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alguns dos
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Marcelo Régua/AE![]() |
| Uma relação turbulenta Adriano e a noiva, Joana, reatados depois do arranca-rabo na favela: família desaprova |
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Com uma biografia turbulenta, pontuada pelo consumo excessivo de álcool, crises de depressão e até a deserção da Inter de Milão, em 2009, com o contrato ainda em vigor, o atacante Adriano, hoje no Flamengo, envolveu-se, na semana passada, em novo escândalo - desta vez, com cenas de ciúme, alguma violência e muita baixaria. O episódio foi precipitado pela fúria de sua noiva, a ex-garota-propaganda e atual personal trainer Joana Machado, 29 anos, que, ao flagrar Adriano em meio a uma balada funk repleta de mulheres e regada a álcool, pôs-se a estapear o jogador, até ser repelida por ele com um empurrão. Ainda descontrolada, a moça muniu-se de uma pedra solta na calçada, com a qual provocou estragos na lataria de um Hilux e de um BMW, respectivamente dos jogadores Dênis Marques e Álvaro, do Flamengo, que ali estavam em companhia de Adriano. Tudo se passou na favela Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde Adriano nasceu e que continua a frequentar. Por lá, mantém amizade de infância com o chefe do tráfico, Paulo Rogério de Souza, mais conhecido como Mica, que também participava da farra e, no auge da confusão, esbravejou: "Mulher não tem de ir atrás de homem na birosca". Por ordem do próprio Adriano, Joana acabou expulsa da favela pelos traficantes. O jogador, que permaneceu na festa, chegou a dizer: "Se ela resistir, amarra numa árvore, até se acalmar".
Fabio Motta/AE![]() |
| A frase infeliz O goleiro Bruno, que presenciou a briga, saiu em socorro de Adriano: "Quem nunca saiu na mão com a mulher?" |
O episódio não apenas expôs a relação
intempestiva de Adriano com a noiva - com quem, entre idas e vindas, está
há dois anos - como trouxe à tona questões que sempre rondam
sua trajetória. Uma delas diz respeito à flagrante instabilidade
emocional do jogador. Resume o médico Marco Aurélio Cunha, superintendente
do São Paulo, que teve forte convívio com Adriano em sua passagem
pelo clube, em 2008: "Ele alterna os períodos de euforia com os
de arrependimento pelos excessos e os de depressão". Por trás
dos constantes altos e baixos, pesa um histórico de consumo abusivo de
álcool, hábito que se intensificou depois da morte de seu pai,
em 2004, seguida da separação da mulher, Daniele Carvalho, mãe
de seus dois filhos. Àquela época, Adriano chegou a revelar à
imprensa italiana: "Bebo para conseguir dormir". Em entrevista a VEJA,
a mãe do jogador, Rosilda Ribeiro, expressou sua preocupação:
"Para meu filho, a bebida é uma fuga. Se não está
feliz, acaba extrapolando". Na semana passada, o assunto voltou à
cena, já que, no dia do arranca-rabo, Adriano bebeu à vontade.
"O problema dele com álcool é notório", disse,
sem rodeios, o vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz. Na primeira
vez em que falou sobre o episódio na favela, na última sexta,
Adriano reagiu: "Se eu bebesse tanto como dizem, não conseguiria
nem jogar".
O futebol é pródigo em exemplos de craques que se afundaram na bebida. Garrincha, o mestre dos dribles desconcertantes, colecionou internações e acidentes de carro provocados pelo abuso do álcool. Aos 49 anos, morreu de cirrose hepática. Alcoólatra assumido, o irlandês George Best, que nos anos 60 brilhava no futebol inglês, chegou a submeter-se a um transplante de fígado, mas, mesmo diante dos evidentes estragos da bebida, não conseguiu largar o vício. Ele dizia: "Em minha vida, gastei muito dinheiro com álcool, mulheres e carros". Depois de longa batalha contra a cirrose, morreu em 2005, aos 59 anos. A alta incidência de casos de uso abusivo de álcool nesse meio se explica pela trajetória que muitos dos jogadores têm em comum. Diz a psicóloga Suzy Fleury, que já atendeu atletas da seleção brasileira: "Eles experimentam ascensão meteórica e, como em geral não contam com uma base familiar sólida nem com estudo, ficam completamente desorientados - e vulneráveis à bebida". Adriano é um caso emblemático. Aos 17 anos, já contratado pelo Flamengo, deixou um barraco na Vila Cruzeiro para morar com os pais na Barra da Tijuca, de onde sairia, apenas um ano depois, rumo a Milão. Ali, como jogador da Inter e apelidado de Imperador, chegou ao ápice, com valor no mercado estimado em 300 milhões de reais. Mas, com o rendimento em campo comprometido pelas constantes bebedeiras em boates e hotéis, sua cotação despencou, em apenas três anos, para 60 milhões de reais.
Fotos Reprodução/AE e AP![]() |
| Afundados no álcool O irlandês George Best (à esq.) e Garrincha: o vício levou à morte |
Com o tumulto da semana passada, os prejuízos foram imediatos. De saída, Adriano teve cancelado um contrato publicitário com uma distribuidora de combustível, na casa de 400 000 reais, e acabou excluído de dois jogos do Flamengo. Hoje com 101 quilos - 2 além do ideal e 11 mais que na Copa de 2006 -, também reduziu suas chances de estar na lista dos convocados para disputar o Mundial na África do Sul, que será divulgada em maio. Abalado, Adriano fez como em outras vezes: refugiou-se - desta vez não na favela Vila Cruzeiro, como é praxe, mas em uma recém-comprada mansão em Búzios. De volta ao Rio, ele reatou com Joana, por quem sua família não chega a nutrir grandes simpatias, dado o histórico de acessos de ciúme e brigas violentas do casal, muitas vezes embaladas a álcool. O infeliz episódio protagonizado por ambos traz à luz o drama pessoal de Adriano - e será lembrado ainda pela frase infame proferida por Bruno, goleiro do Flamengo, que tentava defender o Imperador: "Quem nunca saiu na mão com a mulher?".
Com reportagem de Silvia Rogar
Menos álcool, melhor
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