|
|
Juventude
É
Santa Catarina
Criado
pela Unesco no Brasil, índice inédito
mostra
as regiões onde jovens vivem melhor

Malu
Gaspar
Em
1990, quando o pesquisador paquistanês Mahbub ul Haq decidiu
criar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o indiano
Amartya Sen, ganhador do Nobel de Economia, duvidou de sua utilidade.
Achava improvável sintetizar num único índice
toda a complexidade do desenvolvimento humano em um país.
Em que pese a descrença inicial, o IDH mostrou-se um dado
confiável. Agora, inspirado em seu sucesso, um pesquisador
da Unesco no Brasil, o argentino Julio Jacobo Waiselfisz, acaba
de criar o Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ). Cruzando
informações de pesquisas nacionais, o IDJ surgiu para
responder a uma pergunta básica: onde os jovens vivem melhor
no Brasil? Depois de oito meses desenvolvendo a metodologia, Waiselfisz
e seus três assistentes chegaram à resposta: Santa
Catarina é o melhor lugar para os jovens de 15 a 24 anos.
Depois, Distrito Federal e, em seguida, Rio Grande do Sul.
Nos
lugares com alto IDH, a taxa de desenvolvimento juvenil tende a
ser igualmente alta. O grande desencontro entre os índices
ocorre quando o assunto é violência. Nos últimos
vinte anos, a taxa de homicídios no Brasil ficou estável
em todas as faixas etárias, exceto na dos jovens, entre os
quais ela duplicou. O Rio de Janeiro, por exemplo, tem o quinto
melhor IDH do país, mas o oitavo IDJ, e o principal motivo
é o altíssimo número de mortes violentas entre
os jovens fluminenses. De todos os jovens que morrem no Rio por
ano, 53% são assassinados. Já no Maranhão,
que possui o pior IDH do país, o IDJ é intermediário,
em virtude de seu baixíssimo índice de violência
fatal entre a juventude.
O
IDJ leva em conta também informações econômicas
e educacionais, como analfabetismo, qualidade do ensino e compatibilidade
entre idade do aluno e série que está cursando
item no qual o Brasil, devido a sua alta taxa de repetência,
tem o maior descompasso da América Latina e um dos maiores
do mundo. "A defasagem idade-série é um fenômeno
típico do Brasil. Então, para nós, no cálculo
do IDJ, não bastava saber quantos jovens estavam na escola,
mas quantos estavam na série correta", explica Waiselfisz.
Com isso, os pesquisadores criaram um novo índice
o de "escolarização adequada" e descobriram
um dado desalentador. De cada 100 jovens brasileiros, apenas 48
estão na escola e, desses, 29 encontram-se numa série
compatível com sua idade, mas dezenove estão defasados.
|