É hospital.
Mas pode
chamar de hotel
A Tailândia
atrai turistas com serviço
médico de luxo e preços camaradas

Ruth de Aquino,
de Bangcoc
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O
mega-hospital de Bangcoc: mudança de sexo por
5 000 dólares |
A cada ano
a Tailândia recebe uma legião de 10 milhões de visitantes
estrangeiros, quase o dobro do Brasil. Muitos deles vão a Bangcoc
a negócios, outros vão atrás da delicadeza e beleza
das moças e dos travestis tailandeses, mas a imensa maioria é
atraída pelo baixo preço dos pacotes e pela promessa de
férias exóticas e inesquecíveis. A receita tailandesa
mistura calor o ano inteiro, templos budistas, ilhas paradisíacas,
passeios de elefante e culinária rica e sofisticada. Nos últimos
anos, um tempero extra começou a ser acrescentado a esses ingredientes
o tratamento médico. Na Tailândia é possível
fazer check-up completo tão bom quanto em países do Primeiro
Mundo e por um custo bem mais atraente: sai por 300 dólares, que
representa 20% do cobrado nos hospitais particulares da Europa e 10% do
preço nos Estados Unidos.
O marketing
por trás dessa nova modalidade de turismo é poderoso. Um
mega-hospital de Bangcoc, o Bumrungrad, aliou-se à companhia aérea
nacional tailandesa, a agências de viagens de luxo e a hotéis
cinco-estrelas para montar pacotes especiais para clientes estrangeiros.
Com isso conseguiu aumentar em 35% o número de atendimentos a pacientes
de outros países, que saltaram de 167.488
para 225.206 no período de um ano. "A
que hospital do mundo você pode chegar sem hora marcada, consultar-se
em quinze minutos com um especialista formado nos Estados Unidos, pagar
15 dólares pela consulta e ainda tomar um cappuccino do Starbucks
na saída? Essa é uma mistura única", diz Ruben Toral,
responsável pelos programas internacionais do Bumrungrad.
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| Apartamento
do Bumrungrad: decorado como um cinco-estrelas |
No hospital,
as flores de lótus são onipresentes na decoração.
Os apartamentos vip têm sala de visitas, bar, escritório
e cozinha, como num apart-hotel. A maioria dos funcionários fala
inglês fluentemente e há uma equipe de intérpretes
em tempo integral para nove idiomas: espanhol, vietnamita, francês,
alemão, holandês, belga, chinês, japonês, bengali
e árabe. O complexo hospitalar de 90.000
metros quadrados e 554 leitos oferece ainda uma inusitada mistura de cursos
de culinária e de ioga tailandesas com cirurgias plásticas
e tratamentos cosméticos.
Uma das
cirurgias mais populares é a de troca de sexo. Os administradores
do Bumrungrad não entram em detalhes sobre números, mas
se gabam de contar com "o melhor especialista da Ásia no assunto".
A operação custa 5.000 dólares,
incluindo quarto e alimentação metade do que se cobra
nos Estados Unidos e na Austrália. A especialidade não é
alardeada nos anúncios, para que o hospital não fique estigmatizado.
Aí, mais uma vez, passa a valer o tino comercial dos tailandeses.
Para não afugentar clientes de outras áreas, o hospital
rebatizou a cirurgia com o nome pomposo, mas bastante discreto, de "pacote
de reciclagem sexual".
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