Panorama
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Juliana DAgostini é uma pianista de 23 anos que tem se apresentado com regularidade nos espaços de música erudita em São Paulo. O repertório de seu disco de estreia é dedicado ao húngaro Liszt e ao polonês Chopin, compositores do período romântico e cuja execução requer técnica e sensibilidade, qualidades que não faltam a Juliana. Suas versões ainda não se comparam às de intérpretes mais calejados, como a portuguesa Maria João Pires (cujo Chopin é primoroso) ou o norueguês Leif Ove Andsnes (expert em Liszt). Mas ela encanta pela maneira com que supera fraseados complicados .- no caso de Liszt - e pela suavidade de seu toque. E pensar que Juliana trabalhou como modelo fotográfico para poder bancar seus estudos de piano.
O Massive Attack é um dos criadores do trip hop, estilo que usa batidas eletrônicas inspiradas no hip hop e lhes dá um andamento vagaroso e embriagado. A receita rendeu singles como Unfinished Sympathy, que até hoje bate ponto nas pistas de dança. O grupo inglês surgiu como um trio, mas atualmente está reduzido aos músicos e produtores Robert Del Naja e Neil Davidge. As mudanças na formação não alteraram sua sonoridade. Heligoland, o primeiro CD do grupo em sete anos, reforça as pancadas lúgubres que lhe deram fama. Como nos discos anteriores, o Massive Attack conta com bons convidados: o músico de reggae Horace Andy, que já colaborou com o grupo antes, canta Girl I Love. E também aparecem no disco o cantor Damon Albarn (em Saturday Comes Slow) e a veterana do trip hop Martina-Topley Bird (em Babel).
TANTAS MARÉS, Edu Lobo (Biscoito Fino) O cantor, compositor e instrumentista Edu Lobo grava pouco - seu último disco foi Meia Noite, de 1995. Mas, quando o faz, apresenta músicas de grande beleza, com harmonias e melodias que passam longe da banalidade e ótimas letras. Tantas Marés segue o padrão Lobo de qualidade. Impedido de compor ao violão por causa de um acidente, Edu Lobo apresentou apenas seis músicas inéditas, com letras de Paulo César Pinheiro. Ao lado destas, o disco traz novas versões para parcerias com Chico Buarque e o poeta Cacaso. O músico recrutou colaboradores de alta patente, como o pianista e arranjador Cristovão Bastos, o oboísta e maestro Carlos Eduardo Prazeres (autor do belo solo em Qualquer Caminho) e a cantora Monica Salmaso, que em A Primeira Cantiga aparece num registro mais quente e emotivo que o habitual.
LIVRO SAMBA DE ENREDO - HISTÓRIA E ARTE, de Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas (Civilização Brasileira; 238 páginas; 34,90 reais)
Um gênero épico: é assim que o historiador Luiz Antonio Simas e o escritor Alberto Mussa descrevem o samba de enredo nesta bem escrita e documentada história. Trata-se, afinal, de canções que exaltam a nacionalidade (a União das Escolas de Samba, criada em 1934, alinhou-se logo às políticas nacionalistas de Getúlio Vargas). Entusiastas do samba, Mussa e Simas examinam a evolução histórica e artística do gênero - e acusam sua decadência a partir dos anos 90, quando a aceleração dos desfiles e da bateria conduziu ao "desvario rítmico". Bom de ler, Samba de Enredo serve também como obra de referência para os apreciadores de música popular: traz uma lista dos sambas-enredo do Carnaval carioca, ano a ano, apanhados curtos da trajetória das principais escolas de samba e biografias breves de compositores como Didi e Silas de Oliveira.
CINEMA
Ferido em combate, o sargento Will Montgomery (Ben Foster) não pode retornar ao Iraque. É, então, designado para uma função de honra: notificar os parentes de soldados mortos de sua perda, em dupla com outro oficial, o capitão Tony Stone (Woody Harrelson), mais experiente no intrincado protocolo que a tarefa exige. O aspecto mais surpreendente do drama dirigido pelo estreante Oren Moverman é demonstrar que essa missão, tida como "de paz", é toda uma outra guerra, tão dura quanto a que se enfrenta em um campo de batalha. A qualquer hora do dia ou da noite, Will e Tony são chamados para localizar pessoas que temem justamente isso - uma dupla de oficiais em traje formal batendo à sua porta - e colher reações agressivas, desesperadas ou indiferentes, mas sempre impossíveis de prever ou de atenuar. O roteiro preciso, do qual Moverman é coautor, recebeu uma merecida indicação ao Oscar, assim como Harrelson, nomeado na categoria de ator coadjuvante. Como nem toda justiça é completa, Foster não foi contemplado, embora sua atuação controlada, repleta de um sofrimento que ele indica sem ostentar, seja o pivô deste bom filme.
DVD
Um encontro furtivo desanda, e a filha adolescente da respeitável Lucia Harper (Joan Bennett) provoca, sem querer, a morte de seu amante mau-caráter. Lucia oculta o cadáver e pensa ter se desfeito de todas as provas. Está enganada: não só o cadáver é encontrado, como logo um tipo escuso, Martin Donnelly (James Mason), está controlando sua vida e exigindo pagamento para não entregar à polícia as cartas que a menina escreveu ao morto. O diretor alemão Max Ophüls, que se radicara nos Estados Unidos em 1941, era um mestre do melodrama e do noir. Aqui ele combina os gêneros com fluidez numa história que, entre outros rumos inesperados, leva a ciosa Lucia a ter sentimentos impensáveis pelo desonesto - e, ao final, tristíssimo - chantagista, numa das atuações mais eficazes da carreira de Mason.
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