Luxo no freezer

Cozinheiros famosos lançam congelados com grife

Bassoleil: 30.000
tortas por mês
Foto: Antonio Milena  

Sabe aqueles nobres pratos elaborados por chefs importados da Europa que são servidos em sofisticados restaurantes de São Paulo e do Rio de Janeiro? Pois agora, devidamente congelados e embalados, eles — ou, ao menos, sua versão mais plebéia — podem ser encontrados em supermercados e lojas especializadas. Para ampliar a clientela, conhecidos chefs de cozinha estão comercializando as criações. "É uma maneira de levarmos o melhor da gastronomia para a mesa dos brasileiros", diz o francês Emmanuel Bassoleil, do restaurante paulista Roanne. Ou, em termos mais realistas, de ganhar dinheiro. Há um ano, Bassoleil assina uma linha de tortas salgadas e vende cerca de 30.000 unidades por mês, o que dá um faturamento mensal bruto de 180.000 reais. Seguindo a mesma receita de Bassoleil, outros cozinheiros, como o também francês Claude Troisgros, lançarão produtos neste ano.

Novidade no Brasil, as quentinhas de luxo já fazem parte da lista de compras das donas de casa européias. A popularização de congelados estrelados virou estratégia de sobrevivência de grandes chefs, sobrecarregados por custos altíssimos em seus restaurantes. O francês Alain Senderens, do parisiense Lucas Carton, alimenta há dez anos uma cadeia de supermercados com seus produtos. Outro francês, Alain Ducasse, considerado um dos melhores do mundo, também dispôs em prateleiras as compotas de frutas que são servidas no restaurante Le Louis XV, de Mônaco. É impossível, evidentemente, comparar o acepipe preparado na hora por um grande cozinheiro com a refeição congelada, mas em geral a qualidade dos produtos de grife fica acima da média da concorrência sem pedigree. "As pessoas não têm tempo de cozinhar em casa e querem ter a opção de comprar uma comida semipronta requintada", acredita o chef Giancarlo Bolla. Dono de cinco restaurantes de São Paulo, entre eles os badalados La Tambouille e O Leopolldo, Bolla apostou no freezer de cada um e criou a marca Sapore di Pasta. Das 4 toneladas de ravióli, canelone e agnolloti que prepara na cozinha todo mês, apenas 1 é consumida nos restaurantes. O restante vai para as prateleiras dos supermercados. No ano passado, ele passou a vender também sobremesas. "É um bom negócio", atesta Bolla.

Mais em conta — Como ele, a maioria dos chefs prepara na cozinha do restaurante o prato que vai para o supermercado. Os dezenove pratos do chef Sergio Arno, que levam a marca Sergio in Cucina, são feitos com os mesmos ingredientes usados no preparo das 150 refeições diárias servidas no La Vecchia Cucina. Do peixe à rúcula, tudo é escolhido pelo próprio Arno, que vai à feira duas vezes por semana. Descontados os garçons, os talheres de prata e os copos de cristal dos restaurantes, o preço fica bem mais em conta. Uma das especialidades do La Vecchia Cucina, tortele de cordeiro, custa 24 reais se pedida no restaurante. No supermercado, não passa de 12 reais.




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