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Radar
GOVERNO
O
troco do governo
A
raiva no Planalto é grande. E pode ser medida por essa ameaça
feita por José Dirceu há duas semanas em seu gabinete:
"Não pense que vamos ficar parados. O PSDB que não
pense isso. Deixe a Semana Santa chegar...". Pelo visto, vem chumbo
grosso por aí.
Sereno
sai mesmo
Marcelo
Sereno, assessor especial do ministro José Dirceu, deu entrevistas
na segunda-feira passada garantindo que não deixaria o cargo
que ocupa, conforme os rumores insistentes das últimas semanas.
Mas ele sai. E ainda neste mês.
Aparando
os problemas
Na
terça-feira, José Dirceu arranjou tempo para receber
em audiência o presidente da Assembléia Legislativa
do Rio de Janeiro, Jorge Picciani. Falaram somente sobre dois assuntos:
a CPI fluminense que investiga o caso Waldomiro Diniz e um aliado
de Picciani, Anthony Garotinho.
No
mesmo barco
O
que não faz uma crise política: o governo Lula já
fez acertos até com o governador Joaquim Roriz.
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O
que vai pela cabeça dele
Celso Junior/AE
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| Dirceu:
economia e chanceleres |
Para quem quer saber o que vai pela cabeça de
José Dirceu (além da crise política),
nada melhor do que uma amostra dos livros que estão
em sua cabeceira. Dirceu lê cerca de trinta páginas
por dia, religiosamente, sempre à noite. Acabou
de ler Repensando o Banco Central, de Jairo Saddi,
em que o autor defende a autonomia do BC. Está
no meio de Churchill, a notável biografia
do primeiro-ministro britânico, um tijolaço
de quase 900 páginas escrito pelo historiador
Roy Jenkins. Em seguida, vai encarar a biografia do
chanceler Otto von Bismarck, que governou a Alemanha
por dezenove anos, e Depois da Queda, em que
o economista Luiz Gonzaga Belluzzo faz uma leitura crítica
da política econômica do Brasil nas duas
últimas décadas. Ou seja, a cabeça
de Dirceu balança entre os primeiros-ministros
e a economia...
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BRASIL
A
papelada do Araguaia 1
O
ministro José Viegas provavelmente estava equivocado quando
afirmou na semana passada que "todos os documentos sobre a guerrilha
do Araguaia foram incinerados, de acordo com a lei, e há
muitos anos". Com certeza, alguém não obedeceu às
ordens. Há mais de um ano, o editor Luiz Fernando Emediato,
da Geração Editorial, mantém num cofre documentos
originais produzidos pelos comandantes militares. Por mais de trinta
anos foram guardados em casa por um deles. Dois jornalistas estão
escrevendo o livro Operação Araguaia Arquivos
Secretos da Guerrilha, que será publicado ainda neste
ano.
A
papelada do Araguaia 2
Inéditos,
os documentos foram produzidos no Araguaia entre março de
1972 e janeiro de 1975. São relatórios sobre o andamento
das operações: como se entrou na selva, o que aconteceu
lá, quem sumiu, quem morreu, quem foi capturado. Há
desde fotos de militares em combate até dois depoimentos
integrais de José Genoíno, então guerrilheiro
sob o codinome Geraldo. Vai dar o que falar.
ECONOMIA
Interesse
em sair
O
Bradesco é vendedor de sua participação na
Vale do Rio Doce.
A
baliza do dólar
Em
meio ao escândalo Waldomiro Diniz, o presidente de uma grande
multinacional foi reportar ao seu superior na matriz americana os
acontecimentos políticos. Estava preocupado. Ouviu do interlocutor:
"Enquanto o dólar não se mexer, tudo bem".
O
dia da verdade
A
nova data-chave para o governo Lula é o próximo dia
9. Na ocasião, o IBGE vai divulgar as taxas de crescimento
da economia no primeiro trimestre. Se não houver sinal de
que o espetáculo do crescimento começou, a terra pode
tremer.
MINAS GERAIS
Com
o dinheiro dos outros
O
novo centro administrativo do governo mineiro, um megaprojeto de
Oscar Niemeyer que Aécio Neves pretende erguer em Belo Horizonte,
terá boa parte de seus custos bancada por empresas que tenham
negócios ou sede no Estado. Aécio já está
passando o chapéu. Uma grande empresa brasileira decidiu
neste início de ano botar 2,5 milhões de reais no
empreendimento.
CERVEJA
Um
brasileiro-belga na
Interbev
A
Interbrew é belga até a última gota de cerveja,
isso todo mundo sabe. Mas mesmo antes da aliança com a AmBev
corria um bocadinho de sangue brasileiro no topo da companhia
o executivo João André Teixeira é há
tempos o vice-presidente de Desenvolvimento de Tecnologia da Interbrew.
Cearense, 52 anos, Teixeira possui hoje dupla nacionalidade.
Água
no chope
Feitas
as contas do mês de fevereiro, comprovou-se que a verdadeira
guerra das cervejas não se deu entre a AmBev e a Schincariol.
A batalha foi contra São Pedro e ele venceu: o tempo
chuvoso fez o setor amargar um dos piores fevereiros dos últimos
tempos.
AVIAÇÃO
Azul
nos ares
Será
anunciado pela TAM no fim do mês um robusto lucro para o ano
passado. Segundo analistas de mercado, alguma coisa próxima
dos 150 milhões de reais. Vai ser o primeiro azul desde 2000
ano em que o lucro foi de magros 562.000 reais. Entre os
responsáveis por essa virada estão a queda do dólar
e o acordo operacional com a Varig, que permite a realização
de vôos compartilhados.
"Corujão"
em guerra
Vai
começar nesta semana uma guerra de tarifas entre Varig, TAM
e Gol em seus vôos noturnos. É um filme antigo: as
empresas aéreas criam suas guerras de preços e depois
dizem que essas guerras produzem prejuízos...
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"Esqueçam
o BC"
Antonio Milena
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| Delfim:
instinto animal |
Às vésperas de uma nova reunião
do Banco Central que definirá as taxas de juros,
nada melhor que ouvir a voz da experiência. O
país está de olho no BC, mas na quinta-feira
passada Delfim Netto falava a um interlocutor: "O Brasil
precisa esquecer o BC". Para o ex-ministro, "se bancos
centrais produzissem desenvolvimento, o mundo não
estaria estagnado há vinte anos". O que cria
desenvolvimento, segundo Delfim, "é um estado
que ofereça as condições gerais
para que o instinto animal dos empresários aflore".
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Lauro
Jardim (ljardim@abril.com.br)
Colaborou
Sandra Brasil
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