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• Exposição: Andy Warhol na Pinacoteca do EstadoBrasilMuito saber, poucas palavrasOs ministros do STF elegeram como próximo
líder da corte
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Dida Sampaio |
| DISCRIÇÃO O novo presidente do STF, ministro Cezar Peluso: ele diz muito com poucas palavras |
O menino
Antonio Cezar Peluso sempre foi o primeiro da classe no Seminário São
José, no interior de São Paulo. Disciplinado, persistente e corintiano,
estudava para ser bispo quando crescesse. A vida conduziu-o por outro caminho,
no qual encontrou Lúcia (sua mulher até hoje), o curso de direito
e, ato contínuo, sua verdadeira vocação: a magistratura.
Quarenta e quatro anos depois, ele será presidente do Supremo Tribunal
Federal o topo e a consagração da carreira para qualquer
juiz. O paulista Peluso tem 67 anos, os últimos sete consagrados à
lida no STF, por indicação do presidente Lula. Na semana passada,
obedecendo à tradição de escolher seu líder pelo critério
da antiguidade, os ministros do Supremo ratificaram o nome de Peluso para comandar
a corte pelos próximos dois anos. Com o cargo, vem também a presidência
do Conselho Nacional de Justiça, o prestigioso CNJ, que cresceu em importância
nos últimos tempos ao jogar luz nos porões corruptos dos tribunais
estaduais e estabelecer metas de produtividade para os juízes. Peluso,
o ministro que fala pouco, produz muito e almoça no bandejão servido
aos funcionários do Supremo, terá o desafio de substituir Gilmar
Mendes, o ministro que não hesitava em emparedar quem confrontasse a corte
e que usou com competência a plataforma do cargo para fortalecer
a Justiça.
Gilmar Mendes entrega o comando do Supremo a Peluso em 23 de abril. Nos dois anos em que esteve à frente do cargo, o ministro ajudou a consolidar a corte como contraponto democrático à fragilidade do Congresso diante da força do Executivo. Daí surgiu o chamado "ativismo" do Supremo, que ocupou o vácuo deixado pelos parlamentares, sempre mais envolvidos com emendas e cargos do que com leis e debates. Nesse período, o STF tomou decisões formidáveis, como liberar o uso de células-tronco em pesquisas científicas, acabar com a autoritária Lei de Imprensa, que vigia desde a ditadura militar, e tentar pôr fim à infidelidade partidária. Peluso assume o comando num momento em que mais casos polêmicos se avizinham: o julgamento da legalidade das cotas raciais nas universidades e do casamento de homossexuais.
Peluso tem envergadura jurídica e altivez de espírito para liderar esses difíceis processos. Ele já demonstrou essas virtudes quando foi convocado a dar sua opinião. Entre outros casos, relatou o processo contra o terrorista italiano Cesare Battisti, no qual seu denso voto a favor da extradição prevaleceu embora, ressalve-se, Lula ainda possa deixá-lo no Brasil. Quem conhece Peluso faz apenas uma advertência: a maior virtude dele pode vir a ser um percalço. Pela natureza polêmica dos casos que tramitam na corte, Peluso terá de contrariar sua índole, deixar o silêncio e sair em defesa do Supremo. Diz um dos ministros mais influentes do STF: "A corte estará em boas mãos. Peluso é um grande juiz. No entanto, deverá se adaptar às exigências do cargo. Não se pode liderar o Supremo em silêncio".