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Diogo
Mainardi
O
planejamento petista
"Se
depender do PT, a maior contribuição científica
brasileira continuará
sendo o
polvilho
anti-séptico Granado, para as frieiras nos
pés.
Chega de
reclamar de Bush. Lula é muito mais
retrógrado do
que ele"
O ministro
da Saúde, Humberto Costa, anunciou que quer diminuir em 15%
a mortalidade materna. Há uma maneira simples e rápida
para atingir a meta. Basta legalizar o aborto. Calcula-se que os
abortos clandestinos sejam responsáveis por cerca de 15%
das mortes de gestantes. Acabando com os abortos clandestinos, a
mortalidade materna diminui na mesma proporção, em
particular entre as mulheres mais pobres e mais jovens.
O
plano de Humberto Costa, como todos os outros planos do governo,
é só conversa mole. Ele promete salvar a vida dessas
mulheres garantindo o acesso ao planejamento familiar. O planejamento
familiar é uma das inúmeras falácias da nossa
Constituição. Foi o subterfúgio empregado pelos
constituintes para impedir qualquer política de controle
da natalidade. Sobretudo o aborto. O planejamento familiar se baseia
quase exclusivamente em programas educacionais. Quando o poder público
não sabe resolver um problema, como a criminalidade ou a
miséria, recorre sempre à educação.
A educação é o principal mito paralisante do
Brasil, o argumento que sufoca todos os demais. Se os políticos
parassem de usar a educação para encobrir sua incompetência
e inoperância, o Brasil teria alguma chance de ir para a frente.
No
mundo todo, o direito ao aborto foi uma conquista dos partidos de
esquerda. Até alguns anos atrás, o PT o defendia.
Em 1995, o atual presidente do partido, José Genoino, chegou
a apresentar um projeto de lei permitindo o aborto nos primeiros
noventa dias de gestação. Agora mudou. Os petistas
perderam o interesse pelo assunto, preferindo se concentrar em metas
de superávit fiscal e expedientes para abafar denúncias
de corrupção. O único parlamentar petista que
se ocupa ativamente da questão é Durval Orlato, que
tenta limitar ainda mais sua aplicação. Ele pleiteia
que as vítimas de estupro sejam obrigadas a ver filmes sobre
o desenvolvimento dos fetos caso decidam abortar. Além da
tortura do estuprador, portanto, as mulheres deverão ser
submetidas à tortura do Estado. Um fiel aliado do PT, Severino
Cavalcanti, do PP, também se engajou na campanha. Ele planeja
enfiar na cadeia todas as mulheres que praticarem abortos clandestinos.
Recentemente,
membros do PT pensaram em adotar algumas medidas de controle demográfico,
mas a ala mais carola do partido os impediu. A idéia era
associar os benefícios do Bolsa-Família a formas de
desincentivo à natalidade. Por mais paradoxal que possa parecer,
o governo brasileiro, como o da Dinamarca, subsidia o aumento da
natalidade. Quanto mais filhos tem uma mulher, mais esmolas governamentais
ela recebe. Os fundamentalistas católicos do PT determinaram
também a proibição de experimentos com células-tronco
desenvolvidas a partir de embriões humanos. Curiosamente,
o Brasil conseguiu avanços importantes nesse campo de pesquisa.
Avanços que agora irão se perder. Se depender do PT,
a maior contribuição científica brasileira
continuará sendo o polvilho anti-séptico Granado,
para as frieiras nos pés. Chega de reclamar de Bush. Lula
é muito mais retrógrado do que ele.
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