Edição 1845 . 17 de março de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Juventude
É Santa Catarina

Criado pela Unesco no Brasil, índice inédito
mostra as regiões onde jovens vivem melhor


Malu Gaspar

A radiografia

Em 1990, quando o pesquisador paquistanês Mahbub ul Haq decidiu criar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o indiano Amartya Sen, ganhador do Nobel de Economia, duvidou de sua utilidade. Achava improvável sintetizar num único índice toda a complexidade do desenvolvimento humano em um país. Em que pese a descrença inicial, o IDH mostrou-se um dado confiável. Agora, inspirado em seu sucesso, um pesquisador da Unesco no Brasil, o argentino Julio Jacobo Waiselfisz, acaba de criar o Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ). Cruzando informações de pesquisas nacionais, o IDJ surgiu para responder a uma pergunta básica: onde os jovens vivem melhor no Brasil? Depois de oito meses desenvolvendo a metodologia, Waiselfisz e seus três assistentes chegaram à resposta: Santa Catarina é o melhor lugar para os jovens de 15 a 24 anos. Depois, Distrito Federal e, em seguida, Rio Grande do Sul.

Nos lugares com alto IDH, a taxa de desenvolvimento juvenil tende a ser igualmente alta. O grande desencontro entre os índices ocorre quando o assunto é violência. Nos últimos vinte anos, a taxa de homicídios no Brasil ficou estável em todas as faixas etárias, exceto na dos jovens, entre os quais ela duplicou. O Rio de Janeiro, por exemplo, tem o quinto melhor IDH do país, mas o oitavo IDJ, e o principal motivo é o altíssimo número de mortes violentas entre os jovens fluminenses. De todos os jovens que morrem no Rio por ano, 53% são assassinados. Já no Maranhão, que possui o pior IDH do país, o IDJ é intermediário, em virtude de seu baixíssimo índice de violência fatal entre a juventude.

O IDJ leva em conta também informações econômicas e educacionais, como analfabetismo, qualidade do ensino e compatibilidade entre idade do aluno e série que está cursando – item no qual o Brasil, devido a sua alta taxa de repetência, tem o maior descompasso da América Latina e um dos maiores do mundo. "A defasagem idade-série é um fenômeno típico do Brasil. Então, para nós, no cálculo do IDJ, não bastava saber quantos jovens estavam na escola, mas quantos estavam na série correta", explica Waiselfisz. Com isso, os pesquisadores criaram um novo índice – o de "escolarização adequada" – e descobriram um dado desalentador. De cada 100 jovens brasileiros, apenas 48 estão na escola – e, desses, 29 encontram-se numa série compatível com sua idade, mas dezenove estão defasados.

 
 
 
 
topo voltar