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Home  »  Revistas  »  Edição 2156 / 17 de março de 2010


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Sorria, é só um terremoto

Pose na posse: a terra treme enquanto Piñera assume,
mas todos demonstram elegância sob pressão


Vilma Gryzinski

Roberto Candia/AP

• A América Latina já foi palco de muitas cerimônias de posse presidencial esquisitas – inclusive algumas sem cerimônia nenhuma, na surdina ou na marra. Mas nunca se viu nada parecido com a posse de Sebastián Piñera. Minutos antes de seu juramento como novo presidente do Chile, a terra tremeu. E tremeu e tremeu. Eram terremotos secundários, dos muitos que têm acontecido desde o monstro de 8,8 pontos de 27 de fevereiro. Com 7,2 pontos, o maior tremor do dia da posse não fez vítimas, mas deu um susto danado. Os convidados estrangeiros à cerimônia na sede do Congresso chileno, em Valparaíso, seguraram-se nas poltronas. O equatoriano Rafael Correa, ainda de muletas por causa de uma operação no joelho, provavelmente pensou que seria prejudicado se tivesse de sair correndo. O paraguaio Fernando Lugo olhou para o teto, ressabiado – e nem tinha nenhuma ação de paternidade despencando. Mesmo com os impressionantes estertores vindos das entranhas da terra e a cerimônia reduzida ao mínimo necessário por causa do estado de emergência, Piñera manteve o tempo todo o sorriso de bem tratados dentes. Previsivelmente, suas primeiras medidas como presidente trataram da recuperação do país traumatizado, tanto pela violência do terremoto como pela anarquia registrada nos lugares mais afetados, uma demonstração de como é tênue a linha entre a civilização e a barbárie. A alternância de poder representada pela vitória de Piñera, o clima de solidariedade nacional e a elegância sob pressão por todos demonstrada na tremulante posse indicam que a balança voltou a pender para o lado da primeira. Melhor para o nobre, constante e valente Chile.
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