Dropes da academia

Números e curiosidades do Oscar, para
melhor curtir a festa do próximo dia 21

Rubens Ewald Filho

A cerimônia do Oscar deste ano, que acontecerá no dia 21, tem sabor de Copa do Mundo. Pela primeira vez na história, o Brasil estará representado em duas categorias: melhor filme estrangeiro, com Central do Brasil, e melhor atriz, com Fernanda Montenegro. Independentemente da participação brasileira, a festa do Oscar tem seu charme, com suas gafes, números e episódios curiosos. Alguns deles estão nestas páginas. Delicie-se.

 

A estatueta — Até hoje foram entregues 2.287 estatuetas na história do Oscar. A cada ano, são fabricadas 24 para contemplar todas as categorias e mais algumas extras, sem o nome dos vencedores — a academia nunca sabe quantos co-autores tem um roteiro, um figurino, e assim por diante. Quando recebe um Oscar, o premiado se compromete a nunca vender a estatueta.

A mais velha e a mais nova — A mais velha a receber o Oscar foi Jessica Tandy, em 1990, por Conduzindo Miss Daisy. Tinha 80 anos. A mais jovem foi Tatum O'Neal, por Lua de Papel (1973). Na época, era uma criança de 11 anos.

Auditório — O Oscar, que nunca teve sede fixa, ganhará um teatro a partir de 2001. O novo auditório, exclusivo para os eventos da academia, custará 350 milhões de dólares e terá 3.300 lugares, além de um salão de festas de 3.000 metros quadrados.

Tempo — A festa dura oficialmente três horas, mas esse limite nunca é respeitado. A mais curta foi a de 1958, que terminou vinte minutos antes. Por causa disso, a academia teve de preencher o buraco exibindo um curta-metragem. Em 1993, a festa extrapolou o horário em meia hora.

Domingo — Neste ano, pela primeira vez na história, a festa do Oscar será num domingo, e não numa segunda-feira. Oficialmente, por exigência da TV. Comenta-se, no entanto, que a verdadeira razão da mudança foi evitar que as limusines dos artistas ficassem presas no terrível trânsito de Los Angeles, como vinha acontecendo nos últimos anos.

Gafes — A mais famosa ocorreu em 1934, quando o apresentador Will Rogers chamou ao palco o vencedor na categoria melhor diretor com a frase: "Venha buscar seu prêmio, Frank". Só no meio do caminho entre sua cadeira e o palco o legendário Frank Capra descobriu que o vencedor era outro, Frank Lloyd. Quatro anos mais tarde, Spencer Tracy levou para casa o Oscar de melhor ator por sua atuação em Marujo Intrépido. Ao olhar para o pé da estatueta, surpreendeu-se ao constatar que haviam errado seu nome. Na plaqueta estava gravado "Dick Tracy".

Injustiças — Foram duas as mais gritantes. Em 1942, Cidadão Kane perdeu para Como Era Verde Meu Vale. Cantando na Chuva, de 1952, o melhor musical que Hollywood já produziu, nem sequer foi indicado.

Moda — Em protesto por não ter sido indicada, em 1986, por Marcas do Destino, a atriz Cher se vestiu de ave-do-paraíso, com cocar e tudo. Parecia destaque de escola de samba. A figurinista Lizzy Gardiner, premiada em 1995 por Priscilla, a Rainha do Deserto, compareceu à festa com um vestido feito com 171 cartões de crédito dourados.

Musicais de abertura — De tão ruins, acabaram extintos. Hoje só se apresentam os candidatos a melhor canção. Mesmo assim, é dose. Neste ano, Celine Dion, Mariah Carey e Whitney Houston disputarão uma olimpíada de breguice.

O ausente — Indicado vinte vezes ao Oscar em diferentes categorias, vencedor em três, Woody Allen nunca compareceu à festa. A partir de agora, não poderá usar sua desculpa mais freqüente — a de que o dia da entrega do prêmio, segunda-feira, coincidia com sua apresentação como clarinetista num bar de Nova York.

O mais indicado — O maestro John Williams é o recordista de indicações. Neste ano, ele concorre ao Oscar pela 37ª vez, pela trilha sonora de O Resgate do Soldado Ryan. Já levou cinco estatuetas para casa.

O nome Oscar — Originalmente, o prêmio se chamava apenas Academy Awards. "Oscar" foi um apelido que pegou. Ninguém sabe exatamente de onde surgiu. Uma versão é que a atriz Bette Davis, ex-presidente da academia, olhou para a estatueta e achou que se parecia com seu ex-marido, Oscar. A academia demorou para registrar o nome e o formato da estatueta, possibilitando que se multiplicassem imitações ao redor do mundo. O Troféu Imprensa, promovido por Silvio Santos, está neste caso.

Os campeões — Entre os intérpretes, a mais laureada do Oscar é Katharine Hepburn, premiada quatro vezes, todas na categoria de melhor atriz. Jack Nicholson e Ingrid Bergman ficam em segundo lugar, com três — mas cada um ganhou um Oscar de coadjuvante.

Os versáteis — O italiano Roberto Benigni concorre neste ano às estatuetas de diretor, ator e roteirista. Equipara-se, com isso, a Woody Allen, Warren Beatty e Orson Welles, únicos a concorrer em três categorias diferentes no mesmo ano.

The winner is... — Essa saudação politicamente incorreta ("O vencedor é...") foi substituída, nos anos 80, por The Oscar goes to... ("O Oscar vai para..."). Motivo: pressão do sindicato dos artistas. Segundo eles, no cinema não existem vencedores e perdedores.

Segredo — Quem escolhe o Oscar são os 5.500 integrantes da academia que têm direito a voto. Há entre eles dois brasileiros: o diretor Hector Babenco e a atriz Sonia Braga. O resultado é guardado a sete chaves até o último momento. Em 1936 a academia resolveu antecipar os vencedores aos jornalistas, mas a notícia vazou e desde então isso nunca mais foi feito.




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