Edição 1845 . 17 de março de 2004

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Radar

GOVERNO

O troco do governo
A raiva no Planalto é grande. E pode ser medida por essa ameaça feita por José Dirceu há duas semanas em seu gabinete: "Não pense que vamos ficar parados. O PSDB que não pense isso. Deixe a Semana Santa chegar...". Pelo visto, vem chumbo grosso por aí.  

Sereno sai mesmo
Marcelo Sereno, assessor especial do ministro José Dirceu, deu entrevistas na segunda-feira passada garantindo que não deixaria o cargo que ocupa, conforme os rumores insistentes das últimas semanas. Mas ele sai. E ainda neste mês.

Aparando os problemas
Na terça-feira, José Dirceu arranjou tempo para receber em audiência o presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani. Falaram somente sobre dois assuntos: a CPI fluminense que investiga o caso Waldomiro Diniz e um aliado de Picciani, Anthony Garotinho.

No mesmo barco
O que não faz uma crise política: o governo Lula já fez acertos até com o governador Joaquim Roriz.

 

O que vai pela cabeça dele

Celso Junior/AE
Dirceu: economia e chanceleres


Para quem quer saber o que vai pela cabeça de José Dirceu (além da crise política), nada melhor do que uma amostra dos livros que estão em sua cabeceira. Dirceu lê cerca de trinta páginas por dia, religiosamente, sempre à noite. Acabou de ler Repensando o Banco Central, de Jairo Saddi, em que o autor defende a autonomia do BC. Está no meio de Churchill, a notável biografia do primeiro-ministro britânico, um tijolaço de quase 900 páginas escrito pelo historiador Roy Jenkins. Em seguida, vai encarar a biografia do chanceler Otto von Bismarck, que governou a Alemanha por dezenove anos, e Depois da Queda, em que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo faz uma leitura crítica da política econômica do Brasil nas duas últimas décadas. Ou seja, a cabeça de Dirceu balança entre os primeiros-ministros e a economia...


BRASIL

A papelada do Araguaia 1
O ministro José Viegas provavelmente estava equivocado quando afirmou na semana passada que "todos os documentos sobre a guerrilha do Araguaia foram incinerados, de acordo com a lei, e há muitos anos". Com certeza, alguém não obedeceu às ordens. Há mais de um ano, o editor Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, mantém num cofre documentos originais produzidos pelos comandantes militares. Por mais de trinta anos foram guardados em casa por um deles. Dois jornalistas estão escrevendo o livro Operação Araguaia – Arquivos Secretos da Guerrilha, que será publicado ainda neste ano.

A papelada do Araguaia 2
Inéditos, os documentos foram produzidos no Araguaia entre março de 1972 e janeiro de 1975. São relatórios sobre o andamento das operações: como se entrou na selva, o que aconteceu lá, quem sumiu, quem morreu, quem foi capturado. Há desde fotos de militares em combate até dois depoimentos integrais de José Genoíno, então guerrilheiro sob o codinome Geraldo. Vai dar o que falar.

 

ECONOMIA

Interesse em sair
O Bradesco é vendedor de sua participação na Vale do Rio Doce.

A baliza do dólar
Em meio ao escândalo Waldomiro Diniz, o presidente de uma grande multinacional foi reportar ao seu superior na matriz americana os acontecimentos políticos. Estava preocupado. Ouviu do interlocutor: "Enquanto o dólar não se mexer, tudo bem".

O dia da verdade
A nova data-chave para o governo Lula é o próximo dia 9. Na ocasião, o IBGE vai divulgar as taxas de crescimento da economia no primeiro trimestre. Se não houver sinal de que o espetáculo do crescimento começou, a terra pode tremer.

 

MINAS GERAIS

Com o dinheiro dos outros
O novo centro administrativo do governo mineiro, um megaprojeto de Oscar Niemeyer que Aécio Neves pretende erguer em Belo Horizonte, terá boa parte de seus custos bancada por empresas que tenham negócios ou sede no Estado. Aécio já está passando o chapéu. Uma grande empresa brasileira decidiu neste início de ano botar 2,5 milhões de reais no empreendimento.

 

CERVEJA

Um brasileiro-belga na Interbev
A Interbrew é belga até a última gota de cerveja, isso todo mundo sabe. Mas mesmo antes da aliança com a AmBev corria um bocadinho de sangue brasileiro no topo da companhia – o executivo João André Teixeira é há tempos o vice-presidente de Desenvolvimento de Tecnologia da Interbrew. Cearense, 52 anos, Teixeira possui hoje dupla nacionalidade.

Água no chope
Feitas as contas do mês de fevereiro, comprovou-se que a verdadeira guerra das cervejas não se deu entre a AmBev e a Schincariol. A batalha foi contra São Pedro – e ele venceu: o tempo chuvoso fez o setor amargar um dos piores fevereiros dos últimos tempos.

 

AVIAÇÃO

Azul nos ares
Será anunciado pela TAM no fim do mês um robusto lucro para o ano passado. Segundo analistas de mercado, alguma coisa próxima dos 150 milhões de reais. Vai ser o primeiro azul desde 2000 – ano em que o lucro foi de magros 562.000 reais. Entre os responsáveis por essa virada estão a queda do dólar e o acordo operacional com a Varig, que permite a realização de vôos compartilhados.

"Corujão" em guerra
Vai começar nesta semana uma guerra de tarifas entre Varig, TAM e Gol em seus vôos noturnos. É um filme antigo: as empresas aéreas criam suas guerras de preços e depois dizem que essas guerras produzem prejuízos...

 

"Esqueçam o BC"

Antonio Milena
Delfim: instinto animal


Às vésperas de uma nova reunião do Banco Central que definirá as taxas de juros, nada melhor que ouvir a voz da experiência. O país está de olho no BC, mas na quinta-feira passada Delfim Netto falava a um interlocutor: "O Brasil precisa esquecer o BC". Para o ex-ministro, "se bancos centrais produzissem desenvolvimento, o mundo não estaria estagnado há vinte anos". O que cria desenvolvimento, segundo Delfim, "é um estado que ofereça as condições gerais para que o instinto animal dos empresários aflore".

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
Colaborou Sandra Brasil

 

 

 

 

 
 
 
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