Guia
Mais conforto para os pés
O conforto é o item que mulheres e homens mais levam em
conta antes de comprar um calçado, segundo uma pesquisa encomendada recentemente
pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos
(IBTeC).

Anna Paula Buchalla
abuchalla@abril.com.br
Lailson Santos
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PÉS DE ANJO
A estudante de história Luiza Giandalia, de 19 anos, tem nove "comfort
shoes". Os preferidos são os da alemã Birkenstock e os da
dinamarquesa Dansko. "São sapatos casuais e versáteis. Ficam
bem tanto com um jeans quanto com um vestidinho" |
É o primeiro fator a ser considerado por 87% das consumidoras
e 73% dos consumidores. Para pôr fim ao estereótipo de que sapato
confortável é sapato feio, a indústria nacional começa
a produzir modelos mais cômodos, os chamados "comfort shoes",
a exemplo de marcas como a alemã Birkenstock e a holandesa Wolky. Só
no ano passado, 1 300 modelos de 45 empresas brasileiras receberam o selo de
conforto do instituto. Há desde pares com palmilhas anatômicas
até aqueles com solados com gel e saltos munidos de amortecedores. Para
merecer tal certificação, esses calçados devem obedecer
a certos requisitos: não apertar os dedos nem o peito do pé (depois
de usados por no mínimo meia hora, não pode haver nenhuma marca
dos sapatos nos pés), absorver impactos, evitar a umidade e garantir
a pisada uniforme. "O calçado confortável é generoso
na largura e interfere o mínimo possível no formato do pé",
explica Patrícia Guedes, dona de uma loja especializada em São
Paulo. Há pelo menos dois motivos pelos quais o uso de um sapato inadequado
é não apenas incômodo, mas também arriscado. Uma
fôrma ou uma palmilha com desenho e densidade incorretos para amortecer
impactos podem comprometer articulações, como a dos joelhos. Além
disso, um modelo de qualidade inferior aumenta o risco de aparecimento de calos,
bolhas e outros machucados. "As dores alteram o modo normal de caminhar.
Com isso, o incômodo se estende a articulações de tornozelos,
joelhos, quadril e coluna", explica o ortopedista Flavio Murachovsky, do
Hospital Albert Einstein, de São Paulo. Com a ajuda de especialistas,
VEJA selecionou alguns itens de conforto que fazem a diferença num calçado.
Fotos divulgação
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Salto com amortecedor
O que é: aprovada pelo IBTeC, essa tecnologia absorve entre 55%
e 65% do impacto do peso do corpo sobre os pés. O salto, rígido
por fora, tem em seu interior um tipo de borracha sintética que se molda
conforme o peso e o distribui de maneira uniforme
O que dizem os especialistas: do ponto de vista ortopédico, só
se admite salto de até 4 centímetros. Mais do que isso, ele aumenta
a pressão sobre a ponta dos pés, altera a postura e força
a redistribuição do peso do corpo. "Qualquer salto deve ser
usado com parcimônia, para evitar dores nos joelhos e na planta dos pés",
diz Murachovsky
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Sandália com palmilha anatômica
O que é: desenvolvida pela marca alemã Birkenstock, a palmilha
é feita com uma mistura de cortiça natural e látex, com
revestimento de camurça. Tem encaixe para o calcanhar, proteção
lateral e apoio para o centro da sola do pé e para os dedos
O que dizem os especialistas: a palmilha melhora a distribuição
do peso do corpo sobre a planta dos pés. As extremidades altas em torno
do solado protegem os dedos e os deixam mover-se livremente, ativando a circulação
sanguínea. Por fim, o material absorve o suor
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Sapatilha com Palmilha antiumidade
O que é: de camurça, a palmilha tem nanopartículas
de prata que evitam a umidade e a proliferação de fungos e bactérias
que causam frieira e mau cheiro. Sua estrutura conta ainda com quatro pontos
de apoio - entre eles, há espaço para a movimentação
dos dedos e suporte para o calcanhar
O que dizem os especialistas: combater a umidade proporcionada por um
calçado é essencial. O pé úmido, além de
desconfortável, fica instável e compromete o equilíbrio,
o que é perigoso para as articulações
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Alças de ajuste em sandálias
O que são: três velcros permitem o ajuste completo do calçado
ao pé - da região dorsal ao calcanhar -, de acordo com a anatomia
de cada um
O que dizem os especialistas: as pesquisas indicam que 35% das mulheres
não têm a largura dos pés correspondente ao tamanho da fôrma
do calçado. Portanto, sandálias ajustáveis oferecem mais
conforto a quem tem pés largos ou que incham com facilidade. Nesse caso,
prefira os modelos de tiras largas - elas diminuem o risco de deixar marcas
nos pés
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Sapato social com estrutura de tênis
O que é: não, não é um "sapatênis"
- ao menos na aparência, já que pode ser usado com terno, por exemplo.
Ele é feito de couro elástico que melhora o ajuste ao pé.
A absorção do impacto se dá por meio de uma bolha de ar
dentro do solado, a mesma tecnologia usada nos tênis
O que dizem os especialistas: é uma boa escolha para quem vai
caminhando de casa para o trabalho ou percorre distâncias consideráveis
durante o dia. O couro macio dá mais mobilidade aos pés, enquanto
o sistema de absorção protege as articulações
O sapato é bonito, mas...
Os problemas mais comuns causados por alguns calçados tradicionais
e como evitá-los
Pedro Rubens
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O problema: bolhas e feridas no calcanhar
A solução: adesivos em tiras. A fita de látex adere
a qualquer região do calçado, impedindo o atrito com a pele. O
adesivo perde a aderência, em geral, depois de cinco usos
O problema: dor na sola do pé
A solução: apoio plantar. Colocado sobre a parte frontal
da palmilha, o acessório tem ondulações de gel transparente
que aliviam a pressão sem forçar os dedos
O problema: o pé escorrega para a frente
A solução: palmilha de gel. Estreita e coberta com um tecido
antitranspirante bem fino, pode ser usada com sapatos ou sandálias abertas.
O gel mantém a palmilha no lugar, e ela pode ser removida sem estragar
o calçado |