Imagem da Semana
Sorria, é só um
terremoto
Pose na posse: a terra treme enquanto Piñera
assume,
mas todos demonstram elegância
sob pressão

Vilma Gryzinski
Roberto Candia/AP
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A América Latina já
foi palco de muitas cerimônias de posse presidencial esquisitas
inclusive algumas sem cerimônia nenhuma, na surdina ou na marra. Mas nunca
se viu nada parecido com a posse de Sebastián Piñera. Minutos antes
de seu juramento como novo presidente do Chile, a terra tremeu. E tremeu e tremeu.
Eram terremotos secundários, dos muitos que têm acontecido desde
o monstro de 8,8 pontos de 27 de fevereiro. Com 7,2 pontos, o maior tremor do
dia da posse não fez vítimas, mas deu um susto danado. Os convidados
estrangeiros à cerimônia na sede do Congresso chileno, em Valparaíso,
seguraram-se nas poltronas. O equatoriano Rafael Correa, ainda de muletas por
causa de uma operação no joelho, provavelmente pensou que seria
prejudicado se tivesse de sair correndo. O paraguaio Fernando Lugo olhou para
o teto, ressabiado e nem tinha nenhuma ação de paternidade
despencando. Mesmo com os impressionantes estertores vindos das entranhas da terra
e a cerimônia reduzida ao mínimo necessário por causa do estado
de emergência, Piñera manteve o tempo todo o sorriso de bem tratados
dentes. Previsivelmente, suas primeiras medidas como presidente trataram da recuperação
do país traumatizado, tanto pela violência do terremoto como pela
anarquia registrada nos lugares mais afetados, uma demonstração
de como é tênue a linha entre a civilização e a barbárie.
A alternância de poder representada pela vitória de Piñera,
o clima de solidariedade nacional e a elegância sob pressão por todos
demonstrada na tremulante posse indicam que a balança voltou a pender para
o lado da primeira. Melhor para o nobre, constante e valente Chile. |