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Música
O
rock de auto-ajuda
Som
pesado e inquietações existenciais
levam Linkin Park e
Evanescence ao sucesso

Sérgio Martins
Divulgação
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| Evanescence,
com a ultrapálida Amy Lee à frente: canções para quem não se
sente confortável na própria pele |
Os
"holden caulfields" da atualidade já têm sua trilha
sonora: ela é feita pelo Linkin Park e pelo Evanescence.
Protagonista do romance O Apanhador no Campo de Centeio,
do escritor americano J.D. Salinger, Holden Caulfield é a
mais célebre representação literária
do adolescente mergulhado em questionamentos existenciais. E é
exatamente disso que tratam as letras dos dois grupos americanos
em questão, campeões de venda no cenário roqueiro.
O Linkin Park já vendeu 25 milhões de cópias
de quatro lançamentos ao redor do mundo, enquanto o Evanescence
atingiu a marca de 9 milhões com seu disco de estréia,
Fallen. No Brasil, as vendagens de 2003 foram de 160.000
cópias para Meteora, do Linkin Park, e de 140.000
para Fallen. Nenhuma outra banda estrangeira igualou esse
desempenho.
Divulgação
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| Linkin
Park: fio de alta-tensão desencapado |
A inquietação
juvenil tem várias formas de traduzir-se em rock. Há
a música de protesto com pretensões políticas,
a música rebelde que investe contra tudo e todos, a música
que é pura farra e finalmente a música feita por aqueles
que não se sentem à vontade na própria pele
e têm uma inclinação, digamos assim, "metafísica".
Com letras batizadas de Somewhere I Belong (Algum Lugar Onde
Eu Me Sinta em Casa) e Bring Me to Life (Faça-me Viver),
respectivamente, Linkin Park e Evanescence pertencem a essa última
vertente. No caso do Evanescence, as preocupações
cósmicas são ainda mais evidentes. A banda nasceu
no fim dos anos 90 e encontrou seus primeiros fãs entre os
apreciadores do rock cristão. Aos poucos, o grupo tentou
se desfazer dessas vinculações religiosas, que não
são muito boas para os negócios. "Eu não gosto
de falar sobre minha religião, mas posso garantir que não
somos uma banda cristã", disse a cantora Amy Lee a VEJA.
A vocalista afirma, no entanto, que acha bom quando alguém
lhe diz que sua música serve de inspiração
para a vida (num sentido "auto-ajuda"). O Linkin Park é menos
carola. Surgido em 1996 na cidade de Los Angeles, o grupo tem no
cantor Chester Bennington o seu principal letrista. O sujeito
que admite ter sérios problemas com drogas e álcool
já foi descrito como um fio de alta-tensão
desencapado. "Chester tem problemas de aceitação e
faz canções para lidar com eles", diz um dos integrantes
da banda.
Sonoramente,
tanto Evanescence quanto Linkin Park fazem uma mistura de heavy
metal e rap que não chega a ser alternativa, mas tem barulho
suficiente para que não possa ser considerada "careta". Em
países como o Brasil, onde pouquíssima gente é
capaz de desvendar as letras de primeira, o som forte das bandas
ajuda bastante a conquistar fãs. No caso do Evanescence,
um outro fator importante explica a popularidade: a presença
de uma garota nos vocais. As meninas são as maiores admiradoras
do grupo. "Não estamos acostumadas a ver uma garota cantando
rock. Além do mais, Amy é bonita e carismática",
diz Michele Tyszler, a presidente do maior fã-clube do Evanescence
no Brasil. Amy Lee tem coruscantes olhos azuis, usa maquiagem pesada
para ficar com a aparência ultrapálida e porta adereços
góticos, como correntes e crucifixos. Fica combinado que,
se fosse menina e vivesse nos dias de hoje, Holden Caulfield seria
assim.
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