalidades.
Como, então,
conciliar ascensão na carreira e maternidade no tempo certo? Sylvia
Ann Hewlett, é claro, não propõe que as mulheres
renunciem às suas ambições e voltem à condição
de "rainhas do lar". A autora de Creating a Life... sugere que
as mulheres se empenhem ao máximo em suas carreiras, mas, atingido
um determinado nível, dêem um tempo na profissão e
redirecionem sua vida para o plano pessoal. "Depois elas podem voltar
a investir sua energia no campo profissional", propõe Sylvia. Muito
bonito, porém irreal. Não importa se homem ou mulher, quem
deixa o mercado de trabalho encontra dificuldades quase intransponíveis
para voltar a ocupar o mesmo posto. Isso porque, assim como o relógio
biológico, o do mundo profissional também anda acelerado.
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OS
BEBÊS DE HOLLYWOOD
Se
em todo o mundo desenvolvido mulheres adiam a vontade de ter filhos
em nome da busca do sucesso profissional, em Hollywood competitivo
celeiro de estrelas e ambiente natural de bem-sucedidos a
batalha é muito mais inclemente. Lá, onde juventude
e formas perfeitas contam mais pontos do que em qualquer outro canto
do planeta, é natural que quem tenha as duas coisas pense
um bocado antes de colocá-las a serviço da maternidade.
Como nem as divas estão imunes ao risco de, um tanto quanto
tarde, deparar com o humano desejo de embalar o próprio bebê,
elas acabam recorrendo aos métodos do momento: enfrentam
uma gravidez altamente tardia, como Geena Davis e Mimi Rogers, optam
pela adoção, como Sharon Stone, ou se arriscam por
caminhos mais ousados, como o cantor James Taylor que, aos
54 anos, com mulher de 47, acaba de comemorar o primeiro aniversário
de seus gêmeos, gestados em anônima barriga de aluguel.
O cinqüentão James Taylor e sua mulher, Caroline, de
47 anos, tiveram gêmeos: gametas próprios e barriga
de aluguel
Problemas de saúde impediram Sharon Stone de ter seu próprio
baby: em 2000, a atriz, 44 anos, adotou Roan
A atriz Mimi Rogers: grávida pela primeira vez aos 39 anos,
deu à luz seu segundo filho em julho, aos 45
Com 46 anos e três ex-maridos, a atriz Geena Davis teve seu
primeiro filho na semana passada
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