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Esquenta ou esfria?
Diferenças
de temperatura
na Antártica embaralham teorias
sobre aquecimento global
Coriolano Dias Neto

Pingüins
na Antártica: degelo atinge apenas 5% do continente |
Nos últimos
meses, a Antártica transformou-se no centro das contradições
climáticas do planeta. Primeiro, cientistas dizem que o continente
está esquentando. Depois, provam que ele esfria. Demonstram que
plataformas inteiras de gelo se quebram para depois provar que a camada
de gelo engrossa cada vez mais. Em meio a esse cenário em que ninguém
parece ter razão, meteorologistas e geólogos começam
a concluir que as generalizações para entender o clima do
continente estão equivocadas. Todas as constatações,
por mais contraditórias que sejam, têm seu fundo de verdade.
Há regiões em que a temperatura aumentou. É o caso
da Península Antártica, onde a elevação térmica
foi de 2,5 graus Celsius nos últimos cinqüenta anos. No interior,
a temperatura caiu 1 grau nos últimos quinze anos. "Essas variações
térmicas são processos regionais, não continentais.
As pessoas associam o que acontece em algumas regiões específicas
a todo o continente, o que é um erro", explica Jefferson Cardia
Simões, do Laboratório de Pesquisas Antárticas e
Glaciológicas (Lapag), da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul.
A Antártica
é um colosso com uma vez e meia o tamanho do Brasil, e portanto
sujeito a grandes variações de temperatura. O aquecimento
da Península Antártica ainda não tem explicações
muito claras. Não se sabe, por exemplo, até que ponto o
efeito estufa influencia nesse processo. Do mesmo modo, os cientistas
ainda não se arriscam a dizer se a queda de temperatura no interior
do continente contradiz a teoria do aquecimento globalacute;rtica
é um colosso com uma vez e meia o tamanho do Brasil, e portanto
sujeito a grandes variações de temperatura. O aquecimento
da Península Antártica ainda não tem explicações
muito claras. Não se sabe, por exemplo, até que ponto o
efeito estufa influencia nesse processo. Do mesmo modo, os cientistas
ainda não se arriscam a dizer se a queda de temperatura no interior
do continente contradiz a teoria do aquecimento global. Sabe-se também
que o continente demora para responder a mudanças climáticas.
A imensa quantidade de gelo acumulada na superfície ainda reage
ao fim da última grande era glacial, ocorrida há 10.000
anos. "Os sinais são confusos e parece que a região ainda
não decidiu se esfria ou esquenta", diz Peter Doran, professor
de geologia da Universidade de Illinois, autor do estudo sobre queda de
temperatura na Antártica.
Em meio
a tantas dúvidas, uma das poucas certezas dos cientistas é
que a área que enfrenta aquecimento mais severo concentra menos
de 5% de todo o gelo do continente. É um número que confronta
a teoria de que o derretimento da Antártica vai elevar o nível
dos mares e oceanos em até 60 metros e acabar com as regiões
costeiras do planeta. Mesmo nos cenários mais catastróficos,
acredita-se hoje que a Antártica vá contribuir com no máximo
20% do aumento no nível dos oceanos. A maioria da água virá
do Ártico e das geleiras de cadeias montanhosas, que concentram
apenas 10% do gelo da Terra. Já é um bom motivo para os
moradores de cidades litorâneas respirarem aliviados.
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