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Edição 1 747 - 17 de abril de 2002
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É hospital. Mas pode
chamar de hotel

A Tailândia atrai turistas com serviço
médico de luxo e preços camaradas

Ruth de Aquino, de Bangcoc

O mega-hospital de Bangcoc: mudança de sexo por
5 000 dólares

A cada ano a Tailândia recebe uma legião de 10 milhões de visitantes estrangeiros, quase o dobro do Brasil. Muitos deles vão a Bangcoc a negócios, outros vão atrás da delicadeza e beleza das moças e dos travestis tailandeses, mas a imensa maioria é atraída pelo baixo preço dos pacotes e pela promessa de férias exóticas e inesquecíveis. A receita tailandesa mistura calor o ano inteiro, templos budistas, ilhas paradisíacas, passeios de elefante e culinária rica e sofisticada. Nos últimos anos, um tempero extra começou a ser acrescentado a esses ingredientes – o tratamento médico. Na Tailândia é possível fazer check-up completo tão bom quanto em países do Primeiro Mundo e por um custo bem mais atraente: sai por 300 dólares, que representa 20% do cobrado nos hospitais particulares da Europa e 10% do preço nos Estados Unidos.

O marketing por trás dessa nova modalidade de turismo é poderoso. Um mega-hospital de Bangcoc, o Bumrungrad, aliou-se à companhia aérea nacional tailandesa, a agências de viagens de luxo e a hotéis cinco-estrelas para montar pacotes especiais para clientes estrangeiros. Com isso conseguiu aumentar em 35% o número de atendimentos a pacientes de outros países, que saltaram de 167.488 para 225.206 no período de um ano. "A que hospital do mundo você pode chegar sem hora marcada, consultar-se em quinze minutos com um especialista formado nos Estados Unidos, pagar 15 dólares pela consulta e ainda tomar um cappuccino do Starbucks na saída? Essa é uma mistura única", diz Ruben Toral, responsável pelos programas internacionais do Bumrungrad.

 
Apartamento do Bumrungrad: decorado como um cinco-estrelas

No hospital, as flores de lótus são onipresentes na decoração. Os apartamentos vip têm sala de visitas, bar, escritório e cozinha, como num apart-hotel. A maioria dos funcionários fala inglês fluentemente e há uma equipe de intérpretes em tempo integral para nove idiomas: espanhol, vietnamita, francês, alemão, holandês, belga, chinês, japonês, bengali e árabe. O complexo hospitalar de 90.000 metros quadrados e 554 leitos oferece ainda uma inusitada mistura de cursos de culinária e de ioga tailandesas com cirurgias plásticas e tratamentos cosméticos.

Uma das cirurgias mais populares é a de troca de sexo. Os administradores do Bumrungrad não entram em detalhes sobre números, mas se gabam de contar com "o melhor especialista da Ásia no assunto". A operação custa 5.000 dólares, incluindo quarto e alimentação – metade do que se cobra nos Estados Unidos e na Austrália. A especialidade não é alardeada nos anúncios, para que o hospital não fique estigmatizado. Aí, mais uma vez, passa a valer o tino comercial dos tailandeses. Para não afugentar clientes de outras áreas, o hospital rebatizou a cirurgia com o nome pomposo, mas bastante discreto, de "pacote de reciclagem sexual".

   
 
   
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